Lokan contra A Driade

 


A vila sem nome estava em estado de alerta. Os rumores sobre as mortes misteriosas que ocorriam na floresta próxima se espalhavam rapidamente, criando um clima de medo e desconfiança. As pessoas falavam de gritos distantes no meio da noite e do som de árvores rangendo como se estivessem vivas. Aqueles que se aventuravam muito perto da floresta não retornavam mais.

Elden, um elfo guerreiro de olhos frios e determinação inabalável, estava na praça da vila, afivelando seu cinto de espada. Ao seu lado, a clériga Elza, com sua aura tranquila e cajado nas mãos, observava o movimento ao redor, seu olhar sereno mascarando a preocupação que sentia. Lokan, o meio-elfo meio-orc, estava parado mais atrás, com seu machado de lâmina dupla apoiado no ombro, uma expressão de desconfiança no rosto.

"Essas mortes são um presságio de algo terrível," disse Elza, olhando para Elden. "Precisamos descobrir o que está causando isso antes que mais vidas sejam perdidas."

Elden assentiu, apertando o cabo de sua espada. "Concordo. Quanto mais esperarmos, mais pessoas morrerão. Precisamos agir agora."

"Então vamos acabar com isso," grunhiu Lokan, um brilho de raiva em seus olhos. "Essa floresta não me assusta."

Os três se aventuraram para dentro da floresta, que parecia mais escura e densa do que o normal. A luz do sol mal conseguia penetrar a copa das árvores, e uma neblina verde-clara envolvia tudo, deixando o ambiente úmido e opressor. Os sons da natureza eram abafados, e a sensação de estar sendo observado aumentava a cada passo.

"Vocês sentiram isso?" murmurou Elza, seu cajado brilhando suavemente com uma luz protetora. "Há uma presença mágica aqui... algo antigo e cheio de rancor."

"Está nos observando," sussurrou Elden, com a mão já na empunhadura de sua espada. "Preparem-se."

De repente, as folhas começaram a se mover, como se fossem empurradas por uma brisa que só existia ao redor deles. Uma figura feminina emergiu das sombras, seu corpo coberto por folhas verdes e musgos que se entrelaçavam em torno de seus membros como uma segunda pele. Seus olhos brilhavam com um verde intenso, e sua expressão era de fúria. Era uma dríade, uma guardiã e espírito da floresta, mas algo estava errado. Ela parecia corrompida, suas folhas murchas em algumas partes e uma escuridão pulsante ao redor de seu ser.

"Vocês profanaram a minha floresta!" gritou a dríade, sua voz ecoando como o vento que atravessa as árvores. "E agora pagarão com suas vidas!"

Sem aviso, raízes gigantes emergiram do chão, serpenteando em direção ao grupo. Elden saltou para trás, puxando sua espada e cortando uma raiz que quase o pegou pelos pés. Lokan rugiu e desceu seu machado com força, partindo outra raiz ao meio. Elza ergueu seu cajado e lançou um feitiço de luz, fazendo as raízes recuar momentaneamente.

"Ela está tentando nos prender!" gritou Elden. "Precisamos atacá-la diretamente!"

Com um grito de guerra, Lokan avançou em direção à dríade, seu machado levantado alto. Ele trouxe a lâmina para baixo com toda a sua força, mas a dríade se moveu com uma velocidade surpreendente. Ela girou elegantemente, suas folhas se espalhando como uma capa, e bloqueou o golpe com uma parede de vinhas que se ergueram do chão. As vinhas se enrolaram no machado de Lokan, tentando arrancá-lo de suas mãos.

Lokan, usando toda a sua força, puxou o machado de volta, rasgando as vinhas em pedaços. Mas antes que pudesse avançar novamente, a dríade estendeu uma mão e disparou uma rajada de espinhos em sua direção. Lokan levantou o braço para se proteger, mas alguns espinhos penetraram em sua pele, fazendo-o recuar com um grunhido de dor.

"Elza, me dê cobertura!" gritou Elden, que já estava em movimento. Ele correu para o lado da dríade, tentando flanqueá-la. A clériga concentrou sua magia e lançou uma esfera de luz contra a criatura, que explodiu em uma chama brilhante ao tocar as folhas da dríade. A criatura recuou, suas folhas murchando um pouco mais sob a luz purificadora.

Elden aproveitou a distração e atacou, sua espada cortando o ar em direção ao peito da dríade. Mas, antes que sua lâmina pudesse atingi-la, a dríade se dissolveu em uma nuvem de folhas e reapareceu a poucos metros de distância, intacta. Com um gesto elegante, ela fez com que as árvores ao redor se movesse, seus galhos descendo como chicotes em direção a Elden.

Elden mal teve tempo de levantar sua espada para bloquear os galhos que o atingiam. Cada impacto fazia seus braços tremerem, mas ele não desistiu. "Lokan! Derrube essas árvores!" ele gritou.

Lokan, com fúria renovada, brandiu seu machado e atacou a base das árvores que estavam atacando Elden. Cada golpe poderoso fazia as árvores balançarem e soltarem estalos altos de madeira se partindo. A dríade gritou em raiva ao ver suas aliadas caírem uma a uma.

"Vocês são intrusos!" ela rugiu, suas mãos agora brilhando com uma energia verde-escura. "Eu sou a protetora deste lugar, e este será o seu túmulo!"

De repente, uma onda de energia verde explodiu do corpo da dríade, atingindo os três aventureiros em cheio. Eles foram lançados para trás, caindo pesadamente no chão. Elden se levantou com dificuldade, sua espada ainda em mãos, enquanto Elza já se erguia, com o cajado brilhando intensamente, pronta para lançar um contra-ataque.

"Precisamos unir nossas forças!" Elza gritou, sua voz carregada de urgência. "Ela é poderosa demais para enfrentarmos separados!"

Elden e Lokan assentiram, juntando-se a ela. Elza começou a conjurar um feitiço de cura para fortalecer seus aliados, enquanto Elden e Lokan avançavam juntos contra a dríade. Eles atacaram como um só, Elden com sua espada afiada e Lokan com seu machado devastador.

A dríade se defendeu com todas as suas forças, suas vinhas e raízes tentando conter os ataques. Elden desferiu um golpe rápido contra um dos braços dela, cortando várias folhas e a fazendo soltar um grito de dor. Lokan, aproveitando a abertura, desceu seu machado com um golpe poderoso, atingindo diretamente o flanco da criatura.

A dríade gritou, uma mistura de dor e fúria, e uma onda de energia verde explodiu de seu corpo mais uma vez. Dessa vez, porém, Elden estava preparado. Ele usou sua espada para desviar a energia, canalizando-a para o chão, enquanto Elza lançava um feitiço de luz que se espalhou como uma explosão de raios solares, atingindo a dríade em cheio.

A luz queimava a dríade, suas folhas murchando rapidamente, e sua forma começava a perder a coesão. Mas mesmo em meio à dor, ela lançou um último olhar para os três aventureiros. "Vocês não entendem... este é apenas o começo..." ela sussurrou, sua voz enfraquecendo enquanto desaparecia em uma chuva de folhas murchas.

Antes que pudessem respirar aliviados, o chão sob os pés deles começou a tremer novamente. De onde a dríade desapareceu, um círculo de símbolos antigos começou a brilhar no solo, emitindo uma luz verde ameaçadora.

"Isso não acabou," disse Elden, olhando para o círculo de magia que se formava. "Algo mais está vindo..."

Com os símbolos no chão brilhando intensamente, a luz verde se expandia, crescendo até se tornar uma coluna de energia que parecia alcançar o céu. A floresta ao redor parecia responder ao chamado, com as árvores curvando-se e o ar ficando ainda mais carregado de tensão.

"Isso não é bom," murmurou Elza, recuando alguns passos. "A dríade estava apenas preparando o terreno para algo maior."

"Então é melhor estarmos prontos," respondeu Elden, apertando o cabo de sua espada, seus olhos fixos na luz que brilhava à sua frente. Lokan, ao lado deles, girou o machado em suas mãos, os músculos tensos e os olhos cheios de determinação.

A luz verde começou a se dissipar, e uma figura começou a emergir do círculo de energia. Primeiro, foi apenas uma sombra escura, depois os detalhes começaram a se formar. Diante deles surgiu uma criatura gigantesca, uma versão corrompida de uma dríade, mas muito mais poderosa. Sua forma era grotesca, uma fusão de madeira, raízes e pedra, com musgo e espinhos por todo o corpo. Seus olhos eram duas fendas verdes e brilhantes, cheias de ódio puro.

"Eu sou Azura, a Mãe das Florestas!" a criatura rugiu, sua voz reverberando como trovões entre as árvores. "Vocês ousaram desafiar meu reino, e agora pagarão o preço!"

Com um movimento de suas mãos massivas, Azura invocou uma tempestade de espinhos que choveu sobre os três guerreiros. Elden reagiu rapidamente, erguendo seu escudo para bloquear a maior parte dos projéteis, mas alguns ainda passaram, rasgando suas roupas e cortando sua pele. Lokan, com sua força bruta, se protegeu com o machado, partindo os espinhos em pedaços. Elza conjurou uma barreira de luz, que brilhou intensamente e reduziu os espinhos a pó antes de alcançá-la.

"Precisamos encontrar um ponto fraco!" gritou Elden enquanto avançava contra a criatura, desferindo uma série de golpes rápidos com sua espada. Ele atacava as partes mais expostas do corpo de Azura, mas a pele dela era dura como pedra, e seus golpes mal faziam arranhões.

Lokan rugiu, correndo em direção à criatura e atacando uma das pernas dela com seu machado. Com um golpe poderoso, ele conseguiu abrir uma fenda na madeira que a cobria, mas em resposta, raízes emergiram do chão, se enrolando ao redor das pernas de Lokan e tentando puxá-lo para baixo.

"Elza, agora!" gritou Elden.

A clériga levantou seu cajado, invocando o poder das luzes celestiais. Uma explosão de luz pura irradiou de sua posição, atingindo Azura diretamente no peito. A criatura gritou em agonia quando a luz queimou através de suas defesas, fazendo algumas das raízes e musgos que cobriam seu corpo murcharem e se desfazerem.

"Continuem assim!" incentivou Elden. "Estamos começando a machucá-la!"

Azura, porém, não estava derrotada. Com um grito de fúria, ela balançou seus braços enormes e criou uma onda de choque que lançou Elden e Lokan para trás, fazendo-os bater contra as árvores. Elza, em sua concentração, quase perdeu o equilíbrio, mas conseguiu se manter firme.

"Vocês são como formigas diante da ira da natureza!" rugiu Azura, sua voz reverberando pelo ar.

Elden se levantou, cuspindo sangue, mas com o olhar ainda cheio de determinação. "Se somos formigas, então estamos prontos para derrubar um gigante!" Ele gritou e, em um movimento fluido, lançou sua espada contra a criatura, acertando-a bem no olho esquerdo.

Azura soltou um urro de dor e, em sua raiva, começou a liberar uma quantidade imensa de energia da floresta, fazendo as raízes e vinhas ao redor crescerem em um ritmo alarmante. As plantas começaram a tentar cercar e sufocar os três guerreiros.

"Precisamos de um ataque final! Lokan, podemos contar com você?" gritou Elza, olhando para o meio-elfo meio-orc.

Lokan, com sangue correndo pelo rosto, soltou uma risada selvagem. "Deixe comigo!" Ele se ergueu e, reunindo toda a sua força, levantou o machado acima de sua cabeça. Com um rugido de batalha, ele avançou diretamente contra Azura, mirando no ponto que Elden havia atingido anteriormente.

No momento em que Lokan atacou, Elza canalizou seu feitiço mais poderoso de luz, cobrindo a lâmina do machado com uma aura brilhante. Quando Lokan desceu a lâmina, ela atingiu a criatura com a força de uma estrela cadente, rasgando o tronco de Azura em duas metades.

Azura gritou, um som que parecia o vento se lamentando entre as árvores, enquanto sua forma gigantesca começava a se despedaçar. Suas raízes murcharam, sua casca rachou e se desfez em pó, e toda a energia verde que a cercava desapareceu. Finalmente, ela caiu, suas últimas palavras ecoando na floresta.

"Vocês... podem ter me derrotado... mas a floresta... nunca esquecerá..."

Com isso, o corpo de Azura desmoronou em folhas secas e galhos quebrados, que rapidamente se espalharam pelo chão. A floresta, por um momento, ficou em silêncio total, como se estivesse lamentando a queda de sua guardiã.

Elden, Lokan e Elza se juntaram, ofegantes e cobertos de ferimentos, mas vivos. Eles se olharam, exaustos, mas vitoriosos.

"Conseguimos," disse Elden, sua voz rouca, mas com um pequeno sorriso de satisfação. "Acabamos com isso."

"Por enquanto," murmurou Elza, ainda olhando ao redor. "Mas a floresta nunca se esquece, e eu temo que possa haver consequências por matar uma de suas guardiãs."

"Que venham," disse Lokan, com um sorriso selvagem. "Estamos prontos para qualquer coisa."

Com a ameaça eliminada, os três guerreiros se prepararam para retornar à vila. Mas no fundo de suas mentes, sabiam que a batalha contra as forças da natureza nunca era tão simples. Algo lhes dizia que essa vitória poderia ter despertado forças muito mais antigas e perigosas.

 

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