Na manhã seguinte, o Refúgio parecia uma comunidade derrotada. O medo de Brutus foi a primeira coisa que Rafael não conseguiu explicar naquela noite. O gigante, capaz de derrubar uma muralha e esmagar veículos com as próprias mãos, havia recuado diante de algo que ninguém conseguia ver. E, se até as criaturas de Victor estavam assustadas, talvez o verdadeiro perigo não estivesse no cerco. Estava debaixo do Refúgio. Rafael passou as horas seguintes observando a fissura que atravessava o pátio. A cada novo tremor, a abertura revelava mais um pedaço da superfície metálica enterrada sob as fundações. Não parecia uma placa colocada ali por acaso. Havia linhas gravadas no metal, formando círculos concêntricos em torno de um símbolo vermelho. Samuel examinou as marcas sem tocar nelas. O aparelho em suas mãos respondia com pulsações regulares, como se reconhecesse alguma coisa antiga. — Isso não fazia parte da estação ferroviária — afirmou Augusto. — Como pode ter certeza? — pergunt...