O carro permaneceu parado durante alguns segundos no meio da estrada. Rafael segurava o volante com tanta força que os dedos começavam a doer. À frente, a estrada parecia vazia. Atrás deles, entre as árvores, dezenas de olhos vermelhos permaneciam imóveis. Nenhuma criatura avançava. Nenhuma emitia som. Era como se todas estivessem esperando. Esperando por ele. — Temos que ir embora — disse Lívia. Rafael olhou para Samuel. — Você consegue fazer alguma coisa com esse aparelho? — Talvez. — Talvez não é uma resposta. Samuel apertou o dispositivo contra o peito. — Se eu tentar interferir no sinal, posso chamar a atenção delas. — E se não fizer nada? — Elas continuarão seguindo você. Davi engoliu em seco. — Então faça alguma coisa. Samuel olhou para o garoto. Depois para Rafael. — Ligue o carro. Rafael não precisou ouvir duas vezes. Girou a chave. O motor demorou alguns segundos para responder. O veículo tremeu, tossiu e finalmente voltou a funcionar. Assim que os faróis acenderam, os olhos ...