O primeiro sinal de que alguma coisa estava errada foi o silêncio. Naquela manhã, a estação central de Santa Aurora deveria estar cheia. Mesmo com os tremores que haviam atingido a cidade durante a madrugada, centenas de pessoas ainda dependiam do metrô para chegar ao trabalho, às escolas e aos hospitais. Mas, pouco depois das oito horas, os trens pararam de circular. As luzes piscaram. Depois, apagaram. Um estrondo percorreu os túneis. E tudo ficou escuro. — Todo mundo para trás! — gritou um funcionário. A voz ecoou pela plataforma. Algumas pessoas começaram a chorar. Outras levantaram os celulares, tentando iluminar o caminho. Havia crianças, idosos, trabalhadores, estudantes. Aproximadamente cento e cinquenta pessoas estavam presas naquela estação. Um trem havia parado entre duas plataformas depois que os trilhos sofreram uma deformação causada por um pequeno desabamento. As portas foram abertas manualmente. Os passageiros saíram e chegaram à plataforma poucos minutos antes de ...