A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 4 - O Primeiro Conflito

 

A tempestade cósmica continuava girando ao redor de Éterion como um organismo furioso, mas apesar do caos crescente, as duas potências humanas não recuaram.

Pelo contrário.

A guerra apenas acelerou.

Frotas Solaris reorganizavam formações entre destroços flamejantes enquanto encouraçados Noxianos avançavam agressivamente através das correntes gravitacionais da nebulosa. Alarmes ecoavam em centenas de pontes de comando ao mesmo tempo.

No centro daquele inferno espacial, Éterion brilhava cada vez mais intensamente.

Os veios dourados do planeta pulsavam como artérias vivas.

Na ponte do transporte Astra-VII, Lyra Seraphis observava os relatórios de combate surgirem diante dela enquanto os últimos civis resgatados da Helios Dawn eram transferidos para setores seguros.

— Motores estabilizados — informou a copiloto. — Ainda podemos alcançar a superfície antes dos Noxianos.

Lyra permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Os sussurros ainda ecoavam em sua mente.

Baixos.

Distantes.

Constantes.

Ela ignorou.

— Coordenadas de descida?

Um holograma do hemisfério norte de Éterion apareceu imediatamente.

Grandes regiões montanhosas brilhavam com depósitos maciços de Nóvium. Tempestades elétricas cobriam oceanos inteiros. E no centro de um enorme continente escuro havia algo estranho.

Uma estrutura.

Artificial.

Parcialmente enterrada.

— Detectamos construções antigas aqui — explicou a copiloto. — Os sensores não conseguem determinar origem.

Lyra aproximou-se da projeção.

A estrutura parecia gigantesca.

— Existe atividade Noxiana perto da área?

— Ainda não.

A capitã assentiu.

— Então é para lá que vamos.

O Astra-VII mergulhou em direção à atmosfera de Éterion.

Outros transportes Solaris seguiram logo atrás.

O céu do planeta abriu-se em enormes tempestades vermelhas quando as primeiras naves atravessaram as nuvens superiores. Descargas elétricas atingiam os escudos constantemente.

Lá embaixo, montanhas negras atravessavam o horizonte como muralhas gigantescas.

Elias Renn observava tudo da ponte da Argo-7.

Seu estado piorava a cada hora.

Veias azuladas surgiam lentamente sob sua pele. Seus olhos às vezes brilhavam involuntariamente quando as ondas energéticas do planeta aumentavam.

Darius permanecia próximo dele.

— Você não deveria estar de pé.

— Não consigo descansar.

Elias segurava a lateral da ponte enquanto sentia uma pressão crescente dentro da mente.

— O planeta está... reagindo.

— Ao quê?

O pesquisador observou os transportes Solaris entrando na atmosfera.

— À invasão.

Subitamente, ele viu algo.

Uma imagem rápida.

Soldados queimando.

Naves caindo.

Pessoas movendo objetos sem tocar neles.

Então a visão desapareceu.

Elias cambaleou.

— O Nóvium está mudando mais gente.

Darius franziu a testa.

— O quê?

— Eu não fui o único.

Antes que pudesse explicar melhor, alarmes explodiram pela ponte.

— Naves Noxianas em aproximação máxima!

Nos painéis, dezenas de transportes negros mergulhavam diretamente atrás das forças Solaris.

O general Kael liderava o ataque pessoalmente.

Dentro da gigantesca nave de desembarque Noxiana Vorak Prime, Kael observava Éterion surgir através da janela frontal.

Relâmpagos iluminavam sua armadura escura.

Ao redor dele, centenas de soldados permaneciam imóveis, preparados para invasão terrestre.

— Distância até superfície? — perguntou.

— Quatro minutos.

Kael observou os dados táticos.

— Solaris chegou primeiro.

— Sim, general.

O rosto dele endureceu.

— Então vamos arrancá-los do planeta.

A nave inteira tremeu quando um raio energético atravessou parte dos escudos.

Mas Kael nem piscou.

— Preparem cápsulas de queda.

No espaço orbital, a primeira batalha total sobre Éterion começou.

Cruzadores Solaris abriram fogo contra a formação Noxiana enquanto canhões gigantescos respondiam imediatamente. Feixes de plasma atravessaram nuvens atmosféricas.

Explosões iluminaram o céu do planeta.

Pela primeira vez na história humana, uma guerra inteira ocorria sobre um mundo desconhecido e aparentemente vivo.

Meteoroides começaram a surgir no meio da tempestade.

Não pequenos fragmentos.

Massas gigantescas de rocha metálica arrancadas dos cinturões próximos pela instabilidade gravitacional.

— Impactos detectados! — gritou uma operadora no Invictus.

Cassian Holt observou horrorizado quando um meteoro colossal atravessou uma fragata Solaris.

A nave explodiu instantaneamente.

Outro fragmento atingiu um destróier Noxiano, esmagando metade do casco antes de atravessá-lo completamente.

O espaço tornou-se ainda mais caótico.

Naves desviavam desesperadamente entre disparos inimigos e rochas gigantescas.

Na superfície de Éterion, o primeiro grupo Solaris finalmente pousou.

As portas do Astra-VII abriram-se em meio a ventos violentos.

Lyra foi a primeira a sair.

O solo parecia pulsar sob suas botas.

Atrás dela, dezenas de soldados Astra avançaram rapidamente formando perímetro defensivo. Drones de reconhecimento começaram a subir pelos céus escuros enquanto outras naves pousavam ao redor.

O lugar parecia impossível.

Montanhas negras brilhavam internamente com linhas douradas de Nóvium. Árvores azuladas erguiam-se em formatos espiralados, como estruturas cristalinas vivas. Partículas luminosas flutuavam pelo ar constantemente.

E havia silêncio.

Silêncio demais.

— Leituras? — perguntou Lyra.

Uma especialista analisou o visor.

— Energia subterrânea absurda. Há depósitos de Nóvium em praticamente toda a região.

Outro soldado apontou para o horizonte.

— Estrutura detectada.

Todos olharam.

Entre as montanhas, parcialmente coberta por névoa vermelha, erguia-se uma construção gigantesca.

Nenhum estilo arquitetônico humano se parecia com aquilo.

Torres curvas emergiam do solo como ossos fossilizados. Partes da estrutura brilhavam em azul profundo. Algumas áreas pareciam ter sido fundidas pelo calor há milhares de anos.

Lyra observava em silêncio.

Então ouviu novamente o sussurro.

Mais claro dessa vez.

"Mais perto..."

Ela fechou os olhos por um segundo.

Quando abriu novamente, um soldado a encarava preocupado.

— Capitã?

— Estou bem.

Mas não estava.

Do outro lado do vale, cápsulas Noxianas começaram a cair dos céus.

Como meteoros negros.

Kael chegara.

As cápsulas esmagaram o solo violentamente enquanto portas explosivas se abriam uma após outra. Soldados Noxianos emergiram imediatamente em formação agressiva.

Kael saiu da cápsula central.

O vento levantava poeira ao redor dele.

Seu olhar encontrou as forças Solaris à distância.

Nenhuma hesitação.

Nenhuma negociação.

Ele ergueu a mão.

— Ataquem.

Os primeiros disparos atravessaram o vale segundos depois.

A guerra terrestre em Éterion começou.

Soldados Solaris buscaram cobertura entre formações rochosas enquanto rajadas vermelhas destruíam partes do terreno ao redor. Os Noxianos avançavam brutalmente, ignorando perdas.

Lyra correu para posição elevada.

— Equipe esquerda, flanqueiem agora! Drones no setor três!

Explosões iluminaram o vale inteiro.

Kael avançava na linha de frente como uma máquina de guerra.

Disparos atingiam sua armadura sem desacelerá-lo.

Ele arrancou um soldado Solaris do chão com uma única mão e o lançou contra uma rocha distante.

Outro tentou atacá-lo pelas costas.

Kael girou instantaneamente e esmagou o capacete do homem contra o joelho.

Sangue espalhou-se pela poeira negra de Éterion.

Lyra observou o general à distância.

— Então é ele...

Um soldado aproximou-se rapidamente.

— Capitã, estão tentando cercar nossa posição!

— Recuem vinte metros. Quero linha defensiva perto da estrutura.

As tropas Solaris começaram a recuar organizadamente.

Mas algo estranho aconteceu no meio do combate.

Um soldado Noxiano atingido por disparos caiu de joelhos próximo a uma formação de Nóvium exposta no chão.

Ele começou a gritar.

Todos ao redor hesitaram.

As pedras próximas começaram a tremer.

Então explodiram para cima.

Fragmentos gigantescos ergueram-se no ar como se fossem puxados por mãos invisíveis.

O soldado abriu os olhos.

Eles brilhavam em azul intenso.

Com um movimento brusco do braço, as rochas foram lançadas contra as forças Solaris.

Três soldados morreram esmagados instantaneamente.

O campo de batalha inteiro congelou por um segundo.

— O que diabos foi isso?! — gritou alguém.

O soldado Noxiano parecia tão assustado quanto os outros.

Ele olhava para as próprias mãos sem compreender.

Então começou a rir.

Uma risada nervosa.

Descontrolada.

As pedras ao redor continuavam flutuando.

Kael observava tudo em silêncio absoluto.

Outro soldado Solaris, escondido atrás de uma formação rochosa, começou a gritar também.

Energia azul surgiu sob sua pele.

Subitamente, uma onda invisível explodiu ao redor dele.

Os Noxianos próximos foram arremessados para trás violentamente.

Lyra arregalou os olhos.

— Não...

O soldado Solaris respirava desesperadamente.

— Eu não toquei em nada! Eu juro!

Objetos metálicos ao redor começaram a vibrar.

Armas ergueram-se poucos centímetros do chão.

Então o homem perdeu controle.

Seu corpo inteiro brilhou intensamente antes de explodir numa descarga energética que queimou tudo num raio de vários metros.

Silêncio.

Apenas o som distante das tempestades permaneceu.

Lyra sentiu o coração acelerar.

O Nóvium estava afetando soldados comuns agora.

Não apenas Elias.

Kael aproximou-se lentamente do cadáver carbonizado do soldado Solaris.

Sua expressão permaneceu fria.

Mas seus olhos analisavam tudo cuidadosamente.

— Continuem avançando — ordenou.

Mesmo enquanto homens começavam a ganhar poderes impossíveis no meio da guerra.

No espaço acima do planeta, a batalha piorava.

Meteoroides atravessavam formações inteiras.

Cruzadores destruídos caíam parcialmente na atmosfera de Éterion como estrelas em chamas.

Cassian Holt observava relatórios desesperadores surgirem sem parar.

— Perdemos mais sete embarcações!

— Os Noxianos romperam o setor orbital leste!

— Tempestade gravitacional aumentando!

Então outra mensagem chegou.

Da Argo-7.

Darius apareceu no holograma imediatamente.

— Almirante, precisamos retirar tropas do planeta agora.

Cassian virou-se irritado.

— Impossível.

— Você não entende. O Nóvium está alterando soldados em campo.

Silêncio breve.

— Explique.

Elias surgiu ao lado de Darius.

Seu rosto parecia pior a cada minuto.

— Éterion reage à presença humana. Quanto mais tempo permanecermos aqui, mais pessoas serão afetadas.

Cassian observou o pesquisador.

— E o que acontece depois?

Elias hesitou.

As vozes voltaram mais fortes naquele instante.

Ele quase podia ouvir algo movendo-se abaixo da superfície do planeta.

— Eu não sei — respondeu honestamente.

A transmissão foi interrompida por um impacto violento.

A Argo-7 girou fora de controle quando um meteoro atravessou parte do casco traseiro.

Alarmes explodiram.

Na ponte do Invictus, Cassian olhou novamente para Éterion.

A guerra já havia começado.

E agora o próprio planeta parecia participar dela.

Na superfície, Lyra liderava retirada parcial das forças Solaris em direção à estrutura antiga.

O combate espalhava-se pelas montanhas.

Mas havia algo pior acontecendo.

Mais soldados estavam mudando.

Um homem Solaris ferido conseguiu erguer destroços metálicos sem tocar neles antes de desmaiar. Outro começou a emitir calor intenso através da pele, derretendo parte da própria armadura.

Os Noxianos sofriam o mesmo.

Alguns enlouqueciam imediatamente após contato com depósitos expostos de Nóvium.

Outros adquiriam habilidades absurdas por poucos minutos antes de morrer de forma horrível.

Kael observava tudo sem demonstrar medo.

Mas internamente compreendia o perigo crescente.

Isso não era apenas uma guerra.

Era algo novo.

Algo impossível de controlar.

Um oficial Noxiano correu até ele.

— General! Detectamos movimento dentro da estrutura antiga!

Kael ergueu os olhos.

As enormes torres curvas brilhavam levemente agora.

Como se tivessem despertado.

— Movimento de quê?

— Não sabemos.

Então veio o som.

Profundo.

Metálico.

Ecoando das profundezas da construção enterrada.

Todos os soldados — Solaris e Noxianos — pararam automaticamente.

O chão começou a tremer.

Pequenos fragmentos de Nóvium espalhados pelo vale começaram a flutuar.

Lyra observou horrorizada.

As linhas douradas nas montanhas estavam pulsando mais rápido.

Muito mais rápido.

Então uma parte da estrutura antiga abriu-se lentamente.

Como uma porta colossal despertando após milhares de anos.

E algo dentro dela emitiu luz azul.


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