A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 14 - O Ataque Invisível
O espaço ao redor de Éterion deixou de obedecer às leis conhecidas.
As tempestades da nebulosa expandiam-se cada vez mais longe do planeta, formando espirais azuladas que atravessavam regiões inteiras da órbita. Interferências tornavam comunicações instáveis. Sistemas de navegação enlouqueciam sem explicação.
E então as naves começaram a desaparecer.
No início, os comandantes acreditaram em sabotagem.
Depois imaginaram emboscadas.
Mas logo ficou claro que algo muito pior estava acontecendo.
A fragata Solaris Vértice-12 sumiu primeiro.
Uma nave de reconhecimento equipada com sensores avançados desapareceu enquanto patrulhava o lado escuro da nebulosa. Nenhum pedido de socorro foi enviado. Nenhuma explosão detectada.
Ela simplesmente deixou de existir nos radares.
Horas depois, duas embarcações Noxianas desapareceram da mesma forma.
Então mais quatro.
Depois nove.
O medo espalhou-se rapidamente pelas frotas.
Dentro do encouraçado Solaris Invictus, o almirante Cassian Holt observava relatórios acumularem-se diante da mesa holográfica.
— Última posição conhecida?
Uma oficial respondeu imediatamente:
— Setor orbital sete. Próximo às distorções da nebulosa.
Cassian fechou o maxilar.
— Enviaram drones?
— Sim.
Ela hesitou.
— Todos desapareceram também.
Silêncio pesado.
Outro oficial aproximou-se rapidamente.
— Senhor... encontramos destroços.
O holograma mudou instantaneamente.
Fragmentos metálicos giravam lentamente no vazio espacial.
Mas aquilo não fazia sentido.
As peças pareciam parcialmente derretidas.
Como se tivessem sido consumidas por energia absurda.
Cassian estreitou os olhos.
— Alguma assinatura de arma?
— Nenhuma.
As luzes da ponte oscilaram brevemente.
Mais interferência.
O almirante respirou fundo.
— Avisem toda frota. Nenhuma nave opera sozinha a partir de agora.
Mas mesmo enquanto dava a ordem, sentia algo que raramente permitia sentir.
Incerteza.
Na frota Noxiana, o clima era ainda pior.
A paranoia espalhava-se pelos corredores do Arauto da Ruína.
Tripulações inteiras evitavam observar as janelas externas. Muitos soldados acreditavam ver movimentos dentro da nebulosa.
Formas gigantescas.
Sombras vivas.
Kael permanecia na ponte principal observando dados instáveis enquanto oficiais tentavam recuperar contato com mais uma embarcação desaparecida.
— Nave de transporte Vorak ainda sem resposta.
Outro oficial interrompeu imediatamente:
— Detectamos algo próximo da última localização dela.
O holograma mostrou uma região escura da nebulosa.
Nada parecia existir ali.
Então a imagem distorceu.
Por apenas um instante, uma gigantesca silhueta azul apareceu no vazio.
Todos na ponte congelaram.
A figura desapareceu imediatamente.
Silêncio absoluto.
Um operador murmurou nervosamente:
— O que foi isso...?
Kael permaneceu imóvel.
As vozes voltaram naquele instante.
"Eles atravessaram."
O general fechou os olhos por um segundo.
As linhas azuladas sob sua pele pulsaram discretamente.
— Aumentem escaneamento quântico.
— Senhor, os sensores não conseguem estabilizar—
— Façam.
Os oficiais obedeceram imediatamente.
Mas já era tarde.
Outro alerta surgiu.
— Contato perdido com estação orbital secundária!
Kael virou-se rapidamente.
— Como assim perdido?
— Simplesmente... desapareceu.
O holograma ampliou a região.
Nada restava da estação.
Nenhum destroço.
Nenhuma explosão.
Apenas vazio.
No planeta, Lyra observava os céus através das tempestades elétricas enquanto soldados Solaris corriam nervosamente entre estruturas parcialmente destruídas.
As comunicações orbitais estavam falhando cada vez mais.
Relatórios contraditórios surgiam a todo instante.
Naves sumindo.
Frotas isoladas.
Sinais impossíveis captados além da nebulosa.
Uma especialista aproximou-se dela.
— Capitã... precisamos ver isso.
Lyra entrou rapidamente no centro de operações.
O monitor principal mostrava gravação captada por drone orbital minutos antes do desaparecimento da Vértice-12.
As imagens tremiam violentamente por causa da interferência.
A nebulosa ocupava quase toda tela.
Então algo surgiu.
Primeiro parecia apenas distorção energética.
Depois tomou forma.
Uma criatura.
Ou algo parecido.
Gigantesca.
Feita de energia azul pulsante.
Sem rosto definido.
Sem estrutura fixa.
A coisa movia-se pelo espaço como fumaça viva.
E então atravessou diretamente a nave Solaris.
A transmissão terminou instantaneamente.
Silêncio absoluto na sala.
Um soldado engoliu seco.
— Isso é impossível.
Lyra observava a gravação sem piscar.
As imagens das visões de Orion retornaram imediatamente à mente dela.
As galáxias destruídas.
A fome.
A entidade.
Talvez aquilo já tivesse começado.
Muito acima da atmosfera de Éterion, a fragata Noxiana Kharon-8 patrulhava silenciosamente os limites externos da nebulosa.
A tripulação inteira estava nervosa.
Os relatos sobre desaparecimentos já circulavam por toda frota.
O capitão Drel observava as leituras dos sensores tentando manter calma.
— Alguma coisa?
— Nada, senhor.
O operador hesitou.
— O vazio parece... errado.
Drel irritou-se imediatamente.
— Errado não é um termo técnico.
O homem abaixou os olhos.
Então os sensores apagaram.
Todas as luzes da ponte tornaram-se azuis.
O silêncio caiu sobre a nave.
Nenhum motor.
Nenhum som mecânico.
Como se o próprio espaço tivesse parado.
Os tripulantes começaram a se entreolhar nervosamente.
— Reiniciem os sistemas!
Ninguém conseguiu responder.
Porque todos olhavam para o mesmo ponto.
Além do vidro principal da ponte.
Algo movia-se na nebulosa.
Lentamente.
A princípio parecia apenas uma sombra gigantesca.
Depois aproximou-se.
E os tripulantes começaram a gritar.
A criatura era colossal.
Feita inteiramente de energia azul líquida e escuridão pulsante. Centenas de olhos brilhavam dentro do corpo amorfo enquanto correntes elétricas atravessavam sua forma instável.
Não existia som.
Mas todos ouviram a voz.
Dentro da cabeça.
"Fome."
Alguns soldados caíram imediatamente de joelhos.
Outros começaram a sangrar pelos olhos.
O capitão Drel tentou ordenar disparos.
As armas não responderam.
A criatura aproximou-se da nave.
E atravessou o casco como se matéria não existisse.
O resultado foi instantâneo.
Os tripulantes começaram a desintegrar-se em partículas azuis.
Gritos ecoaram pela ponte.
Alguns enlouqueceram imediatamente.
Outros simplesmente desapareceram.
A Kharon-8 sumiu dos radares segundos depois.
Na cidade enterrada, Orion permanecia ajoelhado tentando se recuperar das visões.
O corpo inteiro tremia.
As vozes estavam mais fortes do que nunca.
Maelis observava-o com preocupação evidente.
— Você viu o despertar.
Orion ergueu lentamente os olhos.
— Aquilo já está acordando.
As paredes da câmara vibravam constantemente agora.
Pequenos fragmentos caíam do teto.
Nira continuava chorando baixinho num canto da sala.
— Eles estão vindo...
Um dos sobreviventes aproximou-se correndo.
— As criaturas de pedra estão se movendo outra vez!
Outro completou:
— E existem coisas novas nos corredores inferiores.
Maelis fechou os olhos brevemente.
— O selo está falhando rápido demais.
Orion levantou-se com dificuldade.
As imagens da entidade ainda queimavam na mente dele.
— As criaturas no espaço...
Todos olharam imediatamente.
— O quê?
Ele respirou fundo.
— Não são invasores.
Silêncio.
— São fragmentos dele.
As chamas azuis da sala oscilaram violentamente.
Os sobreviventes começaram a murmurar assustados.
Maelis aproximou-se lentamente.
— Tem certeza?
Orion lembrava perfeitamente das visões.
Galáxias destruídas por formas energéticas semelhantes.
— Ele espalha partes de si mesmo.
O medo atravessou a câmara inteira.
Porque aquilo significava apenas uma coisa.
A entidade já estava escapando.
Na órbita de Éterion, o pânico começava a destruir disciplina militar.
Soldados recusavam patrulhas externas.
Pilotos abandonavam postos.
Tripulações inteiras pediam evacuação imediata.
E então veio a pior transmissão.
Uma nave Solaris conseguiu enviar sinal parcial antes de desaparecer.
A gravação espalhou-se rapidamente pelas frotas.
Mostrava corredores internos cobertos por luz azul pulsante.
Tripulantes correndo desesperados.
Gritos.
E sombras atravessando paredes metálicas.
Uma voz repetia constantemente no fundo da transmissão:
"Não olhem para eles."
Depois o vídeo mostrava algo entrando na câmera.
A transmissão terminava imediatamente.
Ninguém conseguiu identificar o que era.
Mas bastou.
O medo transformou-se em terror absoluto.
Dentro do Arauto da Ruína, Kael observava oficiais discutirem retirada emergencial.
— Não conseguimos combater algo que nem aparece nos sensores!
— As tripulações estão entrando em colapso!
— Mais cinco destróieres desapareceram!
Kael permanecia em silêncio.
As vozes continuavam.
Mais claras agora.
"Você conhece a fome."
O general apertou os punhos.
Então lembrou-se do sonho.
A criatura no deserto negro.
"Abra o caminho."
Pela primeira vez, Kael começou a suspeitar de algo terrível.
Talvez o Nóvium nunca tivesse concedido poder.
Talvez estivesse preparando hospedeiros.
Um oficial aproximou-se tremendo.
— General... detectamos múltiplas assinaturas energéticas se aproximando da frota.
Kael ergueu os olhos imediatamente.
O holograma ampliou a nebulosa.
Centenas de pontos azuis surgiam lentamente na escuridão.
Movendo-se rápido.
Muito rápido.
— Sensores não conseguem fixar forma definida!
Outro oficial começou a gritar:
— Eles estão dentro da frota!
As luzes apagaram.
Alarmes explodiram pela nave inteira.
Gritos ecoaram pelos comunicadores.
— Algo atravessou o setor médico!
— Perdemos pressão atmosférica!
— Soldados estão atacando uns aos outros!
Kael ativou imediatamente comunicação geral.
— Todas as unidades recuem da nebulosa!
O silêncio caiu na ponte.
Um oficial olhou para ele incrédulo.
— General... retirada?
Kael encarou a escuridão azul além das janelas.
Mais formas moviam-se dentro dela agora.
Gigantescas.
Observando.
— Temporária.
A ordem espalhou-se rapidamente pela frota Noxiana.
Naves começaram a se afastar de Éterion pela primeira vez desde o início da campanha.
Mas muitas não conseguiram.
Criaturas energéticas surgiam diretamente no vazio espacial atravessando cascos, consumindo sistemas e enlouquecendo tripulações inteiras.
Algumas embarcações explodiam em luz azul antes de desaparecer completamente.
Outras simplesmente paravam de responder.
Na frota Solaris, Cassian Holt observava a retirada Noxiana com incredulidade.
— Kael está fugindo?
Mas então seus próprios sensores enlouqueceram.
Uma gigantesca forma energética surgiu lentamente abaixo do Invictus.
Os olhos do almirante se arregalaram.
A criatura era maior que o encouraçado.
Muito maior.
As luzes da ponte tornaram-se azuis.
E a voz surgiu dentro da mente de toda tripulação.
"Vocês abriram a prisão."
Soldados começaram a gritar.
Alguns arrancavam os próprios capacetes desesperadamente.
Outros caiam inconscientes.
Cassian permaneceu imóvel encarando a entidade além do vidro.
E então percebeu algo pior.
Ela estava olhando diretamente para ele.
Como se o reconhecesse.
Na superfície de Éterion, tempestades explodiam por todos continentes.
As fissuras abertas no planeta tornavam-se maiores.
E muito abaixo da cidade enterrada, o som colossal continuava crescendo.
Mais próximo.
Mais vivo.
Orion observou as profundezas da câmara enquanto as vozes ecoavam sem parar.
"Ele desperta."
Então algo gigantesco golpeou a estrutura subterrânea vindo das profundezas.
A cidade inteira tremeu violentamente.
E pela primeira vez desde o início da guerra...
uma rachadura abriu-se no céu de Éterion.

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