A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 2 — A Chegada
As primeiras imagens da gigantesca presença oculta espalharam-se pelos centros de comando do planeta como uma doença.
Nenhum cientista queria acreditar nos números.
Nenhum matemático desejava validar os cálculos.
Mesmo assim, os dados permaneciam diante deles.
Imutáveis.
A estrutura escondida atrás da frota possuía dimensões absurdas.
Era tão grande que os computadores inicialmente a confundiram com uma anomalia gravitacional.
Somente após centenas de análises independentes surgiu uma conclusão definitiva.
Aquilo era um objeto artificial.
Um objeto tão colossal que desafiava tudo o que a humanidade considerava possível.
O anúncio jamais chegou ao público.
Os governos compreenderam imediatamente que a população já estava próxima do limite psicológico.
Revelar a existência daquela estrutura poderia provocar um colapso global.
Mas o segredo durou apenas quatro dias.
Uma sequência de imagens vazou.
Depois outra.
Em seguida vieram relatórios inteiros.
Quando os jornais divulgaram a notícia, o mundo entrou numa nova fase de medo.
A frota não era o problema.
Era apenas a vanguarda.
A verdadeira incógnita vinha atrás.
E continuava avançando.
Enquanto isso, as naves menores cruzavam a órbita marciana.
A velocidade diminuía progressivamente.
Os especialistas interpretaram aquilo como um sinal positivo.
Uma civilização interessada em destruição provavelmente teria atacado imediatamente.
Em vez disso, os visitantes pareciam observar.
Estudar.
Planejar.
Ou talvez aguardassem o momento certo.
Durante dias inteiros, os telescópios acompanharam cada movimento.
Nenhuma transmissão nova foi enviada.
Nenhuma mensagem adicional foi recebida.
O silêncio começou a parecer mais assustador do que as palavras.
Nas Nações Unidas, uma coalizão internacional foi formada.
Pela primeira vez na história moderna, países rivais compartilharam informações militares sem restrições.
Satélites.
Radares.
Centros de pesquisa.
Tudo foi integrado.
Não porque existisse confiança.
Mas porque não havia alternativa.
Se a humanidade enfrentaria algo vindo das estrelas, enfrentaria junta.
Ou não enfrentaria.
As semanas seguintes foram consumidas por preparativos.
Bases subterrâneas foram ativadas.
Arquivos históricos digitalizados.
Reservas estratégicas protegidas.
Alguns governos iniciaram discretamente planos de continuidade da civilização.
Outros construíram abrigos para líderes e cientistas.
Poucos acreditavam que tais medidas seriam suficientes.
Ainda assim, precisavam tentar.
No céu, a aproximação continuava.
Então, numa manhã chuvosa sobre o Oceano Pacífico, tudo mudou.
Observatórios registraram uma alteração repentina.
Centenas de naves separaram-se da formação principal.
Em seguida, milhares.
Como uma nuvem metálica espalhando-se pelo vazio.
Os cálculos foram refeitos imediatamente.
As trajetórias apontavam para a Terra.
O anúncio oficial ocorreu menos de uma hora depois.
Os visitantes chegariam em breve.
Muito em breve.
O planeta inteiro entrou em estado de alerta.
Aeronaves militares de dezenas de países decolaram.
Frotas navais mudaram de posição.
Sistemas antimísseis foram ativados.
Nada daquilo parecia realmente útil.
Mas a humanidade precisava demonstrar que ainda possuía alguma capacidade de reação.
As horas passaram lentamente.
Pessoas reuniram-se diante de televisores.
Praças ficaram lotadas.
Famílias inteiras observavam o céu.
Esperando.
Quando a noite caiu sobre parte do planeta, os primeiros pontos luminosos tornaram-se visíveis.
No início pareciam estrelas.
Depois tornaram-se riscos brilhantes.
Logo assumiram formas impossíveis.
Milhares.
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