A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 31 — A Queda da Capital

 A notícia chegou primeiro como um rumor.

Depois como uma transmissão truncada.

Por fim, como uma sequência interminável de explosões vistas ao vivo por bilhões de pessoas.

A capital de Solaris estava sob ataque.

Do convés da principal nave de comando da frota unificada, Cassian Holt observava os hologramas em absoluto silêncio. O planeta imperial de Aurea, coração político e econômico de Solaris, aparecia cercado por dezenas de cruzadores identificados como leais ao antigo Conselho Militar.

As imagens mudavam rapidamente.

Canhões orbitais disparando.

Escudos planetários falhando.

Incêndios espalhando-se por bairros inteiros.

O operador respirou fundo.

— Perdemos contato com o Palácio Imperial.

Cassian aproximou-se do mapa.

— Quem iniciou o ataque?

— Frotas do Setor Rubro.

O almirante fechou os olhos por um instante.

Conhecia aqueles comandantes.

Eram os mesmos oficiais que exigiam a execução de Lyra e o retorno imediato da guerra total contra Nox.

A rebelião finalmente começara.

Em Aurea, o céu parecia uma tempestade de fogo.

Milhares de pessoas corriam pelas avenidas enquanto destroços caíam da órbita. Os sistemas automáticos de evacuação tentavam organizar rotas seguras, mas metade da infraestrutura já estava destruída.

Uma família atravessava uma praça lotada quando um clarão iluminou tudo.

O impacto ocorreu a poucos quarteirões.

A onda de choque derrubou centenas de pessoas.

Vidros explodiram.

Alarmes começaram a tocar.

O pai levantou-se imediatamente.

— Corram!

A menina segurava uma pequena flor azul presa ao casaco.

Símbolo improvisado dos novos portadores escolhidos por Éterion.

Ela olhou para o céu.

Cruzadores imperiais disparavam contra a própria capital.

— Por que eles estão fazendo isso?

Ninguém soube responder.

No Arquivo dos Últimos Dias, Lyra observava as transmissões sem conseguir acreditar.

As imagens mostravam bairros inteiros em chamas.

Hospitais atingidos.

Linhas de energia colapsando.

Cassian apareceu por holograma.

Seu rosto estava exausto.

— A situação saiu do controle.

Lyra aproximou-se.

— O imperador?

— Desapareceu.

Silêncio.

— Morto?

Cassian hesitou.

— Não sabemos.

Asterion observava tudo à distância.

Orion sentia as vozes do planeta agitadas.

Milhões de pessoas aterrorizadas.

Milhares morrendo.

A energia azul sob sua pele começou a pulsar.

Lyra respirou profundamente.

— Quantos civis ainda estão presos?

Cassian abriu novos mapas.

— Milhões.

— As frotas rebeldes bloquearam as rotas de evacuação.

Ela não precisou pensar muito.

— Estou indo.

Cassian arregalou os olhos.

— Você é procurada por traição!

— E aquelas pessoas não têm culpa disso.

Orion deu um passo à frente.

— Eu vou junto.

Asterion fechou os olhos por um instante.

— O portal continua crescendo.

— Se vocês saírem agora...

Lyra respondeu calmamente.

— Então segure-o por mais algumas horas.

O antigo Guardião permaneceu em silêncio.

Depois assentiu lentamente.

— Voltem vivos.

Enquanto isso, na capital de Nox, Kael acompanhava os mesmos acontecimentos.

Os relatórios chegavam sem parar.

— Rebeldes controlam setores industriais.

— O Palácio Imperial foi evacuado.

— Parte da frota Solaris mudou de lado.

Draven aproximou-se.

— Devemos aproveitar.

Kael voltou-se lentamente.

— Aproveitar o quê?

— Solaris está desmoronando.

— Podemos atacar agora e—

— Não.

A palavra cortou o salão.

Kael aproximou-se da enorme janela que mostrava a cidade negra de Nox.

Lembrou-se das colônias destruídas.

Dos refugiados.

Do portal.

Do Fim Azul.

— Se Aurea cair, milhões morrem.

Draven hesitou.

— Eles são nossos inimigos.

Kael respondeu sem alterar a voz.

— Não mais.

O general ativou um canal secreto.

Apenas alguns oficiais receberam a transmissão.

— Preparem os transportes médicos.

— Enviem unidades de evacuação.

— Nenhuma identificação Noxiana.

Os oficiais trocaram olhares surpresos.

— Senhor, isso é ajuda humanitária.

Kael assentiu.

— Exatamente.

Aurea mergulhava cada vez mais no caos.

Os rebeldes haviam tomado bairros inteiros.

Muitos acreditavam estar libertando o império da lei marcial.

Outros apenas saqueavam o que podiam.

As forças leais ao governo lutavam sem coordenação.

Ninguém sabia quem comandava.

No centro da cidade, a enorme torre do Senado ardia como uma tocha.

Um grupo de civis tentava alcançar os túneis de evacuação quando homens armados bloquearam a passagem.

— Voltem!

— Os abrigos são para pessoal autorizado!

A multidão começou a empurrar os portões.

Os guardas ergueram as armas.

Então uma onda azul atravessou a rua.

As armas foram arrancadas das mãos deles.

Todos olharam para cima.

Uma pequena nave acabava de pousar entre os destroços.

A escotilha abriu-se.

Lyra saiu primeiro.

Mesmo coberta por poeira e usando roupas civis, foi reconhecida imediatamente.

— É ela!

Murmúrios espalharam-se pela multidão.

— A capitã traidora.

— A mulher de Éterion.

— A que salvou os refugiados.

Orion apareceu logo atrás dela.

As pessoas ficaram em silêncio.

A luz azul sob sua pele era impossível de esconder.

Lyra ignorou os olhares.

— Abram os abrigos.

O comandante local hesitou.

— Tenho ordens—

Ela aproximou-se.

— Milhares morrerão lá fora.

O homem observou a multidão.

Depois baixou lentamente a cabeça.

Os portões se abriram.

As pessoas começaram a entrar correndo.

Uma mulher parou diante de Lyra.

— Pensei que tivesse nos abandonado.

Lyra respondeu apenas:

— Eu voltei.

As próximas horas transformaram a fugitiva mais procurada de Solaris na principal organizadora da evacuação da capital.

Usando antigos códigos militares, ela reativou redes de emergência.

Convocou médicos.

Redistribuiu energia.

Abriu rotas subterrâneas esquecidas.

Até oficiais que antes a chamavam de traidora começaram a obedecer suas ordens.

Porque ela era a única pessoa agindo como comandante.

Orion percorreu os bairros destruídos ajudando sobreviventes.

Seu controle sobre a energia azul melhorara depois do colapso no Arquivo.

Ainda era instável.

Mas suficiente para erguer escombros.

Conter incêndios.

Criar pequenas barreiras protetoras.

As pessoas começaram a segui-lo pelas ruas.

Não por adoração.

Mas porque se sentiam seguras perto dele.

Em um hospital parcialmente destruído, médicos tentavam retirar pacientes presos.

As vigas estavam prestes a desabar.

Orion aproximou-se.

As linhas azuis em seus braços iluminaram-se.

O metal inteiro levantou lentamente.

Os médicos retiraram os feridos enquanto ele sustentava toneladas de concreto acima da cabeça.

Uma enfermeira chorava.

— Obrigada...

Ele sorriu com dificuldade.

— Levem todos.

Quando o último paciente saiu, a estrutura desabou atrás dele.

Milhares de pessoas assistiram à cena.

As transmissões espalharam-se imediatamente.

O Portador Azul estava na capital.

Na órbita de Aurea, a situação piorava.

Os rebeldes controlavam metade das plataformas de defesa.

Cassian lutava para impedir que os cruzadores bombardeassem o planeta.

— Eles estão mirando os setores civis!

O oficial de armas respondeu:

— Não conseguimos derrubar todos os mísseis.

Subitamente novos sinais apareceram nos sensores.

Dezenas de naves desconhecidas emergiam da dobra.

Cassian levou a mão à arma.

— Identificação?

O operador franziu a testa.

— Nenhuma.

As naves aproximaram-se rapidamente.

Não abriram fogo.

Em vez disso, lançaram centenas de cápsulas de resgate em direção à superfície.

Outra transmissão surgiu.

Voz distorcida.

— Aqui Grupo Humanitário Sete.

— Viemos auxiliar evacuação civil.

Cassian estreitou os olhos.

Os códigos estavam mascarados.

Mas reconheceu imediatamente o padrão das formações.

Nox.

Kael enviara ajuda escondido.

O almirante sorriu discretamente.

— Permitam entrada.

Na superfície, Lyra recebeu a notícia minutos depois.

— Transportes desconhecidos pousando nos setores leste.

Ela correu para o centro de comando improvisado.

As imagens mostravam médicos desembarcando.

Engenheiros montando abrigos.

Drones distribuindo suprimentos.

Tudo sem qualquer símbolo militar.

Orion aproximou-se.

— São de Nox?

Ela observou as formações.

Depois sorriu pela primeira vez em dias.

— Sim.

Um pequeno terminal piscou.

Mensagem criptografada.

Apenas uma linha.

"Considere isso parte do pacto."

Lyra fechou o arquivo em silêncio.

Mas nem todos viam aquilo como esperança.

Nos corredores escuros de uma estação rebelde, um oficial observava as transmissões de Lyra trabalhando ao lado de equipes secretamente enviadas por Nox.

Ele desligou a tela.

— Então os rumores eram verdadeiros.

Outro homem perguntou:

— O que fazemos?

O oficial sorriu friamente.

— Contem para todos.

Poucas horas depois, novas mensagens começaram a circular pela cidade.

"Dizem que Lyra trouxe soldados Noxianos para ocupar Aurea."

"Dizem que Kael controla o Portador Azul."

"Dizem que o império foi vendido ao inimigo."

O caos alimentava qualquer mentira.

Multidões furiosas começaram a procurar "infiltrados".

Voluntários foram agredidos.

Médicos acusados de espionagem.

A desconfiança espalhava-se tão rápido quanto o fogo.

Lyra percebeu tarde demais.

Um grupo armado cercou um centro de evacuação.

— Onde estão os noxianos?!

Os voluntários tentaram explicar.

Ninguém ouviu.

Orion deu um passo à frente.

A energia azul brilhou em seus olhos.

— Eles estão salvando vocês.

O líder do grupo apontou uma arma.

— Cala a boca, monstro!

O ar ficou pesado.

Por um instante, todos sentiram a energia de Orion crescer perigosamente.

As janelas vibraram.

O chão rachou levemente.

Ele fechou os olhos.

Respirou fundo.

A luz diminuiu.

— Não vou lutar contra pessoas assustadas.

O homem hesitou.

Depois baixou lentamente a arma.

A multidão começou a dispersar.

Lyra observou Orion com preocupação.

Seu controle ainda era frágil.

Muito frágil.

E a tempestade vermelha continuava caindo sobre Aurea.

Ao longe, o céu noturno iluminou-se novamente com explosões orbitais, enquanto uma nova transmissão de emergência surgia nos terminais:

— Setor central perdido. — Rebeldes avançando para o distrito do Palácio. — Todas as unidades disponíveis respondam imediatamente.

Lyra olhou para o mapa da cidade.

Se o distrito central caísse, milhões de pessoas ficariam sem energia, água e rotas de evacuação.

Ela pegou o comunicador.

— Reúnam todos os voluntários.

Orion perguntou:

— Vamos para o centro?

Ela assentiu.

— A queda da capital ainda não terminou.


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