A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 13 — O Ataque à Lua


 Os dias seguintes foram marcados por um silêncio incomum.

Depois da reorganização da resistência e da aproximação definitiva entre humanos e Guardiões, os grandes ataques alienígenas diminuíram de intensidade. Patrulhas ainda atravessavam cidades devastadas, torres continuavam espalhando seus campos energéticos sobre regiões inteiras e pequenas colônias inimigas permaneciam ativas, mas a violência constante que definira os primeiros meses da invasão parecia ter cedido lugar a uma calma inquietante.

Atlas não confiava naquele silêncio.

Em praticamente todos os conflitos registrados na história humana, momentos de aparente tranquilidade precediam mudanças estratégicas importantes.

Seus modelos estatísticos apontavam exatamente nessa direção.

Enquanto isso, observatórios espalhados pelos poucos continentes ainda organizados continuavam monitorando o espaço.

Desde a aparição do general alienígena, centenas de telescópios permaneciam voltados para a gigantesca estrutura que orbitava acima da Terra.

Os astrônomos buscavam qualquer alteração.

Qualquer deslocamento.

Qualquer sinal.

Na madrugada do sexto dia, encontraram algo.

A doutora Helena foi acordada às pressas.

Quando entrou na sala de observação, dezenas de projeções ocupavam o ambiente.

Um jovem astrônomo ampliou uma das imagens.

— Isso apareceu há pouco mais de quarenta minutos.

Helena aproximou-se.

Ao redor da Lua surgiam pequenos pontos luminosos.

Inicialmente pareciam satélites.

Depois começaram a se multiplicar.

Os computadores calcularam suas trajetórias.

Nenhum deles seguia em direção à Terra.

Todos convergiam para a superfície lunar.

Atlas chegou poucos minutos depois.

Seus sensores processaram rapidamente as imagens.

— Construção identificada.

Helena voltou-se para ele.

— Você também acha?

— Probabilidade superior a noventa e nove por cento.

Os alienígenas estavam edificando alguma estrutura na Lua.

Nas horas seguintes, novos registros confirmaram a hipótese.

Enormes módulos eram transportados do espaço profundo.

Peças gigantescas encaixavam-se sobre antigas crateras.

Campos energéticos começaram a envolver regiões inteiras da superfície.

Era uma obra monumental.

E acontecia numa velocidade impossível para qualquer tecnologia humana.

O Conselho Mundial reuniu-se imediatamente.

As opiniões dividiram-se.

Alguns defendiam aguardar.

Outros propunham atacar antes que a construção fosse concluída.

Helena apresentou uma preocupação.

— Se essa base ficar operacional, perderemos completamente o controle do espaço próximo à Terra.

Atlas acrescentou.

— Capacidade logística inimiga aumentará significativamente.

Depois de horas de discussão, uma decisão foi tomada.

Uma missão seria enviada.

Não para conquistar a instalação.

Mas para destruí-la antes de sua conclusão.

A operação parecia quase impossível.

A humanidade possuía poucas naves capazes de deixar a atmosfera.

Grande parte da antiga infraestrutura espacial fora destruída durante os primeiros ataques.

Mesmo assim, engenheiros conseguiram adaptar antigos veículos experimentais combinando tecnologia terrestre com componentes alienígenas recuperados nas últimas batalhas.

Durante semanas, as equipes trabalharam sem descanso.

Motores foram reconstruídos.

Blindagens reforçadas.

Sistemas de navegação completamente reprogramados.

Quando o primeiro veículo ficou pronto, ninguém comemorou.

Todos compreendiam que aquela missão possuía poucas chances de retorno.

Atlas seria o comandante.

Ao seu lado seguiriam oito Guardiões, doze soldados especializados e quatro cientistas.

Entre eles, Helena insistiu em participar.

O Conselho recusou inicialmente.

Ela respondeu apenas:

— Se encontrarmos tecnologia desconhecida, alguém precisa compreendê-la imediatamente.

Depois de muita resistência, sua presença foi autorizada.

Na manhã da partida, centenas de sobreviventes reuniram-se ao redor da plataforma subterrânea.

Não havia música.

Nem discursos.

Apenas silêncio.

As portas da nave fecharam-se lentamente.

Atlas ocupou a posição central.

Enquanto os motores iniciavam a sequência de ignição, observou discretamente o desenho feito pela pequena menina semanas antes.

Continuava guardado em seu compartimento interno.

Seus processadores registraram novamente uma alteração impossível de explicar.

Aumento da estabilidade emocional.

A expressão não existia em sua programação original.

Mesmo assim, parecia adequada.

A contagem regressiva terminou.

A nave atravessou os túneis subterrâneos e emergiu para o céu pela primeira vez em muitos meses.

Logo abaixo, a Terra mostrava cicatrizes profundas.

Continentes marcados por crateras.

Regiões inteiras envolvidas pelas torres alienígenas.

Oceanos refletindo gigantescas estruturas orbitais.

Helena observava tudo pela pequena janela lateral.

Jamais imaginara ver o próprio planeta naquela condição.

Pouco depois romperam a atmosfera.

O espaço revelou um cenário ainda mais impressionante.

Fragmentos de antigos satélites espalhavam-se por todas as direções.

Restos de estações espaciais cruzavam lentamente a órbita.

Entre eles moviam-se enormes embarcações alienígenas.

Felizmente, a nave utilizava um sistema de ocultação baseado em tecnologia recuperada da cidade subterrânea.

As leituras inimigas permaneceram silenciosas.

A viagem prosseguiu.

Durante quase vinte horas navegaram utilizando trajetórias pouco convencionais.

Atlas evitava cuidadosamente qualquer aproximação das patrulhas alienígenas.

Quando finalmente alcançaram a órbita lunar, todos permaneceram sem palavras.

A construção era muito maior do que imaginavam.

Enormes pilares elevavam-se acima da superfície.

Anéis metálicos giravam lentamente ao redor de uma estrutura central.

Centenas de veículos trabalhavam continuamente.

Era menos uma base militar.

Mais uma cidade.

Ou um estaleiro.

Helena ampliou as imagens.

— Eles estão fabricando alguma coisa.

Atlas confirmou.

— Múltiplas linhas industriais identificadas.

O grupo pousou a dezenas de quilômetros da instalação principal.

A região escolhida permanecia oculta pelas sombras de uma antiga cratera.

Os Guardiões desembarcaram primeiro.

A baixa gravidade alterava significativamente seus movimentos.

Mesmo assim, adaptaram-se rapidamente.

Os soldados humanos utilizaram exoesqueletos especialmente preparados para aquele ambiente.

A marcha começou.

Durante horas atravessaram vales silenciosos iluminados apenas pelo brilho distante da Terra.

Nenhum som.

Nenhum vento.

Apenas o ruído dos próprios sistemas de suporte à vida.

Quando alcançaram a primeira linha externa da instalação, Atlas ordenou parada imediata.

Pequenos veículos patrulhavam a região.

Mas não eram pilotados por alienígenas.

Helena aproximou o zoom de seu capacete.

— São máquinas.

Atlas observou atentamente.

Os robôs possuíam quatro membros articulados.

Corpos extremamente compactos.

Nenhuma característica biológica.

Era a primeira vez que encontravam unidades totalmente mecânicas produzidas pelos invasores.

Os Guardiões aguardaram pacientemente.

Assim que a patrulha afastou-se, infiltraram-se pela periferia da base.

Tudo parecia automatizado.

Braços industriais deslocavam enormes blocos metálicos.

Drones transportavam cristais energéticos.

Centenas de máquinas trabalhavam sem qualquer supervisão visível.

Atlas percebeu imediatamente.

Os alienígenas confiavam plenamente na automação.

Talvez porque acreditassem que nenhum humano conseguiria chegar até ali.

Enquanto avançavam, Helena registrava continuamente todas as estruturas.

Alguns edifícios lembravam a cidade subterrânea encontrada na Terra.

Outros possuíam arquitetura completamente diferente.

Mais antiga.

Mais monumental.

Como se diferentes épocas tecnológicas coexistissem naquele mesmo lugar.

Pouco antes de alcançarem o centro industrial, um dos Guardiões interrompeu a marcha.

— Movimento.

Instantaneamente todos assumiram posições defensivas.

Das sombras surgiram dezenas de máquinas humanoides.

Muito maiores do que as patrulhas anteriores.

Blindagem negra.

Olhos vermelhos.

Cada unidade carregava armas integradas aos próprios braços.

Atlas identificou imediatamente.

— Combate iminente.

As máquinas atacaram sem qualquer aviso.

Os primeiros disparos atravessaram a superfície lunar produzindo pequenas explosões de poeira prateada.

Os Guardiões responderam imediatamente.

A batalha espalhou-se pelas plataformas industriais.

Robôs alienígenas moviam-se com velocidade impressionante.

Diferentemente das criaturas biológicas, não hesitavam.

Não recuavam.

Continuavam avançando mesmo seriamente danificados.

Atlas enfrentou diretamente a maior das unidades.

Os golpes faziam placas metálicas espalharem-se pelo solo.

Durante vários minutos nenhum dos dois conseguiu vantagem significativa.

Enquanto isso, soldados humanos protegiam os cientistas.

Helena utilizava pequenos drones para mapear a instalação durante o combate.

Foi então que percebeu uma construção parcialmente escondida sob o complexo principal.

Não aparecia nos mapas externos.

Parecia muito mais antiga do que o restante da base.

Ela comunicou imediatamente Atlas.

— Existe outra estrutura abaixo de nós.

O androide eliminou finalmente seu adversário utilizando uma lâmina energética improvisada.

Depois aproximou-se rapidamente.

A entrada subterrânea encontrava-se protegida por uma pesada porta circular.

Mas, novamente, o símbolo encontrado na cidade perdida aparecia gravado em sua superfície.

Atlas colocou a mão sobre o centro do mecanismo.

Durante alguns segundos nada aconteceu.

Então toda a estrutura vibrou.

As travas liberaram-se lentamente.

Helena observou surpresa.

— Outra vez...

A porta abriu.

No interior havia um corredor completamente diferente da base industrial.

As paredes apresentavam os mesmos cristais azulados encontrados na antiga cidade terrestre.

Era evidente que aquela construção existia muito antes da chegada recente dos alienígenas.

O grupo entrou rapidamente.

Atrás deles, a batalha continuava.

Os sons desapareciam à medida que avançavam pelos túneis.

No final do corredor encontraram uma pequena sala circular.

No centro havia apenas um pedestal cristalino.

Nenhuma arma.

Nenhum equipamento.

Somente um dispositivo holográfico aparentemente adormecido.

Atlas aproximou-se.

Assim que seus sensores entraram em contato com o pedestal, a sala inteira iluminou-se.

Uma projeção gigantesca surgiu acima deles.

Mostrava o Sistema Solar visto do espaço.

Helena observou atentamente.

A imagem começou a ampliar.

Primeiro a Terra.

Depois a Lua.

Em seguida apareceu algo inesperado.

Linhas luminosas ligavam diversos pontos do Sistema Solar.

Marte.

Europa.

Titã.

Mercúrio.

Objetos espalhados por quase todos os planetas.

Como uma imensa rede.

Os pesquisadores prenderam a respiração.

Não eram bases militares.

Nem colônias.

Pareciam marcadores.

Locais específicos cuidadosamente destacados.

Então novas imagens começaram a surgir.

Representavam enormes estruturas circulares escondidas sob a superfície desses mundos.

Muito semelhantes à cidade subterrânea encontrada na Terra.

Muito semelhantes à instalação onde agora estavam.

Helena sentiu um arrepio.

Os alienígenas não estavam construindo uma nova rede.

Estavam redescobrindo uma muito mais antiga.

Antes que pudesse formular qualquer conclusão, novas inscrições apareceram ao redor da projeção.

O tradutor automático demorou vários segundos para interpretar parte do texto.

Quando finalmente conseguiu converter os primeiros símbolos, todos permaneceram imóveis.

A mensagem não era destinada aos alienígenas.

Nem aos humanos.

Era um aviso deixado para quem encontrasse aquela instalação.

E suas primeiras palavras alteravam novamente toda a compreensão da guerra.

"Se esta mensagem foi ativada, significa que o selo começou a falhar."

O restante da gravação ainda permanecia bloqueado por sistemas de criptografia muito superiores aos disponíveis.

Mas uma única frase já bastava para indicar que aquilo que os invasores procuravam não era simplesmente um planeta.

Nem uma arma.

Nem uma civilização perdida.

Eles buscavam algo que havia sido deliberadamente selado em algum lugar do Sistema Solar.

E alguém, milhões de anos antes, esperava que um dia esse selo deixasse de existir.

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