A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 15 — A Queda das Capitais
O retorno da missão lunar aconteceu sob um céu silencioso.
A nave atravessou lentamente a atmosfera terrestre enquanto centenas de radares acompanhavam sua descida. Os sobreviventes da expedição traziam muito mais do que registros científicos. Carregavam uma verdade capaz de alterar completamente a compreensão da guerra.
Entretanto, não houve tempo para apresentar todas as descobertas.
Antes mesmo que a nave pousasse, sirenes ecoaram por todas as instalações militares restantes.
Os painéis de emergência acenderam simultaneamente.
Helena correu até o centro de comunicações.
As telas exibiam dezenas de pontos vermelhos espalhando-se rapidamente pelo planeta.
Não eram os movimentos habituais das tropas alienígenas.
Tratava-se de uma ofensiva coordenada.
Atlas analisou os mapas em silêncio.
Milhares de cálculos eram atualizados a cada segundo.
— Ataque global confirmado.
Um operador aproximou-se desesperado.
— Eles estão avançando em todos os continentes.
As imagens começaram a chegar.
Primeiro vieram registros orbitais.
Depois transmissões de satélites sobreviventes.
Em seguida apareceram vídeos enviados por civis.
Gigantescas embarcações alienígenas desciam sobre as maiores cidades ainda habitadas.
Até então, muitas capitais haviam permanecido relativamente preservadas graças às linhas defensivas estabelecidas pelos Guardiões.
Agora, todas eram atacadas ao mesmo tempo.
A resistência compreendeu imediatamente.
O inimigo mudara de estratégia.
Não pretendia mais conquistar lentamente.
Pretendia quebrar definitivamente a capacidade de organização humana.
A primeira grande explosão ocorreu sobre Nova Délhi.
Enormes colunas de energia azul atravessaram a atmosfera.
Escudos construídos meses antes desapareceram em poucos segundos.
As linhas defensivas ruíram.
Milhões de pessoas iniciaram uma fuga desesperada.
Logo depois vieram ataques sobre Lagos.
Buenos Aires.
Istambul.
Vancouver.
Cidade do Cabo.
Nenhuma região escapava.
As gigantescas estruturas orbitais liberavam continuamente novas formações de combate.
Mas havia algo diferente.
Entre elas surgiam enormes máquinas jamais vistas.
Cada uma possuía centenas de metros de altura.
Deslocavam-se lentamente.
Por onde passavam, edifícios inteiros dobravam-se como se fossem feitos de papel.
Helena ampliou uma das imagens.
— Não estão usando armas convencionais.
Atlas confirmou.
— Manipulação gravitacional.
Os novos equipamentos alteravam a gravidade ao redor das cidades.
Pontes desabavam.
Arranha-céus afundavam.
Veículos eram esmagados sem qualquer explosão.
A destruição parecia acontecer naturalmente.
Como se o próprio planeta rejeitasse aquelas construções.
O Conselho Mundial entrou imediatamente em estado máximo de emergência.
Todas as reservas militares foram mobilizadas.
Entretanto, a situação tornava-se rapidamente insustentável.
As linhas de comunicação começavam a desaparecer.
Centrais elétricas eram destruídas.
Centros logísticos deixavam de responder.
Durante meses a humanidade construíra lentamente uma rede mundial de resistência.
Agora ela se desfazia diante daquela nova ofensiva.
Atlas reuniu imediatamente os comandantes dos Guardiões.
Os mapas holográficos mostravam dezenas de regiões em colapso.
Não existiam tropas suficientes para proteger todas elas.
Era necessário escolher.
Helena observava em silêncio.
Sabia exatamente o peso daquela decisão.
Atlas iniciou seus cálculos.
Probabilidades.
Distâncias.
Quantidade de civis.
Tempo necessário para evacuação.
Nenhuma solução salvava todos.
Após alguns segundos, tomou sua decisão.
— Prioridade máxima.
Novos marcadores apareceram sobre os mapas.
Não indicavam bases militares.
Nem centros industriais.
Mostravam concentrações populacionais.
Abrigos.
Hospitais.
Corredores de evacuação.
Um coronel discordou imediatamente.
— Devemos defender nossas posições estratégicas.
Atlas respondeu calmamente.
— Sem população, posições estratégicas tornam-se irrelevantes.
Alguns oficiais permaneceram em silêncio.
Outros concordaram discretamente.
No final, o plano foi aprovado.
Os Guardiões dividiram-se em pequenos grupos espalhados pelos continentes.
Sua missão deixava de ser destruir o inimigo.
Agora deveriam ganhar tempo.
Tempo suficiente para retirar milhões de pessoas das cidades condenadas.
As primeiras evacuações começaram poucas horas depois.
Em Seul, milhares de famílias atravessavam túneis subterrâneos enquanto três Guardiões enfrentavam uma máquina gravitacional praticamente sozinhos.
Em Buenos Aires, soldados humanos e androides utilizavam antigos trens para transportar refugiados.
Na região do Mediterrâneo, embarcações improvisadas cruzavam continuamente o mar levando sobreviventes para antigas ilhas transformadas em fortalezas.
Atlas deslocava-se de um combate para outro.
Nenhuma pausa.
Nenhum descanso.
Seus sistemas acumulavam danos sucessivos.
Mesmo assim, continuava avançando.
Durante uma batalha nos arredores de Berlim, uma gigantesca máquina alienígena rompeu todas as linhas defensivas.
Milhares de civis ainda permaneciam presos.
Atlas posicionou-se sozinho diante da criatura.
Os sensores calcularam apenas quatro por cento de probabilidade de sucesso.
Ele avançou mesmo assim.
Os impactos faziam o solo estremecer.
A máquina possuía força muito superior.
Cada golpe destruía edifícios inteiros.
Atlas utilizava velocidade e precisão para compensar a diferença.
Enquanto atraía toda a atenção do inimigo, centenas de ônibus atravessavam discretamente os corredores de evacuação.
Quando o último veículo deixou a região, Helena enviou uma mensagem.
— Todos os civis foram retirados.
Atlas respondeu apenas.
— Objetivo concluído.
Logo depois lançou-se contra o núcleo energético da máquina.
A explosão iluminou toda a cidade.
Os dois desapareceram sob uma gigantesca nuvem de destroços.
Minutos depois, Atlas emergiu lentamente entre os escombros.
Sua armadura apresentava novos danos.
Mas continuava operacional.
Situações semelhantes repetiam-se em praticamente todos os continentes.
Os Guardiões sacrificavam posições para salvar pessoas.
Pouco a pouco, os próprios soldados humanos começaram a imitá-los.
As antigas disputas por território deixavam de existir.
O foco agora era preservar vidas.
Entretanto, o custo tornava-se enorme.
As perdas acumulavam-se diariamente.
Diversas bases subterrâneas foram descobertas.
Laboratórios precisaram ser abandonados.
Armazéns inteiros de suprimentos foram destruídos antes que pudessem ser evacuados.
A resistência perdia lentamente sua infraestrutura.
Em uma semana, quase quarenta por cento do território anteriormente controlado pelos humanos caiu novamente sob domínio alienígena.
Os mapas atualizados mostravam enormes regiões completamente isoladas.
Pequenas comunidades permaneciam cercadas.
Centenas de grupos de sobreviventes deixavam de responder.
Helena passava noites inteiras tentando restabelecer comunicações.
Muitas vezes conseguia.
Em outras apenas encontrava silêncio.
Mesmo diante daquele cenário, algo inesperado começou a acontecer.
As transmissões enviadas pelos Guardiões durante os resgates espalharam-se rapidamente entre os sobreviventes.
Vídeos mostravam androides carregando idosos.
Protegendo crianças.
Reparando hospitais sob bombardeio.
Compartilhando alimentos.
As antigas desconfianças desapareceram quase completamente.
Em diversas cidades, civis passaram espontaneamente a ajudar as unidades mecânicas.
Ofereciam informações.
Construíam barricadas.
Reparavam equipamentos.
A resistência deixava definitivamente de ser dividida entre humanos e máquinas.
Tornava-se uma única comunidade.
Durante uma evacuação na região dos Andes, Atlas encontrou novamente a menina que lhe entregara um desenho semanas antes.
Ela segurava firmemente a mão da mãe enquanto caminhava para um abrigo.
Ao reconhecê-lo, sorriu.
Retirou do bolso outro pequeno papel.
— Fiz outro.
Atlas recebeu cuidadosamente o novo desenho.
Agora apareciam vários Guardiões ao lado de pessoas comuns.
Todos caminhando na mesma direção.
A criança apontou para a imagem.
— Agora vocês não estão mais sozinhos.
O androide permaneceu alguns segundos observando o papel.
Depois armazenou-o ao lado do primeiro.
Helena acompanhava a cena através da transmissão.
Sem perceber, sorriu discretamente.
Enquanto isso, muito acima da atmosfera, novas movimentações chamavam atenção dos observatórios.
As enormes estruturas alienígenas mudavam lentamente de posição.
Não pareciam preparar outro ataque direto.
Formavam uma gigantesca configuração geométrica ao redor da Terra.
Os astrônomos analisaram durante horas.
Depois enviaram os resultados a Atlas.
Ele observou atentamente.
As linhas desenhadas pelas naves coincidiam parcialmente com os antigos mapas encontrados na instalação lunar.
Helena aproximou-se.
— Eles estão alinhando alguma coisa.
Atlas confirmou.
— Relação com o selo identificada.
A frase provocou silêncio absoluto.
Se os alienígenas reorganizavam suas forças segundo aquele antigo mapa, significava que a ofensiva sobre as cidades talvez fosse apenas uma distração.
O verdadeiro objetivo permanecia oculto.
Atlas reuniu imediatamente os principais comandantes da resistência.
Pela primeira vez desde o início da guerra, não apresentou apenas relatórios defensivos.
Projetou o Sistema Solar.
Depois ampliou as imagens obtidas na Lua.
Finalmente mostrou a atual posição da frota inimiga.
As correspondências eram evidentes.
Todos compreenderam.
O inimigo aproximava-se rapidamente da conclusão de seu verdadeiro plano.
— Se continuarmos apenas reagindo...
Atlas interrompeu a própria frase por alguns segundos.
— Perderemos a iniciativa definitivamente.
Helena cruzou os braços.
— Então o que propõe?
O androide voltou os sensores para o holograma.
Milhões de simulações eram executadas simultaneamente.
Cada uma testava rotas diferentes.
Objetivos distintos.
Combinações inéditas entre tecnologia humana, conhecimento ancestral e capacidades dos Guardiões.
Pela primeira vez desde a chegada dos invasores, seus cálculos indicavam uma pequena possibilidade de inverter o rumo da guerra.
Era mínima.
Inferior a seis por cento.
Mesmo assim, existia.
Atlas ampliou lentamente uma região específica do espaço entre a Terra e a Lua.
Os comandantes observaram em silêncio.
Ali encontrava-se um ponto aparentemente vazio.
Sem bases conhecidas.
Sem naves.
Sem qualquer atividade visível.
Mas os antigos mapas dos criadores marcavam exatamente aquele local como uma das posições mais importantes de toda a rede construída milhares de anos antes.
Atlas olhou para Helena.
Depois para os demais oficiais.
Sua voz permaneceu firme.
— É hora de deixarmos de apenas sobreviver.
Nova pausa.
— Prepararemos um contra-ataque.
Ninguém respondeu imediatamente.
Todos percebiam que aquela decisão alteraria completamente o rumo da guerra.
Enquanto isso, muito além da órbita terrestre, nas profundezas escuras do espaço, uma colossal estrutura desconhecida começou lentamente a despertar, respondendo ao mesmo alinhamento energético observado pelos antigos criadores, como se aguardasse havia incontáveis milênios o exato momento em que a humanidade finalmente decidisse lutar pelo destino de todo o Sistema Solar.
.png)
Comentários
Postar um comentário