A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 21 — A Batalha no Espaço Profundo
A gigantesca estrutura que emergira do cruzador alienígena permaneceu imóvel durante vários segundos, girando lentamente sobre o vazio entre a Terra e a Lua. Seu casco não lembrava uma nave convencional. Era formado por anéis concêntricos que se moviam em direções opostas, enquanto centenas de filamentos luminosos percorriam sua superfície como se fossem veias transportando energia viva.
Toda a frota humana interrompeu o avanço.
Mesmo os pilotos mais experientes jamais haviam visto algo semelhante.
Nos centros de comando da última cidade livre, o silêncio dominou a sala de operações.
Helena observava os dados chegando de todos os sensores disponíveis.
Nenhum equipamento conseguia determinar exatamente a função daquela construção.
Os instrumentos apenas registravam uma concentração crescente de energia.
Atlas analisava milhões de possibilidades simultaneamente.
As leituras coincidiam parcialmente com as anomalias gravitacionais detectadas meses antes nas regiões exteriores do Sistema Solar.
Também lembravam os registros antigos encontrados na nave ancestral.
Era como se diferentes peças de uma mesma tecnologia finalmente começassem a aparecer diante dele.
As naves alienígenas reorganizaram imediatamente suas posições.
Abandonaram momentaneamente o ataque direto.
Passaram a proteger a nova estrutura.
Atlas compreendeu que aquele objeto possuía enorme importância estratégica.
Transmitiu novas ordens para toda a frota.
As embarcações humanas dividiram-se em pequenos grupos de combate.
Cada esquadrão recebeu uma missão específica.
Os pilotos humanos concentrariam fogo sobre os caças inimigos.
Os Guardiões assumiriam as operações mais arriscadas.
Nenhum comandante contestou.
Desde o início da guerra, os androides demonstravam capacidade superior para enfrentar situações de risco extremo.
Atlas lideraria pessoalmente a formação encarregada de penetrar na defesa do cruzador.
Quatro novos Guardiões acompanharam-no.
Todos haviam recebido as atualizações desenvolvidas por Helena.
Suas capacidades de processamento superavam em muito as primeiras unidades construídas décadas antes.
As pequenas naves aceleraram simultaneamente.
Os motores cristalinos deixaram longos rastros azulados no espaço.
O combate recomeçou.
Centenas de disparos cruzaram o vazio.
Explosões iluminavam a órbita lunar como pequenas estrelas artificiais.
Os pilotos humanos utilizavam formações extremamente flexíveis.
Sempre que uma nave era ameaçada, outra surgia imediatamente para protegê-la.
Os Guardiões compartilhavam informações em tempo real.
Cada movimento executado por Atlas era instantaneamente aprendido pelas demais unidades.
Os alienígenas responderam com enorme violência.
Novas ondas de caças surgiram dos hangares.
As máquinas gravitacionais adaptadas para combate espacial aproximavam-se lentamente.
Mesmo assim, a resistência mantinha sua formação.
Helena acompanhava tudo através da rede tática.
Os sinais vitais dos pilotos apareciam constantemente diante dela.
Sempre que uma nave sofria danos, equipes médicas preparavam-se imediatamente para o resgate.
A batalha prolongava-se muito além do previsto.
Foi então que Atlas percebeu um detalhe inesperado.
Diversas embarcações alienígenas desapareciam do campo de combate por breves instantes.
Não utilizavam salto espacial.
Também não eram destruídas.
Simplesmente sumiam dos sensores.
Poucos segundos depois reapareciam em posições completamente diferentes.
Inicialmente os cientistas imaginaram tratar-se de algum tipo de camuflagem.
Mas Atlas recusou essa hipótese.
Os padrões eram regulares demais.
Durante vários minutos ele concentrou praticamente toda sua capacidade de processamento naquela anomalia.
Então encontrou uma resposta.
As naves não desapareciam.
Utilizavam uma rota invisível.
Uma espécie de corredor gravitacional existente entre pequenas distorções naturais espalhadas pelo espaço.
Os invasores moviam-se através desse caminho sem consumir grandes quantidades de energia.
Atlas ampliou imediatamente os mapas.
Pouco a pouco dezenas dessas rotas começaram a surgir.
Elas formavam uma gigantesca rede.
Ligavam a órbita terrestre.
A Lua.
Satélites abandonados.
Asteroides.
E provavelmente regiões muito mais distantes do Sistema Solar.
Helena observou fascinada.
— Nunca vimos isso.
Atlas respondeu.
— Permanecia oculto.
Um dos cientistas aproximou-se rapidamente.
— Se aprendermos a usar esses corredores...
Ela completou.
— Poderemos atacar qualquer posição inimiga.
Atlas gravou imediatamente toda a estrutura.
A descoberta representava uma vantagem estratégica gigantesca.
Mas ainda havia um problema.
Os alienígenas também conheciam aquelas rotas.
E continuavam utilizando-as continuamente.
Enquanto isso, o combate aproximava-se de seu momento decisivo.
Os escudos do enorme cruzador finalmente começavam a enfraquecer.
Diversas explosões percorriam sua superfície.
Atlas reuniu novamente os Guardiões.
Transmitiu apenas um conjunto de coordenadas.
Todos compreenderam imediatamente.
As cinco naves aceleraram ao máximo.
Utilizando uma das rotas gravitacionais recém-descobertas, surgiram inesperadamente atrás do cruzador.
Os sistemas defensivos demoraram preciosos segundos para reagir.
Foi suficiente.
Os canhões concentraram fogo sobre a mesma região atingida anteriormente.
A blindagem rompeu-se.
Grandes fragmentos metálicos espalharam-se pelo espaço.
Atlas mergulhou diretamente na abertura.
Os demais Guardiões seguiram logo atrás.
O interior da nave parecia uma cidade.
Corredores enormes.
Reatores cristalinos.
Centenas de drones de manutenção.
As tropas alienígenas reagiram imediatamente.
Combates espalharam-se por diferentes compartimentos.
Os Guardiões avançavam continuamente.
Seu objetivo era simples.
Alcançar o núcleo energético.
Atlas analisava cada corredor enquanto corria.
Subitamente reconheceu símbolos encontrados anteriormente na antiga nave dos criadores.
A tecnologia daquele cruzador não fora construída do zero.
Era resultado de incontáveis adaptações realizadas ao longo dos milênios.
Mais um fragmento da história tornava-se evidente.
Os invasores sobreviveram apropriando-se continuamente do conhecimento de outras civilizações.
Enquanto isso, do lado de fora, a frota humana enfrentava enorme pressão.
Novas embarcações inimigas chegavam constantemente.
Os pilotos começavam a ficar sem energia.
Mesmo assim, ninguém abandonava a batalha.
Helena observava os relatórios.
Precisavam destruir aquele cruzador antes da chegada dos reforços.
No interior da nave, Atlas finalmente alcançou a gigantesca câmara central.
O reator ocupava praticamente todo o compartimento.
Anéis cristalinos giravam em torno de um núcleo extremamente brilhante.
Os sensores identificaram imediatamente seu ponto vulnerável.
Mas dezenas de soldados do Exército das Sombras protegiam a estrutura.
Seguiu-se um combate intenso.
Cada Guardião enfrentava diversos inimigos simultaneamente.
As novas atualizações mostravam toda sua eficiência.
As unidades compartilhavam continuamente soluções táticas.
Quando um descobria a melhor maneira de derrotar determinado adversário, todos os demais aplicavam imediatamente o mesmo método.
Pouco a pouco a resistência avançou.
Atlas alcançou finalmente o núcleo.
Preparou os explosivos.
Antes que pudesse ativá-los, surgiu uma figura conhecida.
O general alienígena.
Sua armadura apresentava novas modificações.
Grandes estruturas cristalinas cresciam sobre seus ombros.
Os olhos brilhavam intensamente.
Ele observou Atlas durante alguns segundos.
Depois falou na língua humana.
— Ainda não compreenderam.
Atlas assumiu posição de combate.
— Explique.
O general respondeu calmamente.
— Destruir-nos apenas acelerará a chegada dela.
Antes que qualquer outra palavra fosse dita, iniciou-se um confronto brutal.
Os dois trocavam golpes com velocidade extraordinária.
As ondas de impacto percorriam toda a câmara.
Mesmo Atlas encontrava enorme dificuldade para acompanhar os movimentos do adversário.
Enquanto lutavam, os demais Guardiões protegiam o reator.
Os explosivos permaneciam armados.
Faltavam poucos segundos.
Atlas conseguiu finalmente atingir o general.
A criatura recuou.
Olhou rapidamente para o núcleo energético.
Depois desapareceu utilizando uma pequena distorção gravitacional.
Os explosivos detonaram.
Uma gigantesca sequência de explosões percorreu toda a nave.
Alarmes ecoaram pelos corredores.
O reator começou a entrar em colapso.
Atlas transmitiu imediatamente a ordem de retirada.
Os Guardiões utilizaram novamente os corredores gravitacionais.
Escaparam poucos segundos antes da destruição completa.
Do lado de fora, toda a frota humana observou o enorme cruzador partir-se lentamente em dezenas de fragmentos.
Pela primeira vez desde o início da invasão, uma das maiores embarcações inimigas fora completamente destruída.
Comemorações espalharam-se pelos canais de comunicação.
Os pilotos vibravam.
Os cientistas comemoravam.
Na última cidade livre, milhares de pessoas reuniram-se espontaneamente nas ruas.
A humanidade conquistara sua maior vitória.
Entretanto, ela durou pouco.
Subitamente, todos os sensores da frota registraram uma alteração extrema.
Muito além da órbita lunar.
Uma gigantesca sombra surgiu lentamente.
Não era uma nave.
Também não correspondia às deformações anteriormente observadas.
Tratava-se de uma plataforma colossal.
Seu tamanho superava facilmente o de qualquer construção alienígena conhecida.
Anéis luminosos começaram lentamente a girar ao redor de sua estrutura.
Helena observava horrorizada.
Os níveis energéticos ultrapassavam qualquer escala disponível.
Atlas analisou imediatamente os registros históricos recuperados da nave ancestral.
Encontrou uma correspondência.
Muito antiga.
Marcada apenas por um símbolo.
Arma de Extermínio Orbital.
Os alienígenas haviam mantido aquela tecnologia escondida durante toda a guerra.
Agora, diante da primeira grande derrota sofrida contra a humanidade, finalmente revelavam sua existência.
Enquanto os gigantescos anéis continuavam acumulando energia e toda a frota humana tentava desesperadamente compreender o funcionamento daquela máquina colossal, Atlas percebeu que a destruição do cruzador representava apenas o início de uma nova fase do conflito.
A guerra deixava definitivamente de ser uma disputa pela sobrevivência da Terra.
Transformava-se em um confronto capaz de decidir o destino de todo o Sistema Solar.
.png)
Comentários
Postar um comentário