A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 22 — O Planeta dos Invasores
A destruição do grande cruzador alienígena espalhou-se rapidamente pelos canais secretos da resistência.
Durante alguns dias, pela primeira vez desde o início da invasão, a humanidade respirou um pouco mais aliviada. As fábricas continuavam produzindo novas naves, os Guardiões recuperavam unidades danificadas e as muralhas da última cidade livre voltavam a ser reconstruídas.
Mas Atlas não comemorava.
Os registros obtidos durante a batalha permaneciam ocupando praticamente toda a sua capacidade de processamento.
A gigantesca Arma de Extermínio Orbital continuava estacionada além da órbita lunar.
As transmissões vindas do espaço profundo aumentavam de intensidade.
E, sobretudo, o general alienígena havia dito algo que não deixava de ecoar em seus bancos de memória.
"Destruir-nos apenas acelerará a chegada dela."
Helena encontrou Atlas observando novamente o mapa tridimensional da galáxia.
Milhares de estrelas brilhavam diante dele.
Linhas luminosas ligavam sistemas antigos.
Diversos deles apareciam apagados.
Mortos.
Ela aproximou-se lentamente.
— Ainda pensando naquilo?
Atlas respondeu sem desviar os sensores.
— Sim.
Ela permaneceu em silêncio.
Também sentia que a guerra escondia algo muito maior.
Foi então que um operador entrou apressadamente na sala.
— Encontramos outra sequência do código alienígena.
Helena voltou-se imediatamente.
— Tradução?
— Parcial.
Poucos minutos depois, cientistas reuniram-se novamente no laboratório principal.
A nova mensagem havia sido captada durante as comunicações entre a Arma Orbital e diversas frotas espalhadas pelo Sistema Solar.
Atlas analisou o conteúdo.
Desta vez, a linguagem apresentava menos criptografia.
Talvez porque fosse destinada apenas à navegação.
Os algoritmos desenvolvidos nas semanas anteriores começaram rapidamente a preencher as lacunas.
Uma projeção surgiu sobre a mesa holográfica.
Inicialmente parecia apenas um conjunto de coordenadas.
Depois novas linhas apareceram.
Rotas.
Saltos gravitacionais.
Pontos de referência.
Helena arregalou os olhos.
— Não é apenas um mapa.
Atlas confirmou.
— Rede de navegação interestelar.
Os cientistas ampliaram imediatamente a projeção.
Ela mostrava centenas de sistemas estelares.
Grande parte deles estava marcada por símbolos já conhecidos.
Planetas explorados.
Regiões destruídas.
Barreiras antigas.
Mas havia um ponto diferente.
Destacado por um conjunto de sinais que apareciam repetidamente em praticamente todas as transmissões.
Helena cruzou os dados com os arquivos recuperados na nave ancestral.
O resultado surgiu poucos segundos depois.
— Origem.
A palavra permaneceu projetada no centro da sala.
O planeta natal dos invasores.
Durante alguns segundos ninguém falou.
Todos compreendiam o significado daquela descoberta.
Pela primeira vez desde o início da guerra existia a possibilidade de conhecer verdadeiramente o inimigo.
O Conselho Mundial foi convocado imediatamente.
Diversos generais defenderam um ataque direto.
Outros sugeriram destruir as rotas gravitacionais.
Atlas permaneceu em silêncio até o fim da discussão.
Então falou.
— Ataque rejeitado.
Todos voltaram os olhos para ele.
— Reconhecimento prioritário.
Helena sorriu discretamente.
Era exatamente o que esperava.
Antes de atacar qualquer mundo, precisavam compreender quem realmente eram aqueles alienígenas.
A missão começou a ser preparada naquela mesma noite.
A nova frota humana ainda era pequena.
Uma ofensiva contra um planeta inteiro seria suicídio.
Mas uma operação secreta talvez fosse possível.
Atlas escolheu apenas uma nave.
Pequena.
Rápida.
Equipada com sistemas experimentais de ocultação.
Quatro Guardiões integrariam a missão.
Helena insistiu em acompanhá-los.
O Conselho tentou impedir.
Ela recusou.
— Se encontrarmos tecnologia antiga, alguém precisa compreendê-la imediatamente.
Nenhum argumento conseguiu convencê-la do contrário.
Dias depois, a pequena nave deixou silenciosamente a órbita terrestre.
Utilizando a rede de corredores gravitacionais descoberta por Atlas, atravessou rapidamente regiões controladas pelos invasores.
A viagem revelou um universo completamente diferente daquele imaginado pelos humanos.
Ao longo da rota existiam estações abandonadas.
Planetas devastados.
Luas partidas ao meio.
Antigas fortalezas transformadas em destroços.
Os sinais de guerras muito antigas apareciam por toda parte.
Helena observava tudo através das janelas.
— Quantos mundos...
Atlas respondeu.
— Quantidade indeterminada.
Depois de várias semanas utilizando sucessivos saltos gravitacionais, finalmente alcançaram o último corredor indicado pelas transmissões.
À frente surgiu uma estrela avermelhada.
Em torno dela orbitavam cinco planetas.
O terceiro destacava-se imediatamente.
Gigantescos anéis artificiais cercavam sua órbita.
Centenas de satélites permaneciam ativos.
Mas algo surpreendeu toda a equipe.
Nenhuma frota militar patrulhava o espaço.
Os sensores detectavam apenas embarcações civis.
Atlas reduziu imediatamente a velocidade.
— Situação incompatível com expectativa.
Helena concordou.
Esperavam encontrar o centro do império invasor.
Em vez disso, observavam um mundo aparentemente pacífico.
A aproximação continuou lentamente.
Novos detalhes surgiram.
Grandes cidades cobriam extensas regiões do planeta.
Mas não apresentavam arquitetura militar.
Parques gigantescos ocupavam quilômetros.
Oceanos permaneciam preservados.
Florestas gigantescas cercavam os centros urbanos.
Nada lembrava a brutalidade testemunhada na Terra.
Os cientistas permaneceram confusos.
Helena verificou novamente as coordenadas.
Não existia erro.
Era realmente aquele planeta.
Atlas encontrou uma pequena região montanhosa afastada dos centros urbanos.
A nave pousou silenciosamente.
Poucos minutos depois, a equipe iniciava sua exploração.
O ar era respirável.
A gravidade quase idêntica à terrestre.
As plantas apresentavam formas completamente diferentes.
Mesmo assim, transmitiam estranha sensação de familiaridade.
Durante horas avançaram sem encontrar qualquer habitante.
Até que ouviram vozes.
Atlas interrompeu imediatamente a marcha.
Utilizando sensores de longo alcance, identificou diversas formas biológicas aproximando-se.
Os Guardiões prepararam discretamente suas armas.
As figuras surgiram entre as árvores.
Helena permaneceu imóvel.
Os seres diante deles não utilizavam armaduras.
Nem carregavam armas.
Vestiam roupas simples.
Transportavam alimentos.
Crianças caminhavam ao lado dos adultos.
Um pequeno grupo familiar.
Quando perceberam a presença dos visitantes, também pararam.
Durante vários segundos ninguém se moveu.
Um dos alienígenas deu lentamente um passo à frente.
Ergueu as mãos.
Em sinal de paz.
Helena observou Atlas.
Ele respondeu ao gesto.
A tensão diminuiu imediatamente.
Pouco depois, utilizando tradutores improvisados e algoritmos desenvolvidos a partir do código alienígena, iniciou-se uma conversa extremamente difícil.
As primeiras informações surpreenderam completamente a equipe.
Aqueles habitantes jamais haviam participado da invasão da Terra.
Na verdade, pareciam pouco saber sobre ela.
Viviam em pequenas comunidades.
Cultivavam alimentos.
Estudavam história.
Arte.
Ciência.
Quando Helena mencionou a guerra, muitos demonstraram tristeza.
Não orgulho.
Um ancião aproximou-se lentamente.
O tradutor demorava para interpretar suas palavras.
Finalmente surgiu a frase.
— Eles partiram há muito tempo.
Helena perguntou.
— Quem?
O velho respondeu olhando para o céu.
— Os Exilados.
Atlas registrou imediatamente o termo.
A conversa prosseguiu durante horas.
Pouco a pouco a história começou a aparecer.
Milhares de anos antes, uma grande crise atingira aquela civilização.
Algo desconhecido destruía sistemas estelares inteiros.
Parte da população defendia cooperação com outras espécies.
Outra acreditava que somente a expansão militar garantiria sobrevivência.
Após décadas de conflitos políticos, ocorreu uma divisão irreversível.
A facção militar abandonou o planeta levando grande parte da frota.
Chamavam-se Exilados.
Os habitantes restantes reconstruíram lentamente sua sociedade.
Renunciaram às guerras.
Passaram milênios evitando qualquer expansão militar.
Helena permaneceu completamente surpresa.
— Então vocês não comandam os invasores?
O ancião abaixou lentamente a cabeça.
— Não.
Nova pausa.
— Eles já não nos pertencem há incontáveis gerações.
Atlas processava continuamente todas aquelas informações.
Pela primeira vez compreendia que a civilização encontrada na Terra não representava toda a espécie alienígena.
Era apenas uma fração.
A mais radical.
A mais desesperada.
Enquanto caminhavam pela cidade, novas evidências reforçavam essa conclusão.
Museus preservavam registros da antiga separação.
Monumentos homenageavam cientistas e exploradores.
Escolas ensinavam história em vez de estratégias militares.
Nenhum sinal de culto à conquista.
Nenhuma preparação para guerra.
Helena começou a perceber outro detalhe.
Diversos edifícios apresentavam símbolos idênticos aos encontrados na nave ancestral dos criadores.
Perguntou imediatamente ao ancião.
Ele respondeu calmamente.
— Eles foram nossos aliados.
Atlas voltou imediatamente os sensores para ele.
— Explique.
O velho conduziu o grupo até uma antiga biblioteca.
No centro do edifício existia um enorme cristal semelhante aos encontrados na Lua.
Ao ser ativado, projetou imagens extremamente antigas.
Mostravam representantes daquela civilização caminhando lado a lado com os criadores.
Compartilhavam tecnologia.
Pesquisavam juntos.
Construíam enormes estruturas espalhadas pela galáxia.
Helena permaneceu fascinada.
A amizade entre ambos existira muito antes da divisão política.
Depois as imagens mudaram.
Apareceu novamente uma vasta região escura consumindo sistemas estelares.
O ancião observou o holograma em silêncio.
Finalmente falou.
— Foi o medo que mudou tudo.
Helena permaneceu imóvel.
Atlas também.
O velho prosseguiu.
— Alguns acreditavam que toda vida deveria unir-se.
Outros decidiram conquistar tudo antes que a Escuridão chegasse.
A biblioteca mergulhou em silêncio.
Naquele instante, humanos e Guardiões compreenderam que a guerra não nascera do desejo de dominação.
Ela começara com o desespero de uma civilização convencida de que precisava sacrificar o universo para salvar a própria espécie.
Mas ainda existia uma pergunta.
Se aquele planeta permanecera pacífico durante milhares de anos...
Por que os Exilados jamais haviam retornado?
Antes que Helena pudesse formulá-la, alarmes antigos ecoaram por toda a biblioteca.
Os habitantes levantaram-se imediatamente.
Atlas voltou seus sensores para o céu.
Diversas assinaturas energéticas acabavam de surgir na órbita do planeta.
Os Exilados finalmente haviam descoberto que a humanidade encontrara seu mundo de origem.
E sua chegada ameaçava revelar um segredo que permanecera escondido durante milênios.
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