A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 40 — A Superarma
O rosto que Orion vira na visão desapareceu antes que pudesse reconhecê-lo completamente.
Restou apenas uma sensação.
Medo.
Não o medo que sentira diante de Vark.
Nem o medo provocado pelo Caçador Branco.
Era algo mais antigo.
Algo que parecia existir dentro de sua própria memória.
Orion abriu os olhos.
Diante dele, milhares de seres descendentes da antiga civilização permaneciam ajoelhados.
Lyra estava ao seu lado.
Kael mantinha a mão próxima à arma.
Asterion observava os recém-chegados com uma expressão que Orion jamais havia visto nele.
Puro terror.
— Quem são eles? — perguntou Lyra.
Asterion respondeu:
— Os que sobreviveram.
Antes que pudesse explicar mais, todas as comunicações da frota foram interrompidas.
Uma frequência tomou o controle dos sistemas.
A imagem de Vark surgiu no céu.
O general estava diante de uma enorme estrutura metálica.
Atrás dele, o Núcleo Absoluto pulsava como uma estrela artificial.
— Habitantes de Éterion.
Sua voz atravessou todas as redes.
— Soldados de Solaris.
— Soldados de Nox.
— Povos das colônias.
Vark abriu os braços.
— Durante séculos, nossos impérios acreditaram que poder significava possuir territórios.
A imagem mudou.
Mostrou planetas.
Luas.
Sistemas inteiros.
— Estavam errados.
Um enorme canhão surgiu atrás dele.
Sua estrutura era tão gigantesca que parecia uma cidade construída no espaço.
Milhares de torres gravitacionais circundavam o canhão principal.
Centenas de reatores alimentavam seu núcleo.
Selene ficou completamente imóvel.
— Não...
Lyra olhou para ela.
— O que é isso?
A cientista demorou alguns segundos para responder.
— Um canhão de destruição planetária.
Kael aproximou-se da tela.
— Isso não existe.
— Existia.
Selene ampliou os registros antigos.
— Os arquivos sobre o Programa Martelo Negro mencionavam uma arma experimental.
Asterion interrompeu:
— Não era experimental.
Todos olharam para ele.
— Era a arma que destruiu os mundos dos antigos.
Vark continuava falando.
— Vocês temeram minhas armas.
— Temem meu exército.
— Temem meu nome.
Ele sorriu.
— Mas nunca compreenderam o verdadeiro significado de poder.
Atrás dele, o canhão começou a despertar.
Anéis gigantescos giraram.
A energia acumulou-se no centro.
— Observem.
---
Uma lua apareceu na transmissão.
Era uma pequena lua desabitada.
Não possuía cidades.
Nem colônias.
Apenas uma massa rochosa orbitando um planeta distante.
Vark apontou para ela.
— Primeiro teste.
O canhão disparou.
Não houve explosão convencional.
Um feixe negro atravessou o espaço.
Durante um segundo, a lua permaneceu intacta.
Então...
rachou.
Uma linha azul surgiu em sua superfície.
Depois outra.
Milhares.
A lua inteira começou a se fragmentar.
Montanhas foram lançadas ao espaço.
O núcleo se partiu.
Em poucos segundos, o satélite havia se transformado em uma nuvem de poeira e destroços.
Ninguém falou.
Vark observava calmamente.
— Uma lua.
Outro disparo.
Outra lua desapareceu.
Desta vez, era muito maior.
A onda de choque atravessou o sistema.
Os destroços foram lançados em todas as direções.
Até mesmo os sensores das naves de Solaris detectaram a explosão.
Lyra fechou os punhos.
— Ele está demonstrando a arma.
Kael respondeu:
— Não.
Sua voz estava baixa.
— Está demonstrando que pode usá-la.
---
A transmissão terminou.
Durante alguns segundos, apenas os alarmes das naves foram ouvidos.
Então todas as comunicações começaram simultaneamente.
Comandantes de Solaris exigiam autorização para atacar.
Generais de Nox pediam mobilização total.
Governadores coloniais transmitiam pedidos de evacuação.
Milhares de civis começaram a fugir.
Mas ninguém sabia para onde.
Se Vark possuía aquela arma, nenhum planeta estava seguro.
Lyra assumiu o controle da rede.
— Todas as forças devem permanecer em Éterion.
Um comandante respondeu imediatamente:
— Capitã, precisamos evacuar!
— Para onde?
Silêncio.
Lyra continuou:
— Se fugirmos separadamente, seremos destruídos separadamente.
Kael ativou a própria frequência.
— Ela está certa.
Vários oficiais ficaram surpresos ao ouvir o governante de Nox apoiando uma comandante de Solaris.
Kael prosseguiu:
— A arma está carregando.
— Enquanto estiver operando, Vark precisa de proteção.
— Se destruirmos os reatores...
Selene completou:
— O canhão ficará vulnerável.
Kael respondeu:
— Então esse é nosso objetivo.
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Orion observava o holograma.
O canhão estava conectado ao Núcleo Absoluto.
Mas havia outra coisa.
Uma ligação invisível.
Ele conseguia senti-la.
A arma estava usando a energia de Éterion.
Não diretamente.
Através das antigas estruturas espalhadas pelo planeta.
Orion fechou os olhos.
A consciência de Éterion apareceu.
Desta vez, porém, estava fraca.
Ferida.
A arma de Vark estava drenando energia do núcleo planetário através de uma rede antiga.
— Ele está usando o planeta como combustível.
Asterion confirmou.
— Sim.
Lyra aproximou-se.
— Você consegue interromper?
Orion hesitou.
— Talvez.
Kael olhou para ele.
— Talvez não é suficiente.
Orion encarou o general.
— Se eu tentar controlar a rede inteira, posso perder o controle.
— E se não tentar?
Orion olhou para o céu.
O canhão começava a girar novamente.
— Éterion morre.
Kael ficou em silêncio.
Lyra colocou a mão no ombro de Orion.
— Então não faça sozinho.
Ele a encarou.
— O quê?
— Você está tentando controlar o planeta.
— Não precisa controlar.
Ela apontou para as milhares de naves reunidas.
— Podemos ajudá-lo.
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O plano foi elaborado em menos de dez minutos.
Solaris atacaria os reatores externos.
Nox atacaria os sistemas de defesa.
As forças descendentes dos antigos usariam seus conhecimentos para localizar os antigos canais de energia.
E Orion tentaria entrar no sistema central.
Não fisicamente.
Energeticamente.
A missão parecia impossível.
Por isso todos aceitaram.
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A frota avançou.
Centenas de cruzadores romperam a atmosfera.
Atrás deles vinham naves noxianas.
Depois os antigos veículos alienígenas.
Pela primeira vez, três civilizações diferentes lutavam sob a mesma bandeira.
A primeira linha de defesa de Vark surgiu imediatamente.
Milhares de caças.
Drones.
Encouraçados.
Torres orbitais.
O espaço explodiu.
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Kael comandava a ala central.
— Toda a força à frente!
Canhões dispararam.
Naves rebeldes explodiram.
Kael desviou entre dois cruzadores.
— Segundo esquadrão, ataque pelo flanco!
Uma formação noxiana respondeu.
Mísseis atravessaram o espaço.
Três plataformas defensivas desapareceram.
Mas outras dez surgiram.
A batalha crescia rapidamente.
Lyra comandava a ala de Solaris.
— Não persigam os caças!
— Ataquem os reatores!
As naves mudaram de trajetória.
Uma enorme estação abriu centenas de canhões.
Lyra percebeu tarde demais.
— Evasão!
O disparo atravessou a formação.
Seis naves desapareceram.
Lyra fechou os olhos por um instante.
Depois abriu novamente.
— Continuem.
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Orion estava dentro de uma nave antiga.
Asterion permanecia ao lado dele.
Os descendentes dos antigos haviam fornecido um pequeno dispositivo cristalino.
— Isso permitirá que você atravesse a rede.
Orion segurou o objeto.
— E depois?
Asterion respondeu:
— Você encontrará o núcleo da arma.
— Desconecte-o.
— E volte.
Orion sorriu amargamente.
— Parece simples.
— Não será.
A nave começou a descer.
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A superfície da superestrutura estava coberta por torres.
Orion saltou.
O campo gravitacional da nave alienígena o manteve no ar.
Ele pousou diante de uma enorme porta.
Colocou a mão sobre ela.
A porta abriu imediatamente.
A antiga tecnologia reconhecia seu sangue.
Orion entrou.
Corredores iluminados por luz azul estendiam-se diante dele.
As paredes começaram a projetar imagens.
Ele viu sua família.
Não seus pais.
Seus ancestrais.
Uma linhagem inteira escondida da história.
Até chegar àquele que havia aparecido em sua visão.
O mesmo rosto.
Orion parou.
— Quem é você?
Uma voz respondeu atrás dele.
— Seu primeiro ancestral.
Orion virou-se.
A figura estava ali.
Alta.
Pálida.
Com olhos dourados.
Não era uma gravação.
Era real.
— Você...
A criatura aproximou-se.
— Meu nome não importa.
Orion ergueu a mão.
Energia azul surgiu ao redor dos dedos.
— Então por que me chamou?
O alienígena olhou para a energia.
— Porque você precisa saber o que Vark realmente está tentando fazer.
— Ele quer destruir Éterion.
— Não.
A criatura balançou a cabeça.
— Isso seria apenas o começo.
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No espaço, o canhão começou a carregar novamente.
Desta vez, seu alvo estava definido.
Éterion.
Todos os sensores detectaram a mudança.
As sirenes começaram a tocar em cada nave.
Selene gritou:
— Ele está apontando para o planeta!
Lyra olhou para o gigantesco canhão.
A estrutura inteira começou a brilhar.
Kael recebeu a confirmação.
— Quanto tempo?
Selene respondeu:
— Quatro minutos.
Kael olhou para o campo de batalha.
— Precisamos de três.
Lyra perguntou:
— Para quê?
— Para destruir os reatores.
— E o quarto?
Kael encarou Éterion.
— Para Orion.
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Dentro da superarma, Orion finalmente descobriu a verdade.
O Núcleo Absoluto não fora criado apenas para destruir planetas.
Ele podia fazer algo muito pior.
Podia arrancar a energia vital de um mundo inteiro e transferi-la para outro lugar.
Vark não queria simplesmente destruir Éterion.
Queria absorver seu núcleo.
— Para quê? — perguntou Orion.
O ancestral respondeu:
— Para despertar aquele que está abaixo.
Orion sentiu o sangue gelar.
— O que está abaixo?
O alienígena olhou para o chão.
— O primeiro portador.
— Aquele que criou nossa linhagem.
— Aquele que transformou o Nóvium em arma.
Orion deu um passo para trás.
— Ele está vivo?
O ancestral não respondeu.
Um alarme começou a soar.
A voz de Vark surgiu nos corredores.
— Finalmente.
Orion olhou para o teto.
— Ele sabe que estou aqui.
O ancestral respondeu:
— Sempre soube.
As portas atrás de Orion fecharam-se.
Soldados começaram a surgir nos corredores.
Mas não eram rebeldes comuns.
Eram criaturas modificadas.
Armaduras vivas.
Portadores artificiais.
E entre eles...
o Caçador Branco.
A máscara lisa voltou-se para Orion.
— Portador identificado.
Orion preparou-se.
Mas, antes que pudesse atacar, uma segunda mensagem surgiu nos sistemas.
**DISPARO EM TRINTA SEGUNDOS.**
O ancestral olhou para ele.
— Agora você precisa escolher.
Orion encarou o canhão.
Depois olhou para Éterion através da janela.
O planeta inteiro brilhava.
Milhões de vidas dependiam daquela decisão.
Ele fechou os punhos.
A energia azul explodiu ao redor de seu corpo.
— Eu não vou deixar Vark destruir meu mundo.
E correu em direção ao núcleo da superarma enquanto, do lado de fora, o canhão começava a reunir energia suficiente para partir Éterion ao meio.

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