A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 45 — A Marcha Final
As estrelas pareciam estar fugindo.
Por milhares de anos, o espaço havia sido considerado infinito, silencioso e previsível. Impérios haviam surgido e desaparecido acreditando conhecer suas fronteiras. Cartógrafos haviam desenhado mapas da galáxia com linhas precisas, rotas comerciais e territórios marcados com símbolos de conquista.
Agora, nenhum mapa servia para nada.
As rotas mudavam.
Planetas desapareciam.
Sistemas inteiros eram atravessados por portais.
E todas as linhas, todos os caminhos, todas as anomalias pareciam apontar para um único lugar.
Éterion.
As frotas começaram a marchar.
Não havia mais Solaris contra Nox.
Não havia mais rebeldes contra imperiais.
Não havia mais vencedores possíveis.
Havia apenas sobreviventes.
Kael observava o espaço pela ponte de comando de sua nova nave.
Ela não era o gigantesco cruzador que comandara durante os primeiros dias da guerra. Sua nave principal havia sido destruída durante o ataque de Vark.
A nova embarcação era menor, improvisada e formada por partes de várias naves.
Mas ainda carregava a bandeira de Nox.
Kael não a retirara.
Não por orgulho.
Mas porque precisava que seus soldados lembrassem de onde tinham vindo.
— Quantas naves chegaram? — perguntou.
O oficial de comunicações consultou os painéis.
— Duzentas e oitenta e quatro.
Kael franziu a testa.
— Só?
— Outras quatrocentas estão tentando atravessar os portais.
— E as demais?
O oficial respirou fundo.
— Perdemos contato.
Kael olhou novamente para as estrelas.
— Quantas pessoas?
— Aproximadamente três milhões.
Kael ficou em silêncio.
Três milhões.
Parecia muito.
Mas ele sabia que, algumas semanas antes, comandava bilhões.
A guerra havia reduzido impérios inteiros a uma coleção de sobreviventes.
— E Solaris?
— Quatrocentas e dez naves confirmadas.
— Rebeldes?
— Aproximadamente cento e vinte.
Kael fez uma conta rápida.
— Então temos menos de mil naves.
— Sim.
Kael olhou para o mapa.
No centro dele, Éterion brilhava.
Ao redor do planeta, centenas de portais permaneciam abertos.
— Não importa.
O oficial olhou para ele.
— General?
— Reúna todos.
— Todos?
— Todas as naves. Todos os soldados. Todos os pilotos. Todos os cientistas.
Ele apontou para Éterion.
— Vamos para casa.
Lyra estava em uma nave de transporte civil.
Não havia uniforme.
Não havia símbolos de Solaris.
Ela havia abandonado tudo isso.
Ao redor dela estavam refugiados.
Crianças.
Idosos.
Soldados feridos.
Cientistas.
Mineradores.
Pessoas que nunca haviam segurado uma arma.
A nave estava lotada.
Tão lotada que muitos precisavam permanecer em pé durante toda a viagem.
Lyra caminhou pelo corredor.
Uma menina segurava um pequeno brinquedo metálico.
— Vamos morrer? — perguntou.
Lyra parou.
A pergunta era simples.
Mas não havia resposta simples.
Ela se ajoelhou.
— Não se depender de mim.
— Você é uma soldado?
Lyra sorriu levemente.
— Fui.
A menina olhou para ela.
— E agora?
Lyra pensou.
— Agora sou alguém que tenta manter as pessoas vivas.
A criança sorriu.
Lyra levantou-se.
Do outro lado do corredor, um homem observava.
Era um antigo oficial de Solaris.
— Capitã.
Ela virou-se.
— Não me chame assim.
— Lyra, então.
— Melhor.
— Os rebeldes estão prontos.
— E os civis?
— Muitos querem lutar.
Lyra balançou a cabeça.
— Não.
— Mas eles podem ajudar.
— Podem ajudar ficando vivos.
O oficial ficou em silêncio.
Lyra continuou:
— Já perdemos cidades demais.
Ela olhou para as pessoas ao redor.
— Éterion não será mais um campo de batalha.
— Então onde vamos lutar?
Lyra olhou pela janela.
— No céu.
As frotas começaram a convergir.
Naves Solaris surgiram de um portal.
Depois naves Noxianas.
Depois embarcações rebeldes.
Naves mercantes.
Cargueiros.
Estações móveis.
Fragatas médicas.
Até pequenas embarcações particulares se juntaram à marcha.
Era a maior concentração de naves já registrada naquela região da galáxia.
Mas não era uma frota de conquista.
Era uma frota de desespero.
Todos tinham um objetivo.
Éterion.
Kael abriu comunicação geral.
Sua imagem apareceu em milhares de telas.
— Eu sei que muitos de vocês não confiam em mim.
Alguns soldados riram.
Outros desligaram o canal.
Kael continuou.
— E talvez tenham razão.
Silêncio.
— Cometi erros.
Ele respirou.
— Dei ordens que mataram pessoas.
Alguns oficiais começaram a protestar.
Kael levantou a voz.
— Mas não cometerei o último.
Todos ficaram atentos.
— Não permitirei que Vark destrua Éterion.
A imagem do planeta apareceu.
— Nem permitirei que os mundos sejam consumidos pela ruptura dimensional.
Ele fez uma pausa.
— Não estamos indo para conquistar.
Kael olhou diretamente para a câmera.
— Estamos indo para impedir o fim.
No outro lado da formação, Lyra recebeu a transmissão.
Ela ouviu em silêncio.
Um dos rebeldes ao lado dela perguntou:
— Você confia nele?
— Não completamente.
— Então por que seguimos?
Lyra olhou para a frota Noxiana.
— Porque ele tem razão.
— E se for uma armadilha?
— Então enfrentaremos juntos.
O rebelde sorriu.
— Você realmente acredita que Solaris e Nox podem lutar lado a lado?
Lyra respondeu:
— Não.
Ele ficou confuso.
— Não?
— Acredito que seres humanos podem.
Muito abaixo da superfície de Éterion, Orion estava diante de uma estrutura gigantesca.
O ritual havia começado.
Os nativos sobreviventes formavam um círculo.
Seus corpos estavam cobertos por marcas luminosas.
No centro havia uma plataforma.
Orion permaneceu sobre ela.
A criança estava diante dele.
O Guardião Dourado permanecia ao lado.
— Você tem certeza? — perguntou Lyra.
Orion olhou para ela.
— Não.
— Isso não é exatamente tranquilizador.
Ele sorriu.
— Mas é necessário.
Kael estava presente através de uma projeção holográfica.
— O que acontecerá quando começar?
Orion respondeu:
— Não sei.
Kael franziu a testa.
— Você não sabe?
— O ritual foi criado pelos antigos.
— E você pretende realizá-lo sem saber o resultado?
Orion olhou para ele.
— Eles também fizeram isso.
Kael ficou em silêncio.
Lyra se aproximou.
— O que precisamos fazer?
Orion apontou para os símbolos no chão.
— Três energias precisam ser unidas.
— Nóvium.
— Energia branca.
— E a energia do planeta.
Lyra percebeu.
— E você será o ponto de ligação.
Orion assentiu.
— Sim.
Kael interrompeu:
— E o que acontece com você?
Orion não respondeu.
Lyra entendeu.
— Orion.
Ele finalmente olhou para ela.
— Talvez eu não volte.
No espaço, Vark preparava seu último movimento.
Sua frota estava escondida dentro de uma região onde o espaço-tempo havia se tornado quase completamente instável.
As naves rebeldes permaneciam imóveis.
Não precisavam viajar.
Os portais fariam isso por elas.
No centro da formação estava o canhão.
Mas agora ele havia sido alterado.
Vark havia incorporado a energia branca roubada.
A arma brilhava com uma luz quase pura.
Um cientista observava os dados.
— General, a energia está reagindo.
— Com o quê?
— Com Éterion.
— Naturalmente.
— Não.
O cientista balançou a cabeça.
— Está reagindo com alguma coisa dentro do planeta.
Vark aproximou-se.
— A terceira fonte?
— Sim.
Vark ficou satisfeito.
— Então está funcionando.
— Mas o canhão pode não sobreviver ao disparo.
— Não precisa.
O cientista ficou horrorizado.
— O senhor pretende destruí-lo?
— Sim.
— Depois de tudo isso?
Vark olhou para Éterion.
— O canhão cumpriu sua função.
— E qual era?
Vark sorriu.
— Abrir a porta.
Os sensores das frotas detectaram uma anomalia.
Kael recebeu o alerta.
— O que é isso?
O oficial respondeu:
— Não sabemos.
— Magnitude?
— Enorme.
— Localização?
O oficial ampliou o mapa.
A anomalia estava além da frota.
Mas se movia.
— Está vindo em nossa direção.
Kael perguntou:
— Uma nave?
— Não.
— Uma frota?
— Também não.
O oficial ficou pálido.
— É um planeta.
Kael levantou-se.
— Um planeta?
— Sim.
No horizonte apareceu uma esfera gigantesca.
Mas não era um planeta comum.
Tinha motores.
Continentes artificiais.
Cidades construídas sobre sua superfície.
Estruturas metálicas envolvendo o núcleo.
Uma máquina planetária.
Kael reconheceu a assinatura.
— A frota de Vark.
O planeta-máquina atravessou o espaço.
Centenas de naves o acompanhavam.
As frotas aliadas abriram formação.
Pilotos começaram a entrar em posição.
Lyra recebeu a imagem.
— Meu Deus.
Um comandante rebelde perguntou:
— Podemos destruir aquilo?
Lyra respondeu:
— Não.
— Por quê?
— Porque não sabemos o que acontecerá se explodirmos uma coisa daquele tamanho perto de Éterion.
Kael entrou no canal.
— Lyra.
— Estou ouvindo.
— Precisamos impedir que se aproxime.
— Concordo.
— Mas não podemos destruir o planeta.
— Então o que fazemos?
Kael respondeu:
— Cortamos os motores.
Lyra olhou para a estrutura.
— São milhares.
— Então usamos milhares de naves.
A batalha começou.
Não houve contagem regressiva.
Não houve anúncio.
A primeira linha de naves simplesmente avançou.
Caças Solaris dispararam contra as estruturas externas.
Noxianos atacaram os motores.
Rebeldes entraram por regiões sem defesa.
Mercenários que antes haviam lutado por dinheiro agora lutavam pela própria sobrevivência.
A máquina planetária respondeu.
Canhões gigantescos abriram fogo.
O espaço ficou branco.
Naves explodiram.
Algumas desapareceram dentro de portais.
Outras foram esmagadas pela distorção gravitacional.
Kael comandava diretamente.
— Esquadrão três, ataque o setor leste.
— General, estamos sendo cercados!
— Mantenham posição.
— Vamos morrer!
Kael respondeu:
— Todos vamos morrer algum dia.
Fez uma pausa.
— Hoje não.
O esquadrão avançou.
Lyra liderava uma formação de pequenos cargueiros.
Eles não tinham armas suficientes.
Mas carregavam explosivos.
— Objetivo?
— Motores secundários.
— Quantos?
— Vinte.
Lyra respirou.
— Dividam-se.
O piloto perguntou:
— E você?
— Vou para o principal.
— Sozinha?
— Não.
Atrás dela, vinte naves seguiram.
Lyra sorriu.
— Nunca estamos sozinhos.
Dentro de Éterion, o ritual avançava.
Orion estava cercado pelas três energias.
Azul.
Branca.
Dourada.
O planeta inteiro vibrava.
As vozes dos antigos ecoavam.
Os nativos cantavam.
O Guardião Dourado observava em silêncio.
A criança segurava a mão de Orion.
— Você está com medo?
— Sim.
— Isso é bom.
Orion abriu os olhos.
— Por quê?
— Porque significa que ainda é humano.
Ele sorriu.
— E se eu deixar de ser?
A criança respondeu:
— Então eu vou lembrar você.
O primeiro símbolo acendeu.
Depois o segundo.
Depois todos.
Uma coluna de energia atravessou o planeta.
As rachaduras começaram a fechar.
Os portais menores desapareceram.
Centenas de mundos voltaram às suas posições originais.
Mas outros começaram a desaparecer.
Selene observava os dados.
— Está funcionando.
Lyra ouviu através do comunicador.
— Quantos portais?
— Diminuindo.
Kael perguntou:
— E a instabilidade?
— Também.
Lyra sorriu.
Então o painel ficou vermelho.
Selene perdeu o sorriso.
— Temos um problema.
— O quê?
— A terceira fonte está acordando.
Orion abriu os olhos.
O chão começou a tremer.
Vark recebeu a informação.
— O ritual começou.
Um oficial confirmou.
— Sim.
Vark observou a máquina planetária.
— Então chegou a hora.
— General?
Vark ativou o canal para toda a frota.
— Todos os motores para potência máxima.
O comandante ficou assustado.
— Isso vai nos colocar diretamente no campo gravitacional de Éterion.
— Eu sei.
— Podemos ser destruídos.
— Eu sei.
— Então por quê?
Vark respondeu:
— Porque preciso estar perto quando a porta abrir.
A máquina planetária acelerou.
As frotas aliadas tentaram interceptá-la.
Naves foram lançadas contra os motores.
Explosões surgiram.
Kael gritou:
— Não deixem passar!
Lyra entrou na comunicação.
— Estamos quase nos motores principais.
— Quanto tempo?
— Dois minutos.
Kael respondeu:
— Temos um minuto.
— Por quê?
— Porque Vark está acelerando.
Lyra olhou para o planeta-máquina.
— Então vamos precisar ser mais rápidos.
Orion gritou.
A energia azul saiu de seu corpo.
O chão se abriu.
Uma luz branca apareceu abaixo dele.
A criança caiu.
O Guardião Dourado segurou-a.
— Orion!
Ele não conseguia responder.
Dentro de sua mente, milhares de vozes falavam ao mesmo tempo.
Algumas pediam ajuda.
Outras exigiam liberdade.
Outras queriam destruí-lo.
Então uma voz se destacou.
A mesma voz que havia ouvido no começo.
— Escolha.
Orion respondeu:
— Já escolhi.
— Ainda não.
— Eu escolhi salvar Éterion.
— Isso não é uma escolha.
Orion abriu os olhos.
— Então qual é?
A voz respondeu:
— Escolha quem deve existir.
Orion ficou imóvel.
Diante dele apareceram infinitas possibilidades.
Em uma, Solaris dominava a galáxia.
Em outra, Nox.
Em outra, os dois impérios haviam sido destruídos.
Em outra, Éterion nunca fora encontrado.
Em outra, Orion jamais havia nascido.
E em outra...
Lyra estava sentada em uma pequena cidade.
Sem guerra.
Sem Nóvium.
Sem portais.
Sem monstros.
Orion observou aquela realidade.
Parecia perfeita.
Mas algo estava errado.
Não havia Kael.
Não havia os nativos.
Não havia as pessoas que havia conhecido.
Não havia ninguém que tivesse morrido.
Era um mundo sem sofrimento.
Mas também sem memória.
Orion fechou os olhos.
— Não.
A voz perguntou:
— Por quê?
— Porque não quero escolher quem merece existir.
— Então todos morrerão.
Orion abriu os olhos.
— Então encontrarei outra maneira.
Na superfície, o céu começou a ficar branco.
Lyra olhou para cima.
O Núcleo Branco havia criado uma coluna gigantesca de energia.
Os portais começaram a convergir.
Todos.
Centenas.
Milhares.
Até aqueles espalhados por sistemas distantes.
A galáxia inteira parecia dobrar-se.
Kael observou horrorizado.
— O ritual está atraindo todos os portais.
Selene respondeu:
— Não.
— Então o que está acontecendo?
— Éterion está puxando os portais.
Kael entendeu.
— Está fechando as portas.
— Não exatamente.
— Então?
Selene olhou para os dados.
— Está escolhendo quais portas permanecerão abertas.
A máquina planetária entrou na órbita.
Vark observava o planeta através do vidro.
— Finalmente.
Um cientista perguntou:
— O que faremos agora?
Vark colocou a mão sobre o painel.
— Disparamos.
— Contra Éterion?
— Não.
Ele apontou para a maior rachadura no espaço.
— Contra aquilo.
O cientista olhou.
Dentro da rachadura havia uma escuridão absoluta.
— O que existe ali?
Vark respondeu:
— O lugar de onde os antigos vieram.
— E o que acontecerá se dispararmos?
Vark sorriu.
— Descobriremos.
Lyra alcançou o motor principal.
Sua nave foi atingida.
O casco começou a se romper.
O piloto gritou:
— Capitã!
— Continue.
— Não temos escudos!
— Continue.
— Vamos morrer!
Lyra olhou para Éterion.
Depois para a máquina.
— Ainda não.
Ela ativou os propulsores.
A nave mergulhou diretamente no motor.
A explosão iluminou a superfície do planeta-máquina.
O motor parou.
Depois outro.
E outro.
Kael viu a sequência.
— Conseguimos.
Então percebeu uma coisa.
A máquina não estava parando.
Estava abrindo.
Estruturas gigantescas se separaram.
O planeta-máquina revelou um enorme núcleo interno.
Vark apareceu diante dele.
— Preparem o canhão.
Os cientistas correram.
Energia começou a se acumular.
Kael detectou a assinatura.
— Todos os esquadrões, recuem!
Lyra respondeu:
— Por quê?
— Vark não vai destruir Éterion.
— Então o que ele está fazendo?
Kael olhou para o núcleo.
— Ele vai destruir o espaço ao redor.
Orion sentiu a mudança.
O ritual foi interrompido.
Todos os símbolos apagaram.
A criança caiu no chão.
O Guardião Dourado olhou para o céu.
— Chegou.
Orion levantou-se.
— O quê?
O Guardião respondeu:
— A última guerra.
Uma luz negra apareceu acima do planeta.
O disparo de Vark começou.
Mas antes de atingir qualquer coisa, o espaço se abriu.
Uma enorme figura atravessou a rachadura.
Era maior que uma nave.
Maior que uma estação.
Parecia um ser formado por estrelas mortas.
Seus olhos eram dois sóis azuis.
Todos os portais pararam.
Todas as naves ficaram imóveis.
Até Vark perdeu o sorriso.
A criatura olhou diretamente para Éterion.
Depois para Orion.
E falou através de todas as comunicações da galáxia:
— Herdeiro.
Orion não conseguiu se mover.
A criatura continuou:
— Você demorou milhares de anos para retornar.
Lyra olhou para Orion.
Kael ficou em silêncio.
Vark fechou os punhos.
Então a criatura abriu os braços.
E todos os portais da galáxia começaram a se abrir novamente.
Centenas.
Milhares.
Milhões.
Dessa vez, porém, não estavam mostrando mundos.
Estavam mostrando exércitos.
E todos começaram a atravessar.
Orion olhou para a multidão impossível.
A criança se aproximou dele.
— Agora você entende.
Orion perguntou:
— Entendo o quê?
Ela respondeu:
— Por que os antigos destruíram o próprio mundo.
Ao longe, o primeiro exército dimensional começou a avançar.
E, atrás dele, surgiu outro.
E outro.
E outro.
Kael ordenou que todas as armas fossem preparadas.
Lyra reuniu seus pilotos.
Vark ativou o canhão.
E Orion percebeu que o ritual não havia sido feito para impedir a guerra.
Havia sido feito para preparar Éterion para ela.
Então, nas profundezas do planeta, alguma coisa gigantesca finalmente despertou.
E uma voz ecoou sob a crosta:
— ABRAM A ÚLTIMA PORTA.

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