A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 29 — A Cidade Sob Ataque

 A frota conjunta regressou ao Sistema Solar em absoluto silêncio.

Nenhuma celebração aguardava os sobreviventes. Os hangares orbitais, que poucos dias antes fervilhavam de esperança, agora recebiam cruzadores queimados, motores inutilizados e centenas de soldados feridos. A derrota diante dos Devoradores abalara profundamente a confiança da aliança recém-formada.

Atlas permaneceu na ponte da Aurora até o último instante.

Seus processadores revisavam cada segundo do combate. Milhões de cálculos eram executados continuamente, procurando qualquer padrão ignorado durante a batalha.

Nenhum resultado surgia.

Helena entrou lentamente na sala de comando.

Ela observou o androide durante alguns instantes.

— Ainda procurando uma resposta?

Atlas respondeu sem desviar os sensores dos hologramas.

— Sim.

— Encontrou alguma?

— Apenas novas perguntas.

A cientista permaneceu em silêncio.

Era a primeira vez que via Atlas incapaz de apresentar uma estratégia concreta.

Enquanto isso, na superfície da Terra, milhões de sobreviventes desconheciam a gravidade da situação.

As autoridades divulgavam apenas informações limitadas.

Falavam sobre uma nova ameaça.

Pediam calma.

Solicitavam que todos permanecessem próximos aos abrigos subterrâneos.

Mas ninguém explicava que o inimigo capaz de derrotar humanos, Exilados e dissidentes juntos já atravessava lentamente os limites do Sistema Solar.

Na sala principal do Conselho Mundial, uma reunião extraordinária reunia líderes das três civilizações.

O general alienígena projetou os últimos relatórios.

— Eles não alteraram sua velocidade.

Helena observou os mapas.

— Então ainda temos tempo.

O comandante balançou lentamente a cabeça.

— Pouco.

Atlas completou.

— Quarenta e três horas até o primeiro contato.

O silêncio tornou-se absoluto.

Nenhum dos presentes imaginava que os Devoradores chegariam tão rapidamente.

As fábricas receberam prioridade máxima.

Novos Guardiões eram ativados a cada hora.

Canhões vetoriais foram instalados em plataformas orbitais.

Milhares de drones defensivos cercavam a Terra.

Mesmo assim, todos compreendiam que aquelas medidas talvez apenas atrasassem o inevitável.

Os observatórios permaneceram apontados para o espaço profundo.

Foi então que um dos operadores interrompeu o silêncio.

— Contato.

Todos voltaram-se para o enorme painel.

Diversos objetos menores destacavam-se da gigantesca estrutura principal.

Atlas ampliou imediatamente a imagem.

Centenas.

Depois milhares.

Pequenas embarcações negras avançavam em direção ao Sistema Solar interno.

Helena respirou fundo.

— Eles enviaram uma força de ataque.

O general respondeu.

— Estão testando nossas defesas.

As sirenes ecoaram imediatamente por toda a Terra.

Milhões de pessoas correram para antigos abrigos construídos durante a guerra contra os Exilados.

As cidades apagaram completamente suas luzes.

Satélites militares ativaram escudos.

Centenas de naves conjuntas deixaram a órbita terrestre.

Atlas assumiu o comando de toda a operação.

Sua voz espalhou-se por milhares de canais de comunicação simultaneamente.

— Prioridade máxima.

— Proteção da população.

— Evitar combate prolongado.

As ordens foram executadas imediatamente.

Os Guardiões distribuíram-se pelas maiores cidades.

Equipes médicas preparavam hospitais subterrâneos.

Humanos e alienígenas trabalhavam lado a lado sem qualquer discussão.

Agora ninguém questionava a necessidade da aliança.

Poucas horas depois, os primeiros sensores lunares detectaram a aproximação inimiga.

As pequenas embarcações negras cruzavam o espaço em silêncio absoluto.

Nenhum motor.

Nenhuma emissão térmica.

Nenhuma comunicação.

Pareciam fragmentos vivos da própria Escuridão.

As plataformas orbitais abriram fogo.

Milhares de disparos iluminaram o espaço.

Canhões gravitacionais.

Lasers orbitais.

Mísseis inteligentes.

Pulsos vetoriais.

Parte das embarcações inimigas desapareceu momentaneamente dentro das distorções.

Outras continuaram avançando.

Atlas observava atentamente.

Pela primeira vez os Devoradores alteravam sua formação.

— Eles estão aprendendo.

Helena compreendeu imediatamente.

— Estão analisando nossas armas.

Os disparos seguintes tornaram-se menos eficazes.

As embarcações negras começaram a modificar continuamente sua estrutura.

Mudavam de forma durante o voo.

Algumas dividiam-se em unidades menores.

Outras fundiam-se novamente.

Os algoritmos de mira tornavam-se praticamente inúteis.

O general ordenou imediatamente.

— Segunda linha defensiva.

Os cruzadores avançaram.

Humanos, Exilados e dissidentes atacavam juntos.

A batalha espalhou-se pela órbita terrestre.

Durante alguns minutos parecia que a aliança conseguiria conter o avanço.

Então ocorreu algo inesperado.

Uma das embarcações negras atravessou completamente a linha defensiva.

Depois outra.

E mais outra.

Elas não procuravam destruir a frota.

Dirigiam-se diretamente ao planeta.

Atlas calculou suas trajetórias.

O resultado surgiu imediatamente.

— Alvo urbano.

Helena olhou rapidamente para o mapa.

A cidade escolhida abrigava quase doze milhões de sobreviventes.

Era um dos maiores centros industriais ainda operacionais da humanidade.

Se caísse, grande parte da produção militar desapareceria.

Atlas tomou uma decisão imediata.

— Todos os Guardiões disponíveis.

— Defender a cidade.

Centenas de androides lançaram-se da órbita utilizando cápsulas de descida.

Ao mesmo tempo, caças humanos e interceptadores alienígenas mergulhavam na atmosfera.

As primeiras embarcações negras romperam as camadas superiores do céu.

Nenhuma explosão ocorreu.

Elas simplesmente atravessavam o ar deixando longos rastros escuros.

As pessoas observavam horrorizadas.

Não pareciam naves.

Nem criaturas.

Mudavam constantemente de forma.

Quando alcançaram a cidade, dividiram-se em dezenas de fragmentos menores.

Atlas pousou no centro urbano poucos segundos antes do impacto.

Ao seu redor dezenas de Guardiões organizavam rapidamente perímetros defensivos.

Helena coordenava a evacuação.

Milhares de civis corriam para os túneis subterrâneos.

Os primeiros fragmentos negros tocaram o solo.

Durante alguns instantes permaneceram imóveis.

Depois começaram a crescer.

Superfícies metálicas surgiam lentamente.

Grandes estruturas erguiam-se como plantas alimentadas pela própria matéria da cidade.

Prédios próximos começaram a deformar-se.

As paredes pareciam dissolver-se lentamente.

Asfalto.

Concreto.

Aço.

Tudo desaparecia.

Atlas disparou imediatamente um pulso vetorial.

A estrutura oscilou violentamente.

Parte dela desintegrou-se.

Mas novos fragmentos surgiam ao redor.

Humanos abriram fogo.

Soldados Exilados utilizaram lanças gravitacionais.

Guardiões avançaram diretamente contra as formações negras.

Pela primeira vez desde o início da invasão, soldados das três civilizações lutavam lado a lado sobre o mesmo campo de batalha.

Atlas enfrentou uma das maiores estruturas.

Cada golpe produzia pequenas distorções luminosas.

A criatura reorganizava continuamente sua superfície.

Braços transformavam-se em lâminas.

Depois em tentáculos.

Em seguida voltavam a assumir outra forma.

Atlas analisava cada movimento.

Finalmente encontrou uma pequena instabilidade.

Disparou novamente o pulso vetorial.

A estrutura rompeu-se completamente.

Fragmentos negros evaporaram-se no ar.

Os Guardiões repetiram imediatamente a estratégia.

Outras formações começaram a cair.

A população aproveitou aqueles poucos minutos para concluir a evacuação.

Milhões de pessoas alcançaram os abrigos.

Helena respirou aliviada.

— Conseguimos.

Mas Atlas permanecia imóvel.

Algo não estava correto.

Os Devoradores raramente repetiam erros.

Então todos os sensores dispararam simultaneamente.

A gigantesca estrutura principal permanecia muito além da órbita terrestre.

Mesmo assim, uma nova leitura surgia.

Muito acima da atmosfera, o próprio espaço começou a escurecer.

Nenhuma nave atravessava aquela região.

O vazio simplesmente dobrava sobre si mesmo.

O general ergueu lentamente os olhos.

— Não...

Atlas ampliou imediatamente as imagens.

Uma abertura colossal surgia lentamente no céu.

Não era um portal.

Nem uma explosão.

Parecia uma ferida aberta na própria realidade.

Dentro dela não existiam estrelas.

Nem luz.

Apenas escuridão absoluta.

Todos interromperam o combate.

Humanos.

Alienígenas.

Guardiões.

Até mesmo as pequenas estruturas negras recuaram alguns metros.

Como se aguardassem alguma coisa.

Helena observava sem conseguir falar.

Então uma única forma começou a emergir daquela imensa ruptura.

Era dezenas de vezes maior que qualquer embarcação vista anteriormente.

Seu contorno mudava continuamente.

Montanhas pareciam nascer sobre sua superfície.

Depois desapareciam.

Oceanos escuros deslocavam-se entre enormes placas metálicas.

Como se um planeta inteiro tivesse adquirido consciência.

Atlas executou todos os algoritmos disponíveis.

Nenhum conseguiu classificá-la.

Pela primeira vez desde que despertara sua consciência, compreendeu que a batalha travada até aquele momento representara apenas uma tentativa de medir as defesas da Terra.

O verdadeiro ataque começava naquele instante.

Enquanto milhões de sobreviventes permaneciam escondidos sob a cidade recém-salva, observando pelos sistemas de emergência o gigantesco rasgo aberto no céu, Atlas compreendeu que toda a tecnologia construída pela aliança talvez ainda fosse insuficiente para enfrentar o poder real dos Devoradores de Mundos.

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