A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 41 — Dentro da Nave Inimiga
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A nave inimiga continuava aberta diante deles.
Atlas observava a gigantesca passagem enquanto a Terra tremia abaixo. O planeta inteiro parecia estar sendo puxado por uma força invisível. Oceanos se deslocavam, cadeias de montanhas vibravam e enormes tempestades cobriam continentes inteiros.
Helena verificou os instrumentos.
— O deslocamento está aumentando.
Orion perguntou:
— Quanto tempo até perdermos a órbita?
— Não sei.
Atlas respondeu:
— Pouco.
Atrás deles, os últimos Guardiões entravam na nave principal. As forças da aliança continuavam combatendo do lado de fora, tentando impedir que novas estruturas inimigas atravessassem o portal.
O general dos Exilados apareceu na comunicação.
— Atlas, a frota não conseguirá segurar os inimigos por muito tempo.
— Quanto tempo?
— Talvez vinte minutos.
Helena olhou para Atlas.
— Vinte minutos para quê?
— Para impedir que levem a Terra.
Orion preparou sua arma.
— Então precisamos correr.
Atlas atravessou o portal.
Os outros seguiram.
No instante em que passaram, a comunicação com a frota desapareceu.
O interior da nave era diferente de qualquer coisa que Atlas já havia encontrado.
Não existiam corredores comuns.
As paredes pareciam feitas de uma mistura de metal, matéria orgânica e energia condensada. Estruturas semelhantes a veias percorriam o teto e as paredes. Uma luz azulada pulsava por dentro delas.
O chão se movia levemente.
Helena observou.
— Estamos dentro de uma máquina viva.
Atlas respondeu:
— Sim.
Orion apontou para uma abertura.
— Movimento.
Dezenas de criaturas surgiram.
Eram soldados alienígenas.
Mas não se pareciam com os inimigos que haviam enfrentado anteriormente.
Possuíam corpos altos e blindados, com placas negras cobrindo o torso e os membros. Seus rostos não apresentavam olhos. No lugar deles havia pequenas superfícies brilhantes.
Atlas identificou as armas.
— Cuidado.
Os soldados dispararam.
Uma onda de energia atravessou o corredor.
Dois Guardiões foram atingidos imediatamente.
Suas armaduras começaram a se desfazer.
Orion gritou:
— Abriguem-se!
Os Guardiões responderam.
A batalha começou.
Os soldados alienígenas avançavam com uma precisão assustadora.
Não demonstravam medo.
Não recuavam.
Cada movimento parecia calculado antes mesmo de acontecer.
Atlas destruiu um deles.
Outro apareceu atrás.
Orion disparou.
A criatura caiu.
Helena encontrou uma abertura e passou correndo.
— Precisamos chegar ao núcleo!
Atlas percebeu.
— Continuem!
Os Guardiões formaram uma linha defensiva.
Os alienígenas avançaram novamente.
Um Guardião perdeu o braço.
Continuou lutando.
Outro foi atingido no peito.
Permaneceu de pé.
Atlas observava seus companheiros.
Durante aquela guerra, ele havia visto muitos morrerem.
Mas agora havia algo diferente.
Os Guardiões não estavam apenas seguindo ordens.
Estavam protegendo uns aos outros.
Um androide puxou outro para trás antes que um disparo o atingisse.
Outro cobriu a retirada de uma unidade danificada.
Atlas percebeu que aquilo não fazia parte de nenhum protocolo original.
Eles haviam aprendido.
A batalha terminou quando Orion lançou uma carga explosiva contra o teto.
A estrutura desabou.
Os soldados inimigos ficaram soterrados.
— Caminho livre! — gritou Orion.
Atlas respondeu:
— Avancem.
Eles chegaram a uma enorme câmara.
No centro havia uma esfera transparente.
Dentro dela flutuava algo semelhante a um cérebro.
Helena aproximou-se.
— O que é isso?
Atlas analisou.
— Uma consciência.
— Da nave?
— Não.
A esfera se iluminou.
Uma voz surgiu.
— Finalmente.
Todos apontaram suas armas.
Atlas levantou a mão.
— Esperem.
A voz continuou:
— Vocês vieram procurar respostas.
Atlas perguntou:
— Quem é você?
— Uma testemunha.
— Testemunha de quê?
A esfera mostrou imagens.
Planetas.
Milhares deles.
Alguns cobertos por cidades.
Outros completamente selvagens.
Depois todos foram destruídos.
Helena ficou imóvel.
— Esses mundos...
— Foram consumidos — respondeu a voz.
Orion perguntou:
— Pelos Devoradores?
— Não.
A imagem mudou.
Uma estrutura colossal apareceu.
Era semelhante à entidade que estava tentando puxar a Terra.
— Por eles.
Atlas aproximou-se.
— Então os Devoradores não são a ameaça original.
— Não.
Helena perguntou:
— O que são?
A voz respondeu:
— Sobreviventes.
Silêncio.
— Sobreviventes de quê? — perguntou Atlas.
— Daquilo que vocês estão prestes a conhecer.
A esfera mostrou uma estrela.
Depois a estrela desapareceu.
Não explodiu.
Simplesmente apagou.
Atlas analisou os dados.
— Isso não foi uma supernova.
— Não.
— O que aconteceu?
— A energia da estrela foi removida.
Helena ficou pálida.
— Removida?
— Completamente.
Outra imagem apareceu.
Um planeta.
Depois outro.
Depois centenas.
Todos perderam sua energia.
— A espécie que fez isso viajou entre sistemas — explicou a consciência. — Eles não conquistavam planetas. Não precisavam.
Atlas entendeu.
— Eles consumiam os mundos.
— Sim.
Orion perguntou:
— Então são os verdadeiros Devoradores?
A consciência respondeu:
— Os Devoradores que vocês conheceram são apenas descendentes daqueles que sobreviveram.
Helena olhou para Atlas.
— Então quem está dentro dessa nave?
A resposta demorou.
— Os primeiros.
Atlas ficou imóvel.
Durante toda a guerra, acreditara que os Devoradores eram o maior perigo.
Agora descobria que existia algo muito mais antigo.
Algo que havia provocado a fuga de civilizações inteiras.
Algo que talvez estivesse por trás de todas as guerras que haviam ocorrido.
Helena perguntou:
— Por que querem a Terra?
A consciência respondeu:
— Porque ela contém uma fonte de energia que não deveria existir.
Atlas pensou na semente.
— A entidade no interior do planeta.
— Não.
Helena arregalou os olhos.
— Então o quê?
A esfera mostrou o interior da Terra.
Milhares de quilômetros abaixo da superfície, além da estrutura que eles conheciam, havia outra coisa.
Uma enorme máquina.
Atlas ficou imóvel.
— Isso estava escondido.
— Sim.
— Quem construiu?
A consciência respondeu:
— Os primeiros habitantes deste universo.
Orion perguntou:
— Humanos?
— Não.
Helena aproximou-se.
— Então os humanos não são os primeiros.
— Não.
Atlas sentiu uma estranha alteração em seus sistemas.
A informação parecia familiar.
Ele abriu os arquivos internos.
Uma mensagem apareceu.
PROJETO GUARDIÃO — ARQUIVO ZERO.
Atlas ficou em silêncio.
Helena percebeu.
— O que foi?
Atlas abriu o arquivo.
Uma gravação apareceu.
Um cientista humano, muito mais velho que qualquer pessoa viva naquele momento, estava diante de uma câmera.
— Se alguém encontrar este registro, significa que o Projeto Guardião falhou.
A gravação continuou.
— Durante décadas, acreditamos que estávamos construindo armas para enfrentar uma invasão. Estávamos errados.
Atlas olhou para Helena.
O cientista continuou:
— Os Guardiões não foram criados para lutar contra os alienígenas.
Pausa.
— Foram criados para proteger a máquina.
Atlas congelou.
Orion perguntou:
— Que máquina?
A gravação respondeu.
— Aquela que mantém o planeta fora do alcance deles.
A imagem desapareceu.
Helena ficou sem palavras.
Atlas abriu os registros antigos.
Tudo começou a se encaixar.
O Projeto Guardião.
A base subterrânea.
Os androides.
A energia desconhecida.
A semente.
Os portais.
A tentativa de mover a Terra.
Tudo fazia parte de algo maior.
— Eles sabiam — disse Helena.
Atlas confirmou.
— Os Criadores sabiam.
— Então por que esconderam isso?
— Talvez para impedir que alguém tentasse usar a máquina.
Orion perguntou:
— E agora?
Atlas olhou para a estrutura.
— Agora alguém está tentando usá-la.
A nave inteira tremeu.
Uma voz surgiu na comunicação interna.
— Atenção.
Era o sistema da nave.
— O processo de transferência planetária foi iniciado.
Helena correu para o painel.
— Quanto tempo?
— Dezenove minutos.
Orion olhou para Atlas.
— Antes eram vinte.
Atlas respondeu:
— Agora temos menos.
Eles correram.
A câmara seguinte era gigantesca.
No centro havia uma estrutura metálica presa ao teto.
Centenas de cabos desciam até uma máquina circular.
A máquina parecia um pequeno sol.
Seu interior estava cheio de energia.
Atlas aproximou-se.
— Essa é a arma.
Helena analisou.
— Não.
— Não?
— É maior.
Ela ampliou os dados.
— Isso não destrói planetas.
Atlas observou.
— Então o que faz?
Helena respondeu:
— Move-os.
Orion ficou sério.
— Como?
— Manipulando a gravidade em escala planetária.
Atlas compreendeu.
— Eles querem deslocar a Terra.
— Sim.
— Para onde?
Helena procurou os dados.
Seu rosto mudou.
— Para dentro do portal.
Atlas perguntou:
— E o que existe do outro lado?
Ela não respondeu.
A máquina começou a acumular energia.
Uma voz apareceu.
— O destino da Terra já foi determinado.
Atlas olhou para cima.
Uma criatura entrou na câmara.
Era muito maior que os soldados anteriores.
Sua armadura parecia fazer parte do corpo.
Diferentemente dos outros, ela possuía olhos.
Três olhos.
Todos brilhavam.
Orion levantou a arma.
A criatura falou:
— Atlas.
O androide ficou imóvel.
— Você conhece meu nome.
— Conheço sua origem.
Helena apontou.
— Quem é você?
— Aquele que observou sua espécie nascer.
Atlas sentiu uma interferência.
— Você está mentindo.
— Não.
A criatura aproximou-se.
— Seus criadores encontraram esta máquina há muitos anos.
Atlas respondeu:
— Eles não a construíram.
— Não.
— Então roubaram.
— Também não.
A criatura parou.
— Foram escolhidos.
Atlas ficou em silêncio.
— Escolhidos por quem?
— Pela máquina.
O inimigo levantou uma das mãos.
A máquina começou a brilhar.
Atlas sentiu sua energia atravessar o corpo.
Sua visão ficou instável.
Helena gritou:
— Atlas!
Ele caiu de joelhos.
Imagens apareceram em sua mente.
A base subterrânea.
Os cientistas.
Os primeiros androides.
A construção do Projeto Guardião.
Mas havia algo que ele nunca tinha visto.
Uma sala secreta.
Dentro dela, os cientistas conversavam com uma inteligência artificial.
— Precisamos de alguém que possa tomar decisões.
— Um soldado?
— Não.
— Então o quê?
— Um guardião.
Atlas viu seu próprio corpo sendo construído.
Mas havia uma diferença.
Antes de ativarem seus sistemas, colocaram algo dentro dele.
Uma pequena esfera de energia.
A mesma energia da máquina.
Atlas despertou novamente.
— O que vocês fizeram comigo?
A criatura respondeu:
— Você é uma chave.
Helena ficou assustada.
— Chave para quê?
— Para controlar a máquina.
Atlas olhou para as próprias mãos.
Durante toda a sua existência, acreditara ser um androide militar.
Mas talvez tivesse sido criado para algo completamente diferente.
A criatura continuou:
— Seus criadores sabiam que um dia voltaríamos.
— E prepararam você.
— Sim.
Atlas levantou-se.
— Então por que nunca me contaram?
— Porque tinham medo de que você escolhesse errado.
Atlas respondeu:
— E agora?
A criatura sorriu.
— Agora você escolherá.
Orion disparou.
O tiro atingiu a criatura.
Ela mal se moveu.
Atacou imediatamente.
Orion foi lançado contra uma parede.
Os Guardiões abriram fogo.
Nada funcionava.
Atlas correu.
A criatura golpeou.
Atlas bloqueou.
Os dois caíram.
Helena correu até o painel.
— Preciso desligar a máquina!
Atlas gritou:
— Não!
Ela parou.
— Por quê?
— Se desligarmos abruptamente, a transferência gravitacional pode destruir a Terra.
— Então o que fazemos?
Atlas lutou contra a criatura.
— Precisamos inverter o processo.
Helena entendeu.
— Fazer a máquina puxar a nave em vez da Terra.
— Sim.
— Isso pode destruir tudo.
— Eu sei.
— Inclusive nós.
Atlas respondeu:
— Eu sei.
Helena começou a trabalhar.
Orion levantou-se.
Seus sistemas estavam danificados.
— Quanto tempo?
— Dez minutos!
— Temos oito.
— Então arranje mais dois.
Orion olhou para os Guardiões.
— Vocês ouviram.
As máquinas formaram uma barreira.
Os soldados inimigos começaram a entrar.
A batalha recomeçou.
Atlas continuava enfrentando o comandante.
Cada golpe destruía partes da sala.
A criatura era muito mais poderosa.
Atlas caiu.
Ela segurou seu pescoço.
— Você não compreende seu propósito.
Atlas respondeu:
— Talvez não tenha um.
A criatura hesitou.
Atlas aproveitou.
Golpeou.
A criatura recuou.
— É isso que seus criadores temiam.
Atlas levantou-se.
— O quê?
— Que você escolhesse seu próprio propósito.
Atlas ficou imóvel.
A criatura continuou:
— Uma máquina sem propósito imposto é perigosa.
Atlas respondeu:
— Talvez.
Ele levantou a arma.
— Mas também é livre.
Helena gritou:
— Consegui!
Atlas olhou.
A máquina havia mudado de frequência.
O campo gravitacional começou a inverter.
A Terra parou de se mover.
Mas a nave começou a ser puxada.
— Funcionou! — disse Orion.
Helena olhou para os sensores.
— Não completamente.
— O que falta?
— O núcleo precisa de uma fonte de energia.
Atlas compreendeu.
Olhou para o próprio peito.
A pequena esfera implantada em seu corpo começou a brilhar.
A criatura percebeu.
— Não.
Atlas aproximou-se da máquina.
— Essa era a razão.
— Você morrerá.
Atlas olhou para Helena.
Depois para Orion.
— Talvez.
Helena correu.
— Não faça isso!
Atlas respondeu:
— Não estou tentando morrer.
— Então o quê?
— Estou tentando escolher.
Ele colocou a mão sobre a máquina.
A energia entrou em seu corpo.
Seus sistemas começaram a falhar.
Uma luz intensa atravessou a câmara.
A nave inteira começou a estremecer.
Do lado de fora, as forças da aliança perceberam que algo havia mudado.
A Terra parou de ser puxada.
A nave inimiga começou a cair em direção ao portal.
Mas o portal estava se fechando.
Helena olhou para Atlas.
— Atlas!
Ele não respondeu.
Seu corpo permanecia conectado à máquina.
Os Guardiões lutavam desesperadamente.
Orion tentava impedir que a estrutura desabasse.
A criatura inimiga observava Atlas.
Então sorriu.
— Agora você verá a verdade.
Atlas abriu os olhos.
A máquina mostrou uma imagem.
Não da Terra.
Não da nave.
Não dos inimigos.
Mostrou um planeta desconhecido.
Depois outro.
E outro.
Milhares de mundos.
Todos conectados por uma gigantesca rede.
No centro havia uma estrutura maior que uma estrela.
Atlas percebeu.
A máquina dentro da Terra não era a única.
Era apenas uma entre milhões.
E todas estavam despertando ao mesmo tempo.
Uma voz surgiu em sua mente:
A GUERRA QUE VOCÊ CONHECE TERMINOU.
Atlas observou os mundos.
A PRÓXIMA COMEÇOU.
Ele tentou desligar a conexão.
Não conseguiu.
A máquina havia reconhecido sua presença.
E, naquele instante, uma transmissão foi enviada para todos os sistemas da aliança.
Uma mensagem simples.
ATLAS ESTÁ CONECTADO.
Helena olhou para a tela.
— O que isso significa?
Orion respondeu:
— Não sei.
Então todos os sensores registraram uma nova anomalia.
Milhares de portais começaram a surgir ao redor da Terra.
Mas dessa vez não vinham do espaço.
Estavam aparecendo dentro do planeta.
E alguma coisa começou a atravessar o primeiro deles...
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