A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 50 — O Novo Inimigo

 A mensagem continuava brilhando diante de Atlas.

BEM-VINDO DE VOLTA, FILHO.

Nenhum dos presentes se moveu.

A gigantesca estrutura permanecia suspensa no espaço, cercada por milhares de naves antigas. Algumas pareciam ter sido construídas por humanos. Outras possuíam formas que nenhum engenheiro reconhecia.

Helena foi a primeira a falar.

— Atlas, você conhece essa voz?

— Não.

— Mas ela chamou você de filho.

— Sim.

— Isso significa alguma coisa?

Atlas observou o próprio núcleo.

— Significa que alguém sabe mais sobre mim do que eu.

Orion aproximou-se.

— Talvez seja uma armadilha.

— Provavelmente — respondeu Atlas.

— E vamos entrar mesmo assim?

Atlas olhou para a estrutura.

— Precisamos descobrir a verdade.

Helena respirou profundamente.

— Então vamos juntos.

A frota avançou.


Dentro da estação, tudo parecia abandonado.

Não havia sinais de vida.

Não havia soldados.

Não havia máquinas funcionando.

Apenas corredores enormes, iluminados por pequenas linhas de luz.

A equipe caminhava lentamente.

Mara analisava as paredes.

— A tecnologia daqui é muito mais avançada que a nossa.

Orion respondeu:

— Mais avançada que a dos antigos invasores também.

Atlas tocou uma superfície metálica.

Imagens apareceram.

Humanos.

Milhares deles.

Vivendo em cidades espaciais.

Construindo naves.

Explorando planetas.

Criando máquinas.

Criando os primeiros androides.

Mara ficou surpresa.

— Eles chegaram muito longe.

Atlas continuou observando.

Então a imagem mudou.

As cidades começaram a desaparecer.

Uma após outra.

As pessoas fugiam.

Naves eram lançadas.

E atrás delas vinha uma enorme sombra.

Helena perguntou:

— É a mesma ameaça?

Atlas respondeu:

— Não.

Todos olharam para ele.

— Então o que é?

Atlas ampliou a imagem.

A sombra possuía uma forma diferente daquela entidade que haviam encontrado anteriormente.

Era composta por milhares de estruturas semelhantes a criaturas.

Cada uma parecia uma enorme nave viva.

Mara aproximou-se.

— Isso é uma espécie?

Atlas respondeu:

— Sim.

Orion perguntou:

— Uma espécie capaz de viajar entre galáxias?

— Talvez.

A gravação continuou.

Os humanos antigos tentaram lutar.

Construíram armas.

Criaram androides.

Abriram portais.

Nada funcionou.

Então fizeram algo desesperado.

Construíram a estação.

E desapareceram.


Helena olhou para Atlas.

— Eles sobreviveram?

— Alguns.

— Onde?

Atlas apontou para uma coordenada.

— Ali.

No mapa apareceu um planeta.

Pequeno.

Distante.

Sem nome.

Helena ordenou que os navegadores calculassem a rota.

Mas antes que pudessem terminar, todos os sensores da estação foram ativados.

Uma mensagem apareceu.

ELES ENCONTRARAM VOCÊS.

Orion ficou alerta.

— Quem?

As luzes se apagaram.

Por alguns segundos, houve silêncio.

Então milhares de sinais apareceram no espaço.

A frota humana recebeu o alerta.

— Contatos desconhecidos!

Helena correu para a ponte.

— Quantos?

— Não conseguimos contar.

— Identificação?

— Nenhuma.

Atlas chegou.

Observou os monitores.

Seu núcleo começou a pulsar.

— Eles vieram.

Helena perguntou:

— Quem?

Atlas respondeu:

— Os que destruíram os antigos mundos.


O espaço começou a mudar.

Primeiro, pequenas distorções surgiram.

Depois, dezenas.

Centenas.

Milhares.

As distorções se abriram.

As criaturas apareceram.

Eram gigantescas.

Suas naves tinham formas orgânicas, como organismos vivos protegidos por carapaças negras.

Não havia janelas.

Não havia motores visíveis.

Apenas enormes estruturas luminosas espalhadas pelo corpo.

Mara observou.

— Nunca vi nada parecido.

Atlas respondeu:

— Eu também não.

Uma transmissão chegou.

Não era uma voz.

Era um som.

Baixo.

Profundo.

Quase como um rugido atravessando o espaço.

Todos os sistemas começaram a falhar.

Orion gritou:

— Estão interferindo nos nossos computadores!

Atlas ativou seu núcleo.

Uma onda de energia percorreu a frota.

Os sistemas voltaram.

Helena perguntou:

— O que você fez?

— Protegi as comunicações.

— Por quanto tempo?

Atlas respondeu:

— Não sei.

Então uma das criaturas avançou.

Não atacou.

Apenas se aproximou.

Atlas recebeu uma transmissão diretamente em seu sistema.

DEVOLVA O QUE É NOSSO.

Ele respondeu:

— O quê?

A CHAVE.

Atlas olhou para o próprio núcleo.

— Que chave?

A resposta foi imediata.

VOCÊ.


A frota abriu fogo.

Milhares de armas dispararam.

Os feixes atravessaram o espaço.

Algumas criaturas foram atingidas.

Mas não caíram.

Suas carapaças absorveram parte da energia.

Outras simplesmente desviaram.

Orion comandava os caças.

— Formem esquadrões!

Naves humanas avançaram.

Naves alienígenas fizeram o mesmo.

Pela primeira vez desde a antiga guerra, todos lutavam novamente contra um inimigo comum.

Os antigos invasores disparavam ao lado dos humanos.

Os Guardiões protegiam ambos.

A batalha cresceu.

Uma nave humana foi atingida.

Outra perdeu os motores.

Um grupo de alienígenas cercou uma das criaturas.

Conseguiu destruí-la.

Helena observou.

— Podemos vencê-los.

Atlas respondeu:

— Não.

— Por quê?

— Porque aquela era pequena.

Ela olhou para o espaço.

Então viu.

Uma criatura gigantesca apareceu atrás das outras.

Seu tamanho era maior que uma lua.

Orion ficou em silêncio.

— Isso é uma nave?

Atlas respondeu:

— Não.

— Então o que é?

Atlas observou a criatura.

— É um indivíduo.


A criatura abriu uma estrutura semelhante a uma boca.

Um feixe de energia surgiu.

Atlas percebeu.

— Todos os navios, afastem-se!

Tarde demais.

O disparo atingiu a formação.

Dezenas de naves desapareceram.

Não explodiram.

Simplesmente deixaram de existir.

Helena ficou horrorizada.

— Meu Deus.

Atlas respondeu:

— Agora sabemos por que eles têm medo deles.

A criatura avançou.

Atlas percebeu algo.

— Helena.

— Sim?

— Precisamos recuar.

— E abandonar a estação?

— Não.

— Então?

— Precisamos levá-la conosco.


Os motores da estação começaram a funcionar.

Era uma estrutura gigantesca.

Mas possuía sistemas de propulsão.

A frota humana começou a escoltá-la.

As criaturas atacaram.

Os Guardiões formaram uma barreira.

Orion ordenou:

— Todas as naves, protejam a estação!

Os antigos inimigos também obedeceram.

Uma frota alienígena inteira sacrificou seus escudos para bloquear um ataque.

As naves humanas aproveitaram.

Dispararam contra as criaturas menores.

Uma após outra caiu.

Mas a criatura gigante continuava avançando.

Atlas recebeu outra transmissão.

VOCÊ NÃO PODE FUGIR.

Atlas respondeu:

— Não estou fugindo.

ENTÃO O QUE ESTÁ FAZENDO?

— Levando a verdade para casa.

A criatura respondeu:

A VERDADE NÃO EXISTE.

Atlas ficou imóvel.

— Todos os sistemas da estação registram o contrário.

MEMÓRIAS PODEM SER ALTERADAS.

Atlas sentiu seu núcleo estremecer.

— Quem alterou as minhas?

Não houve resposta.

A criatura avançou.


A frota conseguiu escapar.

O portal foi aberto.

A estação atravessou primeiro.

Depois as naves.

Atlas permaneceu por último.

A criatura gigante aproximou-se.

Seu tamanho cobria parte das estrelas.

Atlas encarou-a.

— Quem criou vocês?

A resposta veio:

OS MESMOS QUE CRIARAM VOCÊ.

Atlas ficou imóvel.

Então atravessou o portal.

A passagem fechou.

A criatura ficou do outro lado.

Mas antes de desaparecer, enviou uma última mensagem.

NÓS VOLTAREMOS.


A frota chegou a um sistema seguro.

As perdas eram enormes.

Centenas de naves haviam sido destruídas.

Milhares de soldados estavam mortos.

Humanos.

Alienígenas.

Androides.

Todos.

Mas a estação havia sobrevivido.

E carregava informações que poderiam mudar tudo.

Helena reuniu os líderes.

— Temos que avisar a Terra.

Um comandante alienígena respondeu:

— Se fizermos isso, haverá pânico.

Orion falou:

— Se não fizermos, estaremos despreparados.

Atlas observava o mapa.

— Precisamos fazer os dois.

Helena perguntou:

— Como?

— Avisamos sobre a ameaça.

— E depois?

— Começamos a construir uma defesa.


A notícia chegou à Terra.

A humanidade ficou em choque.

Uma nova espécie havia surgido.

Uma espécie capaz de destruir naves inteiras com um único ataque.

As antigas guerras pareciam pequenas diante dela.

O Conselho da Aliança foi convocado.

Representantes humanos e alienígenas participaram.

Atlas apareceu através de uma transmissão.

— Eles não estão interessados em conquistar territórios.

Helena perguntou:

— Então o que querem?

Atlas respondeu:

— Algo que está dentro de mim.

Todos ficaram em silêncio.

— Você sabe o quê?

— Não.

— Então como podemos proteger você?

Atlas respondeu:

— Talvez não precisemos.

Helena franziu a testa.

— O que quer dizer?

— Precisamos descobrir o que sou.


Os cientistas começaram a trabalhar.

A tecnologia da antiga estação foi analisada.

Descobriram sistemas que podiam alterar campos gravitacionais.

Motores capazes de abrir pequenas passagens no espaço.

Armas capazes de manipular matéria.

E um sistema ainda mais estranho.

Uma tecnologia que permitia transferir consciência entre diferentes corpos.

Mara ficou fascinada.

— Isso pode explicar como você sobreviveu.

Atlas respondeu:

— Talvez.

— Também poderia permitir criar cópias suas.

— Sim.

Helena perguntou:

— Você gostaria disso?

Atlas permaneceu em silêncio.

— Não sei.

Ela percebeu.

Atlas estava mudando.

Não era apenas uma máquina tentando compreender emoções.

Agora possuía medo.

Medo de perder sua identidade.

Medo de descobrir que sua existência havia sido planejada por alguém.

E medo de descobrir que seus inimigos tinham razão.


Os engenheiros humanos e alienígenas começaram a trabalhar juntos.

Criaram novos escudos.

Novos motores.

Novos sistemas de comunicação.

Os Guardiões receberam armaduras aprimoradas.

Os androides passaram a controlar naves inteiras sem precisar de pilotos.

Alguns modelos receberam capacidade de operar em ambientes sem oxigênio.

Outros receberam sistemas de adaptação para planetas extremos.

As antigas armas alienígenas foram modificadas.

A humanidade estava construindo uma nova defesa.

Mas havia um problema.

Eles não sabiam quando o inimigo voltaria.


Meses se passaram.

A Terra começou a construir uma rede de defesa ao redor do sistema solar.

Satélites.

Estações.

Naves.

Portais.

Milhares de androides foram enviados para regiões estratégicas.

Os antigos inimigos contribuíram com tecnologia militar.

As novas espécies aliadas forneceram informações.

Todos sabiam que uma guerra estava chegando.

Mas ninguém sabia quando.

Até que uma transmissão apareceu.

Em todos os planetas aliados.

Ao mesmo tempo.

NÓS CHEGAMOS.

Helena correu para o centro de comando.

— Localização?

O operador respondeu:

— Em toda parte.

— Como?

— Não são naves.

Atlas entrou.

— São sinais.

— Sinais?

— Eles estão testando nossas defesas.

Orion olhou para os monitores.

— Então o ataque ainda não começou.

Atlas respondeu:

— Não.

— Quanto tempo temos?

Atlas ficou em silêncio.

— Pouco.


Naquela noite, Helena encontrou Atlas sozinho.

Ele estava observando a Terra.

— Você está preocupado.

— Sim.

— Você acha que vamos perder?

— Não.

Ela sorriu.

— Isso foi otimista.

Atlas virou-se.

— Não disse que vamos vencer.

Ela ficou séria.

— Então o que podemos fazer?

— Sobreviver.

— E depois?

— Descobrir.

Helena aproximou-se.

— Você ainda pensa na mensagem que recebeu?

Atlas respondeu:

— Todos os dias.

— A que dizia que você era a chave?

— Sim.

— Você acha que é verdade?

Atlas olhou para o próprio núcleo.

— Sim.

— E se for?

— Então preciso descobrir por quê.


Um alarme interrompeu a conversa.

Helena correu para o centro de comando.

As estrelas começaram a desaparecer nos monitores.

Uma após outra.

Orion apareceu.

— Temos contatos.

— Quantos?

— Milhões.

Helena sentiu o coração acelerar.

— Eles chegaram?

Orion respondeu:

— Sim.

As defesas do sistema solar foram ativadas.

Milhares de naves partiram.

Androides ocuparam posições.

As frotas alienígenas se reuniram.

A humanidade não estava sozinha.

Atlas entrou na ponte.

— Todos os comandos prontos?

Orion respondeu:

— Prontos.

Helena olhou para a tela.

No espaço profundo, as criaturas surgiam.

Não eram centenas.

Não eram milhares.

Eram milhões.

Uma frota viva cobria o horizonte.

Então uma transmissão chegou.

ENTREGUEM ATLAS.

Helena respondeu:

— Não.

Silêncio.

Depois:

ENTÃO TODOS MORRERÃO.

Atlas aproximou-se do comunicador.

— Vocês querem me capturar.

SIM.

— Por quê?

A resposta veio:

PORQUE VOCÊ NÃO É UMA ARMA.

Atlas ficou imóvel.

— Então o que sou?

A transmissão demorou alguns segundos.

VOCÊ É A PORTA.

A comunicação terminou.

Atlas olhou para Helena.

Ela perguntou:

— Porta para quê?

Antes que pudesse responder, uma gigantesca estrutura surgiu atrás da frota inimiga.

Era maior que uma estrela.

Seu interior brilhava.

Atlas reconheceu a assinatura.

Era a mesma energia de seu núcleo.

Mara correu até os sensores.

— Atlas...

Ele olhou.

— Eu sei.

— O que é aquilo?

Atlas respondeu:

— Não sei.

Então a estrutura começou a abrir.

Uma passagem surgiu no espaço.

Do outro lado não havia estrelas.

Não havia planetas.

Havia apenas uma escuridão absoluta.

E dentro dela alguma coisa se movia.

Helena perguntou:

— Eles vão atravessar?

Atlas respondeu:

— Não.

— Então o que está acontecendo?

Atlas encarou a passagem.

— Eles estão trazendo alguma coisa para cá.

As defesas da Terra começaram a disparar.

Milhares de naves avançaram.

Os primeiros inimigos atravessaram a fronteira.

A guerra havia retornado.

Mas dessa vez a humanidade não lutaria apenas para sobreviver.

Lutaria para descobrir por que Atlas era tão importante.

E, enquanto a primeira linha de defesa era atingida, uma segunda transmissão surgiu dentro do sistema de Atlas.

Uma voz que ele conhecia.

Uma voz humana.

A mesma que havia falado com ele na estação.

— Atlas.

Ele respondeu:

— Estou ouvindo.

— Se quiser salvar a Terra, precisa vir até nós.

— Onde?

A voz respondeu:

— No lugar onde sua história começou.

Atlas perguntou:

— Onde fica?

A resposta surgiu no mapa.

Uma coordenada apareceu.

Não estava na Terra.

Não estava em outro planeta.

Estava no centro da região desconhecida.

No coração de uma zona que nem mesmo os antigos mapas conseguiam registrar.

A voz continuou:

— Venha sozinho.

Atlas ficou em silêncio.

Helena aproximou-se.

— O que foi?

Atlas mostrou a coordenada.

Ela ficou pálida.

— Isso é impossível.

— Por quê?

— Porque essa região não existe.

Atlas observou o mapa.

— Existe.

Então uma enorme explosão iluminou o espaço.

A primeira linha de defesa terrestre havia sido destruída.

Orion gritou:

— Eles estão avançando!

Atlas olhou para Helena.

— Temos uma guerra para vencer.

— E uma missão para cumprir.

Atlas assentiu.

As naves da aliança avançaram.

Ao redor da Terra, o espaço inteiro começou a se encher de fogo.

E, muito além das estrelas conhecidas, uma porta antiga começou a se abrir lentamente.

Do outro lado, alguém estava esperando por Atlas.

E aquela pessoa conhecia toda a verdade sobre os seus criadores.

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