As Criaturas do abismo: CAPÍTULO 4 — O MUNDO DESCOBRE

 Às 8h03 da manhã, ninguém mais conseguia esconder o que estava acontecendo.

Durante quase seis horas, autoridades haviam tentado controlar as informações.

Chamaram os acontecimentos de terremotos.

Depois falaram em deslizamentos subterrâneos.

Em seguida, disseram que animais desconhecidos poderiam ter escapado de alguma instalação.

Nenhuma explicação durou muito.

Porque existiam vídeos.

Centenas deles.

Talvez milhares.

Pessoas haviam filmado as criaturas com celulares, câmeras de segurança, drones e equipamentos instalados em veículos.

Alguns vídeos mostravam a primeira criatura destruindo a zona industrial de Vale do Norte.

Outros registravam os tanques disparando contra ela.

Um deles mostrava claramente os projéteis atingindo o monstro e explodindo sobre seu corpo sem conseguir derrubá-lo.

Outro mostrava a segunda criatura surgindo atrás das tropas.

Esse vídeo durava apenas vinte e sete segundos.

Mas foi suficiente para mudar o mundo.

A gravação começava com soldados correndo.

A imagem tremia.

Uma explosão acontecia ao fundo.

Então o asfalto se abria.

Uma mão gigantesca surgia.

Depois outra.

A câmera caía.

Por alguns segundos, só aparecia o céu.

Então alguém levantava o aparelho.

E a criatura aparecia inteira.

Cinco metros.

Talvez mais.

A multidão gritava.

Um soldado disparava.

O monstro simplesmente continuava caminhando.

No final do vídeo, uma terceira sombra surgia ao longe.

O vídeo terminava.

Em menos de dez minutos, havia sido compartilhado milhares de vezes.

Em menos de uma hora, milhões de pessoas já tinham assistido.

E, pela primeira vez, o planeta inteiro viu os monstros.


Daniel assistiu ao vídeo dentro do carro.

Não conseguiu dizer nada.

Ricardo estava ao lado dele.

— Isso vai mudar tudo — disse o técnico.

Daniel continuou olhando para a tela.

— Já mudou.

O telefone começou a vibrar.

Uma notificação.

Depois outra.

Depois dezenas.

Redes sociais estavam sendo tomadas por imagens de criaturas.

Pessoas em diferentes países comentavam.

Algumas acreditavam que eram efeitos especiais.

Outras falavam em armas secretas.

Havia quem dissesse que tudo era uma invasão extraterrestre.

Outros afirmavam que os terremotos eram consequência de experimentos militares.

Mas os vídeos continuavam surgindo.

Vale do Norte.

Pedra Branca.

Santa Aurora.

Cidades menores.

Rodovias.

Florestas.

Campos.

Em alguns lugares, pessoas registravam apenas rachaduras.

Em outros, enormes sombras passando entre árvores.

Um vídeo mostrava uma criatura atravessando um rio.

Outro mostrava uma torre de transmissão sendo derrubada.

Outro registrava algo gigantesco passando por baixo de uma estrada.

Não havia mais como negar.

Às 8h21, o primeiro governo estrangeiro confirmou oficialmente a existência das criaturas.

A declaração durou menos de três minutos.

O presidente apareceu diante das câmeras.

Seu rosto estava sério.

— Nossos serviços de segurança confirmaram a presença de organismos desconhecidos envolvidos nos incidentes ocorridos durante as últimas horas. A população deve permanecer em locais protegidos e seguir as orientações das autoridades.

Nenhuma explicação adicional foi dada.

Mas a palavra havia sido pronunciada.

Organismos.

O mundo inteiro ouviu.

Poucos minutos depois, outros governos fizeram anúncios semelhantes.

Primeiro países vizinhos.

Depois potências militares.

Depois praticamente todos os grandes centros políticos.

A existência dos monstros havia se tornado oficialmente reconhecida.

E isso causou uma segunda onda de pânico.


Nos grandes centros urbanos, as sirenes começaram a tocar.

Não porque as criaturas já tivessem chegado.

Mas porque ninguém sabia onde elas surgiriam.

Em cidades com milhões de habitantes, a possibilidade de um monstro aparecer sob uma avenida era suficiente para paralisar tudo.

Escolas fecharam.

Universidades foram evacuadas.

Hospitais ativaram protocolos de emergência.

Empresas mandaram funcionários para casa.

Estações de metrô foram fechadas.

Rodoviárias ficaram lotadas.

E os aeroportos começaram a entrar em colapso.

No Aeroporto Internacional de Aurora, milhares de passageiros se aglomeraram nos terminais.

As telas de embarque começaram a mostrar cancelamentos.

Primeiro alguns voos.

Depois dezenas.

Depois centenas.

— Senhores passageiros, devido a uma situação de emergência nacional, alguns voos poderão sofrer alterações...

A mensagem era repetida continuamente.

Pessoas empurravam malas.

Crianças choravam.

Passageiros discutiam com funcionários.

— Quero sair daqui!

— Não temos voos disponíveis.

— Então arranjem um!

— Senhor, estamos tentando.

— Eu preciso ir embora!

Uma mulher mostrava o celular.

Na tela havia um vídeo da criatura.

— Vocês estão vendo isso?

O funcionário não respondeu.

Ele já havia visto.

Todos haviam visto.


Em outro país, uma metrópole com mais de dez milhões de habitantes recebeu um alerta.

EVITE O CENTRO DA CIDADE.

Poucos minutos depois, o trânsito parou.

Milhares tentaram deixar a região simultaneamente.

As estradas ficaram congestionadas.

Os postos de combustível formaram filas.

Supermercados começaram a esvaziar.

Pessoas compravam água, comida, lanternas e baterias.

Ninguém sabia quanto tempo aquela situação duraria.

E havia uma pergunta que aparecia em todas as conversas:

— Quantos monstros existem?

Nenhum governo tinha resposta.


Às 8h47, Daniel recebeu uma ligação de um número desconhecido.

Atendeu.

— Alô?

Silêncio.

— Quem está falando?

A ligação caiu.

Daniel olhou para Ricardo.

— Algum problema?

— Não sei.

O celular vibrou novamente.

Uma mensagem.

NÃO CONFIE NAS TRANSMISSÕES OFICIAIS.

Daniel ficou imóvel.

Outra mensagem chegou.

VOCÊ ESTÁ PROCURANDO O PADRÃO ERRADO.

Daniel sentiu um arrepio.

— Quem é?

Nenhuma resposta.

Então veio uma terceira mensagem.

PROCURE POR HELENA.

Daniel digitou:

QUEM É HELENA?

A resposta apareceu quase imediatamente.

DOUTORA HELENA VASCONCELOS. GEOLOGISTA.

Depois uma localização.

Um endereço a aproximadamente duzentos quilômetros dali.

Daniel conhecia o nome.

Não pessoalmente.

Mas já havia lido artigos científicos assinados por Helena.

Ela era especialista em estruturas subterrâneas profundas.

Havia participado de pesquisas sobre cavernas, placas tectônicas e regiões geológicas consideradas instáveis.

Também havia trabalhado durante alguns anos para uma agência científica do governo.

Daniel olhou para Ricardo.

— Conhece essa mulher?

Ricardo balançou a cabeça.

— Não.

O telefone vibrou novamente.

ELA SABE O QUE ESTÁ DEBAIXO DA CIDADE.

Daniel encarou a mensagem.

Depois veio outra.

E SABE POR QUE AS CRIATURAS ESTÃO SUBINDO.


Às 9h02, o mundo começou a receber imagens de outras regiões.

No litoral, uma criatura havia sido avistada perto de uma área portuária.

No interior, sensores registraram tremores.

Em uma cidade montanhosa, moradores ouviram rugidos durante a madrugada.

Em outro continente, uma enorme rachadura apareceu no meio de uma estrada.

Não havia criatura visível.

Ainda.

Mas os padrões eram semelhantes.

Daniel abriu todos os mapas disponíveis.

Começou a comparar.

Santa Aurora.

Vale do Norte.

Pedra Branca.

Depois outros locais.

Ele marcou cada ocorrência.

Ricardo observava.

— Está vendo alguma coisa?

— Talvez.

Daniel conectou os pontos.

Uma rede começou a surgir.

Os acontecimentos não estavam espalhados aleatoriamente.

Havia linhas.

Trajetórias.

Pontos de convergência.

— Eles estão seguindo alguma coisa — disse Daniel.

— O quê?

— Ainda não sei.

Ele ampliou o mapa.

As linhas pareciam formar enormes círculos.

No centro de alguns deles havia regiões sem nenhuma atividade.

— É o mesmo padrão de Santa Aurora.

— O círculo?

— Sim.

Ricardo aproximou-se.

— E o que existe nesses centros?

Daniel pesquisou.

Florestas.

Montanhas.

Regiões desabitadas.

Antigas minas.

E, em alguns casos, áreas onde instalações militares ou científicas haviam sido construídas.

Daniel ficou em silêncio.

— Isso não é coincidência.


Às 9h26, a primeira cidade grande foi colocada oficialmente em estado de emergência.

Depois outra.

Depois outra.

As autoridades começaram a retirar moradores de regiões consideradas de risco.

Mas como determinar o risco?

Os terremotos pareciam surgir sem aviso.

As criaturas apareciam debaixo das cidades.

E ninguém sabia se uma determinada região seria atingida em minutos ou dias.

Em algumas cidades, barricadas foram instaladas.

Tanques ocuparam avenidas.

Helicópteros patrulhavam áreas urbanas.

Soldados receberam ordens para impedir a aproximação de civis às rachaduras.

Mas havia um problema.

As pessoas queriam respostas.

E os governos não tinham nenhuma.


Daniel e Ricardo deixaram a estrada principal.

Seguiram por uma via secundária.

O destino era o endereço enviado pela misteriosa pessoa.

A paisagem havia mudado.

Antes, aquela estrada costumava estar vazia.

Agora havia dezenas de veículos.

Famílias fugindo.

Caminhões transportando equipamentos.

Carros militares.

Ambulâncias.

Um helicóptero passou tão baixo que fez árvores se moverem.

Daniel olhou pelo retrovisor.

— Estamos sendo seguidos?

Ricardo olhou para trás.

— Não sei.

Um veículo preto apareceu a distância.

Depois outro.

Daniel acelerou.

— Talvez devêssemos parar.

— Não.

— Por quê?

— Porque eles estão seguindo a gente.

Os carros pretos aumentaram a velocidade.

Daniel entrou em uma estrada de terra.

O primeiro veículo tentou acompanhar.

Escorregou.

O segundo conseguiu continuar.

Ricardo olhou para trás.

— Ainda está vindo.

Daniel virou bruscamente.

O carro atravessou uma pequena ponte.

Depois entrou em uma área de mata.

Os veículos ficaram para trás.

— Quem são eles? — perguntou Ricardo.

Daniel não respondeu.

— Talvez os mesmos homens que invadiram a casa do Ricardo.

— Então precisamos chegar até Helena.


Às 10h11, a doutora Helena Vasconcelos observava uma parede cheia de mapas.

Ela estava em um laboratório subterrâneo.

Havia monitores em todos os lados.

Sensores sísmicos.

Mapas geológicos.

Imagens de satélite.

Modelos tridimensionais.

No centro da sala havia uma estrutura cilíndrica coberta por vidro.

Dentro dela, um fragmento de pedra escura flutuava em uma solução transparente.

Helena aproximou-se.

O fragmento vibrou.

Ela recuou.

— Novamente...

Um técnico olhou para o monitor.

— A frequência aumentou.

— Quanto?

— Doze por cento.

Helena ficou em silêncio.

— Elas estão respondendo.

— Ao quê?

Helena apontou para o mapa.

— Às criaturas.

O técnico franziu a testa.

— Mas isso não faz sentido.

— Eu sei.

Ela voltou ao computador.

Uma imagem antiga apareceu.

Era uma fotografia de uma escavação realizada décadas antes.

Um grupo de cientistas estava diante de uma enorme abertura subterrânea.

No fundo, havia marcas.

Não eram naturais.

Eram símbolos.

Helena ampliou a fotografia.

— Encontramos isso há vinte e oito anos.

O técnico perguntou:

— E por que nunca foi divulgado?

Helena olhou para ele.

— Porque ninguém sabia o que significava.

Ela abriu outro arquivo.

Um relatório antigo.

Classificado.

O título dizia:

PROJETO SUBSOLO — EVENTO 03.

Helena passou para a próxima página.

Havia registros de tremores.

Depois desaparecimentos.

Depois sons.

E finalmente uma observação escrita à mão:

"Existe algo abaixo da camada rochosa. Não perfurar novamente."

Helena fechou o arquivo.

— Nós perfuramos.

— Quando?

— Três semanas atrás.

O técnico ficou assustado.

— Vocês reabriram o local?

— Não sabíamos o que encontraríamos.

— E encontraram?

Helena olhou para o fragmento dentro do cilindro.

— Encontramos isto.

O fragmento vibrou novamente.

Dessa vez, as luzes do laboratório piscaram.

Helena fechou os olhos.

— E agora eles estão acordando.


Daniel chegou ao endereço às 10h39.

Era uma instalação escondida entre árvores.

Não havia placas.

Nenhum sinal indicando que aquele lugar existia.

Daniel estacionou.

Ricardo desceu.

Uma porta metálica abriu automaticamente.

Uma mulher apareceu.

Cabelos presos.

Casaco escuro.

Olheiras profundas.

Ela parecia ter passado dias sem dormir.

— Daniel?

Ele ficou surpreso.

— Como sabe quem eu sou?

— Porque você é o único jornalista que percebeu o padrão.

Ricardo perguntou:

— Foi você quem mandou as mensagens?

Helena assentiu.

— Sim.

Daniel entrou.

— Então me diga o que está acontecendo.

Helena olhou para ele.

— Antes, preciso mostrar uma coisa.

Ela os conduziu por um corredor.

As paredes estavam cobertas por monitores.

Em um deles, apareciam imagens das criaturas.

Outro mostrava mapas sísmicos.

Outro mostrava uma reconstrução tridimensional da região.

Daniel parou.

— Quantas?

Helena não respondeu.

Ele olhou para o mapa.

Dezenas de pontos brilhavam.

Alguns estavam vermelhos.

Outros amarelos.

E alguns azuis.

— Esses pontos...

— São os eventos registrados nas últimas horas.

— Quantos?

— Cento e dezessete.

Daniel ficou imóvel.

— Cento e dezessete criaturas?

Helena balançou a cabeça.

— Não.

Ela ampliou o mapa.

— Cento e dezessete sinais subterrâneos.

Ricardo respirou fundo.

— Então existem muito mais.

Helena respondeu:

— Sim.

Daniel perguntou:

— Quantas?

Helena olhou para ele.

— Não sabemos.


Daniel caminhou até o maior monitor.

— Por que elas estão surgindo?

Helena abriu uma imagem.

Era uma representação do subsolo.

Uma enorme rede de túneis atravessava o continente.

— Isso é natural?

— Não.

— Então quem construiu?

— Essa é a parte que ainda não conseguimos explicar.

Daniel observou.

— Você está dizendo que alguém construiu túneis quilômetros abaixo da terra?

— Estou dizendo que não sabemos se foram construídos.

Ela ampliou uma seção.

Havia estruturas circulares.

— Eles podem ter crescido.

Daniel olhou para ela.

— Crescido?

— Não sabemos exatamente o que são. Mas encontramos materiais que não correspondem a nenhuma formação geológica conhecida.

— E as criaturas?

Helena hesitou.

— Elas estavam lá antes de nós.

Um silêncio tomou conta da sala.

Daniel perguntou:

— Há quanto tempo?

Helena abriu outro arquivo.

— Pelo menos alguns milhares de anos.

Ricardo deu um passo para trás.

— Isso é impossível.

— Eu também achava.

Daniel apontou para os mapas.

— Então por que acordaram agora?

Helena ficou olhando para os pontos vermelhos.

— Porque alguém mexeu em alguma coisa.

— Quem?

Ela não respondeu.

— Helena.

A cientista finalmente olhou para Daniel.

— Nós.


Um alarme começou a tocar.

Helena virou-se rapidamente.

— O que aconteceu?

Um técnico apareceu correndo.

— Temos um novo tremor.

— Onde?

— Aqui.

Ele apontou para o mapa.

Helena empalideceu.

Daniel aproximou-se.

O ponto apareceu.

Depois outro.

Depois outro.

Todos estavam surgindo em sequência.

— Não...

Helena ampliou.

— O que foi? — perguntou Daniel.

Ela respondeu:

— Eles mudaram de direção.

— Para onde?

Helena apontou para a tela.

Os pontos estavam se afastando das grandes cidades.

Todos convergiam para uma única região.

Uma área completamente desabitada.

Daniel reconheceu o lugar.

— A montanha.

Helena assentiu.

— Sim.

— O que existe lá?

Ela ficou em silêncio.

— Helena.

A cientista respirou fundo.

— Uma coisa que deveria continuar enterrada.

Antes que Daniel pudesse perguntar, outro alerta apareceu.

Depois outro.

E outro.

As linhas subterrâneas começaram a se iluminar.

Dezenas.

Centenas.

Milhares.

Helena olhou para os monitores.

— Meu Deus...

Daniel perguntou:

— O que está acontecendo?

Ela respondeu quase sussurrando:

— Todas estão acordando.


Do lado de fora da instalação, o chão começou a vibrar.

As árvores balançaram.

Pássaros levantaram voo.

Um estrondo atravessou a floresta.

Daniel correu até a janela.

Ao longe, entre as montanhas, uma enorme coluna de poeira se ergueu.

Depois outra.

E outra.

Helena apareceu ao lado dele.

— Não são apenas as criaturas.

Daniel olhou para ela.

— Então o que mais existe?

Helena não respondeu.

Porque, naquele instante, o céu começou a escurecer.

Não por causa de nuvens.

Por causa de algo enorme atravessando o horizonte.

Um grupo de aeronaves militares surgiu ao longe.

Mas não estavam indo para as cidades.

Estavam indo para a montanha.

Daniel observou.

— Eles sabem.

Helena respondeu:

— Sabem.

— Então por que não contaram ao mundo?

Ela olhou para os monitores.

— Porque eles têm medo do que acontece se as pessoas descobrirem.

Daniel perguntou:

— E você?

Helena demorou.

— Eu tenho medo do que acontece se elas não descobrirem.

Um novo tremor começou.

Mais forte.

O prédio inteiro vibrou.

Um monitor caiu.

As luzes se apagaram por alguns segundos.

Quando voltaram, uma nova imagem apareceu automaticamente.

Era uma transmissão de satélite.

A montanha estava sendo observada de cima.

Uma enorme rachadura atravessava seu topo.

Algo estava subindo.

Mas não parecia uma criatura.

Era uma estrutura.

Uma gigantesca formação circular estava emergindo da terra.

Helena ficou pálida.

— Não pode ser...

Daniel aproximou-se.

— O que é isso?

Ela não respondeu.

Na tela, a estrutura continuava subindo.

Parecia uma porta.

Uma porta colossal enterrada sob a montanha.

E, no centro dela, havia símbolos iguais aos encontrados nos antigos túneis.

Então a estrutura começou a se abrir.

Helena segurou o braço de Daniel.

— Precisamos sair daqui.

— Por quê?

Ela olhou para a tela.

— Porque aquilo não é uma porta para entrar.

Daniel sentiu um arrepio.

— Então para quê serve?

Helena respondeu:

— Para alguma coisa sair.

Naquele instante, o sinal de satélite foi interrompido.

Todos os monitores ficaram pretos.

Por alguns segundos, ninguém falou.

Então uma mensagem apareceu na tela principal.

Não era do governo.

Não era de Helena.

Não era de nenhuma agência conhecida.

Eram apenas quatro palavras:

VOCÊS ACORDARAM O PRIMEIRO.

Daniel encarou a mensagem.

Depois surgiu uma segunda linha.

AGORA ELE ESTÁ CHAMANDO OS OUTROS.

E, muito abaixo da instalação, algo respondeu.

Um rugido tão profundo que parecia vir do interior da própria Terra.

Helena fechou os olhos.

Daniel olhou para Ricardo.

E, pela primeira vez, nenhum deles perguntou quantos monstros existiam.

Porque agora sabiam que os monstros eram apenas uma parte daquilo que estava despertando.

E, enquanto o mundo inteiro tentava fugir das criaturas que já haviam surgido, milhares de quilômetros abaixo da superfície, alguma coisa muito mais antiga começava lentamente a abrir os olhos.

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