Titã: Capítulo: 58

 

 

 Elian pousou suavemente no solo arenoso do planeta Ephyria , um dos maiores domínios sob o controle do rei Aldren. O brilho azulado das três luas daquele mundo iluminava as dunas intermináveis, e ao longo, ele via as grandes cidades protegidas por muralhas fortificadas. Ali, o poder de Aldren era absoluto, e a presença militar estava em cada esquina. Mas Elian não veio para se esconder. Ele sabia que, se quisesse espalhar sua mensagem de paz, teria que fazer cumprir o império do rei de frente.

A bordo do seu mecha Titã , Elian avançou para uma pequena vila nos arredores da cidade principal. A vila estava silenciosa, exceto pelo zumbido à distância de drones de vigilância patrulhando o céu. Os aldeões olharam para Elian com desconfiança, como se eles soubessem que ele não correspondia ao lugar. E, em parte, eles estavam certos. Elian era um forasteiro agora, um traidor aos olhos do império, mas isso não o impediria.

Eu não estou aqui para lutar, — ele disse em voz alta, ativando o amplificador de áudio do Titã . Sua voz ecoou pela vila, chamando a atenção de todos. — Estou aqui para falar de paz.

Os aldeões chegaram a se reunir, mas suas expressões eram cheias de incerteza. Elian sabia que muitos deles estavam sob a influência das mentiras de Aldren. Para eles, ele não passou de um rebelde, um traidor que estava tentando destruir o império que os protegia.

Vocês foram enganados, — contínuo Elian. — Ó rei Aldren não quer paz. Ele quer controlar. Ele está levando para uma guerra sem fim, uma guerra que destruirá não só este planeta, mas todos os outros que ele governa. Não é tarde demais para mudar isso.

Nesse momento, um grupo de guardas da cidade chegou, vestidos com armaduras pesadas e armados com rifles de plasma. Eles se aproximaram de Elian com cautela, seus olhos fixos no Titã , uma máquina de guerra cuja presença só por si já representava uma ameaça.

Você está se metendo onde não deveria, Elian, — disse um dos guardas, com um tom desdenhoso. — Volte para o seu canto. Não temos nada a discutir com um traidor.

Elian desceu do Titã , desarmado e com as mãos levantadas em um gesto de paz.

Eu não vim para lutar, — disse ele calmamente. — Eu vim para falar. A guerra não precisa continuar.

O guarda cuspiu no chão, claramente irritado.

Você acha que pode vir aqui e nos dizer o que fazer? Ó rei Aldren nos protegeu dos draconianos por gerações. Não vamos traçar sua confiança só porque você tem uma nova filosofia.

Protegeu? — Elian respondeu, tentando manter a calma. — Ele os envolveu numa guerra interminável. Ele usa vocês como escudos humanos, como peças de um jogo de poder. Eu já vi isso de perto. Ele não luta por vocês, ele luta pelo controle absoluto.

Os guardas hesitaram por um momento, mas foram divididos claramente entre suas ordens e o impacto das palavras de Elian. Antes que pudesse responder, um dos aldeões, um homem de meia-idade com uma cicatrização profunda no rosto, se adiantou.

E se Elian estiver certo? — ele disse, sua voz sobre incerteza. — Há anos estamos nesta guerra, e o que ganhamos com isso? Nossos filhos estão morrendo nos campos de batalha, e nossas terras estão sendo destruídas. Talvez... talvez ele tenha uma solução.

Os guardas ficaram em silêncio, desconfortáveis ​​com o apoio inesperado. No entanto, outro aldeão se mudou, uma mulher idosa com um olhar severo.

Você quer nos entregar aos draconianos, Elian? Foi isso que Aldren nos disse que você faria. Ele disse que você quer destruir tudo o que construímos.

Elian balançou a cabeça, tentando encontrar as palavras certas.

Eu não quero entregar vocês a ninguém. Quero que vocês tenham o direito de escolher o próprio destino, sem serem obrigados a lutar em uma guerra que não lhes oferece nada além de dor. Eu lutei ao lado de Aldren por muitos anos. Eu conheço seus métodos e posso garantir que ele não irá destruir tudo.

A multidão estava dividida, assim como o exército de Aldren estava começando a ficar. Como as dúvidas da dúvida foram plantadas, mas Elian sabia que precisava de mais do que palavras para mudar a maré.

Enquanto ele continuava a falar, em outra parte do planeta, o rei Aldren já havia sido informado sobre a presença de Elian. Sua raiva fervia enquanto recebia as notícias de que o "traidor" estava tentando espalhar sua mensagem.

Ele ousa tentar envenenar meu povo contra mim? — chegou Aldren, socando a mesa em fúria. — Elian será destruído por sua arrogância. Eu o fiz o que ele é, e agora ele tenta me rastrear? Espalhem para todos os planetas sob meu comando. Elian é um traidor perigoso. Qualquer um que o apoiar será tratado como inimigo do império.

Ordens foram emitidas por todo o vasto império de Aldren. Em todos os planetas, sua propaganda começou a circular, pintando Elian como um agente do caos, um homem perigoso que queria ver o império em ruínas. Suas palavras, distorcidas, foram usadas para inflamar o ódio contra ele, e aqueles que ousavam considerar sua mensagem de paz foram rapidamente silenciados.

Elian, no entanto, estava preparado para essa resistência. Ele sabia que Aldren tentava manipular a narrativa, mas também sabia que havia muitos que já estavam cansados ​​de viver sob o jugo do rei. Enquanto mais pessoas ouviam suas palavras, mais questionamentos surgiam, e a verdade, lenta mas seguramente, começava a se infiltrar nas fileiras do império.

Os guardas que estavam diante de Elian hesitaram mais uma vez. Eles tinham sido treinados para obedecer sem questionar, mas agora, ao ouvir o que Elian tinha a dizer, uma parte deles não conseguia mais ignorar a verdade.

Elian, — disse um dos guardas, finalmente baixando a arma — o que você está propondo? Se não é guerra, o que é?

Elian transmitiu com tristeza. Ele sabia que a luta seria longa, mas estava disposto a continuar.

Estou propondo que nos recusemos a lutar. Que paramos de servir como peões de Aldren. Se nós, os soldados e o povo, pararmos de lutar, Aldren não terá poder sobre nós. Ele precisa de vocês para manter sua guerra viva. Sem soldados, sem exército, ele não pode fazer nada.

A multidão murmurava, ponderando sobre o que estava aqui. Mas antes que mais algum avanço pudesse ser feito, o som dos motores cortou o ar. Uma frota de naves militares do rei Aldren apareceu no horizonte, se aproximando rapidamente. A poeira se levantou sob seus jatos, e os corações dos aldeões se apertaram de medo.

Aldren não vai permitir que você continue, Elian, — disse um dos guardas, agora claramente nervoso. — Você tem que ir embora antes que seja tarde demais.

Elian olhou para as naves se aproximando e percebeu que sua mensagem estava sendo ouvida, mas também sabia que estava em perigo iminente.

Eu irei, — respondeu Elian, retornando ao Titã . — Mas lembre-se do que disse. Vocês têm o poder de parar essa guerra. Não, Aldren. Não eu. Vocês.

Antes que as naves pudessem chegar, Elian ativou os propulsores do Titã e disparou em direção aos céus, deixando para trás o murmúrio de uma multidão dividida e a incerteza de um povo que começava a questionar tudo o que tinha aprendido.

Meses se passaram desde que Elian, com seu mecha Titã , iniciou sua jornada por paz em um império dividido. Durante esse tempo, mais e mais pessoas se uniram a ele, impulsionadas pelo desejo de ver um fim à guerra interminável. Contudo, enquanto Elian angariava apoio, outros se mantinham leais ao rei Aldren , reforçados pela propaganda constante de que Elian era o verdadeiro traidor, alguém que queria trazer ruína ao império.

A tensão cresceu como uma tempestade prestes a se desatar.

Elian, agora com uma legião de seguidores, refugiava-se nos planetas neutros e nas bases secretas, longe dos olhos de Aldren. Ele não pretendia iniciar uma guerra civil, mas estava preparado para se defender se necessário. O Titã , seu mecha, estava sempre ao seu lado, uma presença imponente que, além de ser um símbolo de resistência, era também um instrumento de paz, evitando batalhas sangrentas em vários benefícios.

Mas a paz parecia cada vez mais difícil de alcançar.

De um lado, Aldren fortaleceu suas defesas. O rei não era tolo; Ele sabia que Elian estava conquistando corações e mentes, e isso o deixou furioso. Ele aumentou as patrulhas em seus planetas, reforçou suas fortificações e intensificou a propagação de seu discurso belicista, pintando Elian como um vilão manipulador que queria entregar o império nas mãos dos draconianos.

Por outro lado, as forças de Elian cresceram, com mais soldados desertando do Exército de Aldren e mais civis dispostos a lutar pela paz. No entanto, junto com o aumento de sua influência, surgiu uma nova pressão: muitos de seus seguidores estavam impacientes, clamando por ação.

Elian, porém, continuou relutante.

“Aldren quer que lutemos”, disse ele em reuniões estratégicas com seus comandantes e aliados mais próximos. "Se levantarmos as armas, estaremos jogando no jogo dele. Não é assim que vencemos. Vencemos quando eles perceberem que não precisam mais lutar."

Apesar de sua importação retórica, Elian sabia que a situação estava à beira do desastre. O próprio ar parecia carregado com o peso da escolha iminente. As perguntas não estavam apenas entre seus seguidores e os de Aldren, mas também dentro de seu próprio movimento. Algumas pessoas queriam lutar, outras acreditavam que poderiam continuar buscando o diálogo, e os rumores de um confronto ocorrido só aumentaram o clima de incerteza.

Foi em uma dessas reuniões que Kara , um dos principais estrategistas de Elian, se lembrou.

Elian, não podemos continuar só esperando. Aldren está fechando o cerco em várias partes do império. Logo, ele terá poder militar suficiente para nos atacar diretamente. Precisamos tomar uma decisão, antes que ele tome por nós.

Elian franziu o cenho. Ele conhecia bem Kara e sabia que ela não era alguém que sugeria ações imprudentes. Seu ponto de vista tinha peso.

E o que sugere? — Disse ele, com a voz cansada. À medida que semanas de debates começavam a pesar sobre ele.

devemos enviar uma mensagem clara. Mostre a Aldren que não somos fracos e que estamos prontos para defender nossa causa. — Kara inclinou-se sobre a mesa, seus olhos brilhando de determinação. — Não estou sugerindo um ataque total. Mas talvez uma demonstração de força. Algo que mostra que não estamos satisfeitos a ser destruído.

E como isso nos traz mais perto da paz? — desconto Elian. — Cada movimento militar que faz só reforça a narrativa de Aldren. Ele nos quer exatamente assim: prontos para atacar. Isso justifica sua guerra.

Mas não fazer nada nos enfraquecer, — interveio Jared , outro líder entre os aliados de Elian. — As pessoas estão começando a duvidar da nossa capacidade de nos defender. Não podemos apenas pregar a paz quando somos constantemente cercados pelas forças leais a Aldren. precisamos proteger nossos seguidores.

Elian ficou em silêncio, ponderando as palavras de seus comandantes. A verdade era que ele entendia ambos os lados do argumento. O ideal de paz era poderoso, mas na prática, manter essa postura sem levantar armas estava começando a colocar seu movimento em uma posição vulnerável. Ele olhou pela janela da sala de reuniões, observando as estrelas no horizonte.

Naquele momento, uma comunicação urgente interrompeu seus pensamentos.

Elian, você precisa ver isso. — A voz do operador de comunicação estava tão apressada, e as luzes da sala se apagaram enquanto um holograma surgia no centro da mesa.

Era uma transmissão pública de Aldren. A figura majestosa do rei, com sua armadura reluzente e a coroa que simbolizava seu poder, apareceu diante deles. Sua voz era grave e autoritária, como de costume, mas havia algo diferente desta vez.

Povo do império, — Aldren começou, seus olhos fixos diretamente na câmera. — Estamos à beira de uma nova era. Uma era de paz, mas não uma paz oferecida àqueles que querem nos dividir e nos enfraquecer. Aqueles que seguem Elian, o traidor, acreditam que podem nos dobrar com suas promessas vazias. Mas eu digo a vocês que a verdadeira paz só pode ser alcançada por meio da força. Por meio da unidade. E por meio da destruição daqueles que ameaçam nosso modo de vida.

Elian sentiu um calafrio subir pela espinha. Ele sabia o que estava por vir.

Portanto, como soberano deste império, decreto que todos aqueles que apoiam Elian serão considerados inimigos do estado. Não há mais perdão para traidores. A partir deste momento, qualquer pessoa que se alie a Elian será tratada como cúmplice de sua traição. A guerra que ele tanto evitou está chegando, e ele verá que suas ações trarão apenas destruição para todos nós.

A transmissão terminou abruptamente, e a sala ficou em silêncio absoluto. Todos os olhos estavam voltados para Elian, que ficaram hospedados por um longo tempo, absorvendo o impacto do que acabara de ouvir.

Finalmente, ele se virou para Kara e Jared.

Parece que Aldren decidiu por nós.

A declaração de guerra foi feita, e agora Elian teria que enfrentar uma escolha difícil: manter-se firme em seus princípios pacifistas ou tomar uma posição mais defensiva e arriscar a destruição completa de seu movimento.

Enquanto a tensão continuava a aumentar, os dois lados do império se preparavam para o que parecia ser uma batalha simultânea. E, enquanto isso, Elian, montado em seu Titã , começou a reunir suas forças para o que poderia ser o maior desafio de sua vida.

A divisão crescente entre os que seguiram Aldren e os que apoiaram Elian se tornou insustentável. Aldren tinha a vantagem do poder militar estabelecido, das naves de guerra e de uma infraestrutura de segurança bem organizada. Por outro lado, Elian tinha o apoio emocional de uma parte significativa da população que estava cansada de lutar e queria a paz de volta.

Mas a paz parecia mais distante a cada dia.

Com as tendências se transformando em meses, os rumores de uma batalha decisiva circularam pelas colônias e planetas distantes. O império estava em uma encruzilhada, e a próxima ação de Elian, seja qual fosse, definiria o futuro de todos eles.

 

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