A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 48 — O Abismo Azul

 As estrelas desapareceram.

Durante alguns segundos, ninguém conseguiu compreender o que estava acontecendo.

Não era uma tempestade.

Não era um eclipse.

Não era uma falha nos sensores.

As estrelas simplesmente deixaram de existir.

Ou, pelo menos, deixaram de ser visíveis.

O céu de Éterion tornou-se um abismo negro, interrompido apenas pelos rios de energia azul que percorriam a atmosfera.

Então o planeta gemeu.

Não foi um terremoto.

Foi algo muito maior.

O próprio espaço ao redor de Éterion começou a se deformar.

Montanhas se inclinaram.

Oceanos levantaram-se como muralhas.

Cidades inteiras começaram a afundar.

Não em água.

Em energia.

As ruas foram cobertas por uma substância azul brilhante que parecia líquida, mas não obedecia à gravidade.

Prédios desapareceram lentamente sob aquela corrente luminosa.

Torres inteiras foram engolidas.

Veículos flutuaram por alguns segundos antes de serem puxados para baixo.

Pessoas corriam pelas ruas enquanto a energia avançava.

— Corram!

— Para as regiões altas!

— Não toquem nela!

Os soldados tentavam organizar os civis.

Mas não havia para onde fugir.

A energia vinha de todos os lados.

Éterion estava sendo consumido pelo próprio coração.

Lyra observava tudo de uma colina.

Ao longe, uma cidade desaparecia.

Primeiro as ruas.

Depois os prédios mais baixos.

Por fim, uma enorme torre de comunicação inclinou-se e mergulhou na energia azul.

A explosão iluminou o horizonte.

— Quantas pessoas ainda estão lá? — perguntou Lyra.

O comandante ao seu lado consultou o sensor.

— Mais de quatro mil.

Lyra virou-se imediatamente.

— Onde estão os transportes?

— Lotados.

— Então encontrem outros.

— Capitã, não temos mais.

Lyra olhou para o vale.

Uma coluna de energia avançava rapidamente.

— Quantas crianças?

O comandante ficou em silêncio.

— Quantas? — repetiu ela.

— Cento e vinte e três.

Lyra já estava caminhando.

— Prepare meu transporte.

— Capitã...

— Agora.

— A região está instável.

— Eu sei.

— Se entrar lá, talvez não consiga voltar.

Lyra parou.

— Então espero que alguém tenha coragem suficiente para tentar me tirar de lá.

O comandante respirou fundo.

— Sim, senhora.

Lyra correu para a nave.

Kael estava em outro ponto do continente.

Seu grupo havia pousado próximo a uma antiga cidade subterrânea.

O chão tremia.

Uma enorme rachadura abriu-se diante deles.

Um soldado apontou.

— General!

Kael ergueu os olhos.

Algo saiu da fenda.

Primeiro uma garra.

Depois outra.

A criatura emergiu lentamente.

Era gigantesca.

Tinha quatro pernas, um corpo coberto por placas cristalinas e uma cabeça sem olhos.

No lugar da boca havia uma abertura circular cheia de luz azul.

Kael puxou a espada.

— Formação!

Os soldados se espalharam.

Outra criatura surgiu.

Depois outra.

E mais uma.

O horizonte começou a se encher de formas colossais.

— Quantas? — perguntou um oficial.

— Não sei.

Kael olhou para o céu.

— Não importa.

A primeira criatura avançou.

Kael gritou:

— Fogo!

Canhões dispararam.

Os projéteis atingiram o monstro.

Quase não causaram efeito.

A criatura rugiu.

O som derrubou soldados.

Kael avançou sozinho.

Saltou sobre uma pedra.

Depois sobre outra.

A criatura tentou esmagá-lo.

Kael desviou.

Sua espada atingiu uma das placas cristalinas.

Nada.

Ele atacou novamente.

Nada.

Então percebeu.

No centro do peito havia uma pequena abertura.

Azul.

Pulsando.

— O coração — murmurou.

A criatura atacou.

Kael correu diretamente em sua direção.

— General! — gritou alguém.

Kael saltou.

A garra passou por baixo dele.

Ele caiu sobre o corpo da criatura.

Cravou a espada entre duas placas.

A criatura rugiu.

Kael continuou avançando.

Uma descarga de energia atingiu seu peito.

Ele foi lançado ao chão.

Levantou-se com dificuldade.

A criatura veio novamente.

Kael segurou a espada com as duas mãos.

— Você quer lutar?

A energia do Nóvium começou a percorrer seu corpo.

— Então lute comigo.

Ele correu.

Lyra entrou na cidade.

A energia já cobria metade das ruas.

O ar estava pesado.

Os sensores não funcionavam.

Ela abandonou a nave e seguiu a pé.

— Onde estão as crianças?

A resposta veio pelo comunicador.

— Setor sete.

— Estou indo.

— Lyra, espere.

Era Kael.

Ela parou.

— Fale.

— Há criaturas por toda a região.

— Não tenho tempo.

— É perigoso.

— Tudo está perigoso.

Kael ficou em silêncio.

— Volte viva.

Lyra sorriu.

— Você também.

Ela desligou.

Continuou correndo.

Encontrou os primeiros sobreviventes dentro de uma estação subterrânea.

Crianças estavam amontoadas em um canto.

Algumas choravam.

Outras estavam abraçadas aos pais.

Uma menina aproximou-se de Lyra.

— Você vai nos salvar?

Lyra ajoelhou-se.

— Vou tentar.

— Tentar não é salvar.

Lyra sorriu.

— Então vou salvar.

A menina segurou sua mão.

— Promete?

Lyra hesitou.

Depois respondeu:

— Prometo.

Um estrondo interrompeu a conversa.

A parede começou a rachar.

A energia azul apareceu pelas fissuras.

— Todos para os transportes! — gritou Lyra.

Os soldados começaram a retirar os civis.

A energia entrou pela estação.

Primeiro como uma pequena corrente.

Depois como uma inundação.

Lyra ficou para trás.

— Capitã!

— Levem as crianças!

— E você?

— Vou fechar a passagem.

Ela levantou as mãos.

A energia do Nóvium surgiu.

Lyra criou uma barreira.

A corrente azul bateu contra ela.

A força quase a derrubou.

— Capitã!

— Vão!

Os soldados correram.

As crianças começaram a sair.

A barreira começou a quebrar.

Lyra sentiu seus braços tremerem.

A energia estava entrando em seu corpo.

Ela ouviu a voz da entidade.

Você não pode impedir o abismo.

Lyra respondeu:

— Talvez não.

A barreira aumentou.

— Mas posso atrasá-lo.

No campo de batalha, Kael lutava contra três criaturas.

A primeira caiu.

A segunda o atingiu no ombro.

Ele girou no ar e caiu sobre uma pedra.

A terceira avançou.

Kael levantou a espada.

Uma explosão atingiu a criatura.

Soldados haviam disparado simultaneamente.

O monstro recuou.

Kael levantou-se.

— Continuem!

Os canhões dispararam.

As criaturas rugiram.

Uma delas abriu a boca.

Um raio azul atravessou a formação.

Dezenas de soldados foram arremessados.

Kael correu.

Saltou.

Cravou a espada no núcleo da criatura.

A energia explodiu.

Kael foi lançado para longe.

Caiu de costas.

Por alguns segundos, não conseguiu respirar.

Então ouviu passos.

A primeira criatura estava vindo.

Kael tentou levantar.

Não conseguiu.

A criatura levantou uma das patas.

Kael encarou-a.

— Vamos.

A pata desceu.

Uma explosão azul atingiu a criatura.

Ela foi jogada para o lado.

Kael olhou para cima.

Um grupo de naves havia chegado.

Na lateral de uma delas estava o símbolo de Solaris.

Lyra.

Kael sorriu.

— Finalmente.

Dentro da nave, Lyra observava os monitores.

— Kael está vivo.

O piloto respondeu:

— Por pouco.

— Precisamos tirá-lo dali.

— As criaturas estão bloqueando a rota.

— Então abra caminho.

A nave mergulhou.

Canhões dispararam.

Kael foi recolhido.

Assim que entrou, Lyra correu até ele.

— Você está inteiro?

Kael respirou fundo.

— Quase.

— Você parece péssimo.

— Você também.

Lyra sorriu.

— Bom saber que ainda consegue fazer piadas.

Kael olhou para o planeta.

— Não é hora de rir.

— Eu sei.

O sorriso desapareceu.

— Onde está Orion?

Lyra olhou para o sensor.

— No núcleo.

Kael ficou sério.

— Então temos que chegar até ele.

Orion estava descendo.

Cada metro era mais difícil.

O núcleo de Éterion havia se transformado em um oceano de energia.

Ele atravessava aquela massa luminosa.

Não havia chão.

Não havia teto.

A energia envolvia seu corpo.

Vozes surgiam.

Centenas.

Milhares.

Algumas gritavam.

Outras pediam ajuda.

Orion continuou.

— Onde você está?

A entidade respondeu.

Dentro de você.

Orion parou.

— Não.

O Nóvium vive em seu sangue.

— Você não é o Nóvium.

Sou a origem dele.

Orion continuou descendo.

— Então por que está destruindo Éterion?

Porque Éterion me aprisionou.

— E agora você quer libertar-se.

Sim.

— Usando todos nós.

Vocês são apenas combustível.

Orion cerrou os punhos.

— Não somos.

A energia ao redor dele ficou mais intensa.

Você ainda acredita que pode escolher.

— Posso.

Então escolha.

Orion viu duas imagens.

Na primeira, ele destruía o núcleo.

Éterion morria.

Milhões morreriam com ele.

Na segunda, ele permitia que a entidade assumisse o controle.

A galáxia seria transformada.

Outros mundos seriam usados como fontes de energia.

Nenhuma opção parecia possível.

Então Orion percebeu uma terceira imagem.

Um ponto pequeno.

Uma região escondida dentro do núcleo.

Uma luz branca.

— O Núcleo Branco.

A entidade ficou em silêncio.

Orion sorriu.

— Você não consegue alcançá-lo.

Ainda.

— Então é isso que você quer.

É uma parte de mim.

Orion desceu mais rápido.

Lyra recebeu uma transmissão.

— Capitã.

— Fale.

— Encontramos uma passagem.

— Para onde?

— Para o núcleo.

Kael aproximou-se.

— Vamos.

Lyra assentiu.

— Todos os transportes restantes seguem conosco.

O piloto hesitou.

— E as pessoas?

— Levem-nas para a região segura.

— E vocês?

Lyra olhou para Kael.

— Nós vamos buscar Orion.

O grupo entrou na passagem.

Era um túnel gigantesco.

As paredes pareciam feitas de vidro.

Dentro delas havia imagens.

Civilizações antigas.

Guerras.

Planetas.

Naves.

E pessoas.

Milhões de pessoas.

Kael parou.

— São memórias.

Lyra aproximou-se da parede.

Viu um homem tocando Nóvium pela primeira vez.

Viu a mesma cena que havia acontecido milhares de vezes.

— Tudo se repete.

Kael respondeu:

— Talvez esse seja o objetivo.

— O quê?

— Fazer todos acreditarem que não existe alternativa.

Lyra olhou para ele.

— Você mudou.

Kael continuou andando.

— Talvez a guerra tenha feito isso.

— Não.

Ela o acompanhou.

— Você mudou porque descobriu que estava errado.

Kael ficou em silêncio.

Depois respondeu:

— Você também.

A passagem começou a desmoronar.

Lyra ouviu um estrondo.

— Corram!

Todos correram.

Uma parede caiu.

Outra começou a se fechar.

Kael puxou dois soldados.

Lyra segurou uma criança que havia ficado para trás.

— Venha!

A menina chorava.

— Minha mãe!

Lyra olhou para trás.

A mãe estava do outro lado.

A passagem estava fechando.

— Lyra!

Kael gritou.

Lyra empurrou a menina para um soldado.

Depois correu na direção da mulher.

— Capitã!

Lyra alcançou-a.

As duas estavam presas.

A energia começou a subir.

Lyra segurou a mulher.

— Você precisa confiar em mim.

— Eu confio.

Lyra ativou seu poder.

A energia azul explodiu.

A passagem abriu.

Kael puxou as duas.

Todos caíram do outro lado.

Lyra respirava com dificuldade.

A menina correu até a mãe.

— Obrigada.

Lyra fechou os olhos por um instante.

Kael aproximou-se.

— Você quase morreu.

— Eu sei.

— Não faça isso novamente.

Lyra abriu os olhos.

— Não posso prometer.

Kael suspirou.

— Imaginei.

Orion finalmente alcançou o fundo.

O Núcleo Branco estava diante dele.

Era menor do que imaginava.

Uma pequena esfera suspensa no vazio.

Mas sua energia era maior do que tudo que já havia sentido.

Ao redor dela havia correntes negras.

A entidade estava tentando alcançá-la.

Orion colocou a mão na esfera.

Uma visão surgiu.

Ele viu o futuro.

Viu Lyra.

Viu Kael.

Viu Éterion.

Viu os mundos desaparecendo.

Viu a guerra.

Mas também viu algo diferente.

Um caminho.

Uma possibilidade.

Uma forma de libertar a entidade sem destruir o universo.

Orion retirou a mão.

— Eu sei o que fazer.

A entidade respondeu:

Não.

Orion olhou para cima.

— Você está com medo novamente.

Você não entende o preço.

— Talvez.

Orion segurou o Núcleo Branco.

— Mas vou pagar.

A energia explodiu.

Na superfície, todos viram o céu se abrir.

Um círculo branco apareceu acima de Éterion.

As criaturas pararam.

Os oceanos congelaram.

As florestas ficaram imóveis.

Até as naves perderam energia.

Lyra olhou para cima.

— Orion.

Kael aproximou-se.

— Ele conseguiu?

Asterion apareceu atrás deles.

Seu rosto estava pálido.

— Não.

Lyra virou-se.

— O que aconteceu?

Asterion apontou para o céu.

— Ele encontrou o núcleo.

— Então por que não conseguiu?

— Porque o núcleo não estava vazio.

Uma sombra começou a surgir dentro do círculo branco.

Kael levantou a arma.

— O que é aquilo?

Asterion respondeu:

— Uma porta.

Lyra sentiu o coração apertar.

— Para onde?

Asterion olhou para o céu.

— Para dentro da entidade.

Orion estava em um lugar impossível.

Não havia planeta.

Não havia estrelas.

Apenas um oceano azul infinito.

Ele flutuava sobre a superfície.

Ao longe, uma figura gigantesca surgiu.

A entidade.

Mas agora Orion conseguia vê-la completamente.

Era colossal.

Seu corpo parecia formado por milhares de mundos mortos.

No centro havia uma abertura.

Dentro dela, bilhões de pequenas luzes pulsavam.

Orion percebeu.

Cada luz era uma consciência.

Cada uma pertencia a alguém que havia sido consumido pelo Nóvium.

Soldados.

Cientistas.

Alienígenas.

Crianças.

Civilizações inteiras.

A entidade não estava apenas se alimentando deles.

Estava aprisionando-os.

Orion avançou.

— Vou libertá-los.

A criatura abriu milhares de olhos.

Você não pode.

— Posso tentar.

Eles são parte de mim.

— Não.

Orion levantou o Núcleo Branco.

— Eles são vítimas.

A entidade atacou.

Uma onda negra atravessou o oceano.

Orion criou uma barreira.

A força o empurrou quilômetros.

Ele gritou.

A barreira começou a quebrar.

Então ouviu vozes.

Primeiro uma.

Depois duas.

Depois milhares.

Orion.

Ele reconheceu algumas.

Lyra.

Kael.

Asterion.

Mas também ouviu pessoas que nunca conhecera.

Todas conectadas pelo Nóvium.

Todos começaram a enviar energia.

Orion ficou mais forte.

A entidade recuou.

Não!

Orion avançou.

— Você nos conectou.

A energia branca cresceu.

— Você nos usou.

Mais energia.

— Você nos ensinou a lutar.

A entidade tentou fugir.

Orion segurou-a.

— Então agora vamos usar sua própria conexão contra você.

A criatura gritou.

O oceano azul começou a subir.

Na superfície, Éterion começou a afundar.

Não lentamente.

O planeta inteiro estava sendo puxado para dentro de uma gigantesca abertura dimensional.

Cidades desapareceram.

Montanhas foram consumidas.

As naves começaram a ser arrastadas.

Lyra segurou-se em uma estrutura.

— Segurem-se!

Kael agarrou uma coluna.

— O planeta está colapsando!

— Não!

Asterion gritou.

— Não é o planeta!

Lyra olhou para ele.

— Então o que é?

Asterion apontou para o céu.

— A prisão.

A entidade estava tentando arrancar-se de Éterion.

Se conseguisse, levaria consigo o núcleo.

E todas as consciências.

Kael olhou para a abertura.

— Orion está lá dentro.

Lyra respondeu:

— Então precisamos chegar até ele.

— Como?

Lyra olhou para as sete portas dimensionais.

A última ainda estava aberta.

— Por ali.

Kael sorriu.

— Você realmente não sabe quando parar.

— Aprendi com você.

Uma frota inteira começou a avançar.

Naves Solaris.

Naves Noxianas.

Naves rebeldes.

Naves alienígenas.

Todas seguiram Lyra.

A abertura dimensional cresceu.

A gravidade tornou-se quase insuportável.

Uma nave foi esmagada.

Outra desapareceu.

Kael observava os sensores.

— Estamos perdendo muitas.

Lyra respondeu:

— Continue.

— Se entrarmos ali, talvez não exista caminho de volta.

— Então vamos abrir um.

Dentro da entidade, Orion continuava lutando.

A criatura havia assumido uma forma ainda maior.

Seus braços cercavam o oceano.

Você não entende o que existe além de mim.

Orion respondeu:

— Então me mostre.

A entidade abriu uma passagem.

Orion viu algo além dela.

Um universo vazio.

Depois outro.

E outro.

Milhares de realidades.

Todas mortas.

Todas consumidas.

Então percebeu que a entidade também estava fugindo de alguma coisa.

— O que destruiu esses mundos?

A entidade não respondeu.

Orion insistiu.

— O que você teme?

Silêncio.

Então uma voz surgiu atrás dele.

Não era da entidade.

Não era de Lyra.

Não era de Kael.

Era a mesma voz que havia falado através da última porta.

Eu.

Orion virou-se.

Uma figura apareceu.

Seu rosto era humano.

Mas seus olhos continham galáxias inteiras.

A criatura sorriu.

Agora você finalmente chegou até mim.

Orion apertou o Núcleo Branco.

— Quem é você?

A figura deu um passo.

Aquele que estava esperando você nascer.

E, atrás dela, milhares de mundos mortos começaram a despertar ao mesmo tempo.

Na superfície de Éterion, Lyra viu o céu mudar.

As estrelas voltaram.

Uma.

Duas.

Milhares.

Mas não eram estrelas.

Eram olhos.

Todos observando o planeta.

Kael levantou a espada.

— Preparem-se.

Lyra olhou para a abertura.

— Orion ainda está lá.

Kael respondeu:

— Então temos que entrar.

A frota acelerou.

E, enquanto Éterion desaparecia no abismo azul, uma nova presença começou a atravessar a realidade.

Uma presença que até mesmo a entidade ancestral parecia temer.

E antes que Lyra pudesse descobrir o que estava vindo, uma mensagem apareceu simultaneamente em todos os sistemas da galáxia:

“O último portador despertou.”

Então todas as armas do universo começaram a disparar sozinhas.


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