A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 51 — O Duelo Supremo
As estrelas desapareceram.
O céu de Éterion tornou-se completamente negro.
Por alguns segundos, nem mesmo os sensores das naves conseguiram registrar alguma coisa.
Então uma luz surgiu no horizonte.
Vermelha.
Intensa.
Violenta.
Uma montanha inteira explodiu.
A onda de choque atravessou a planície e derrubou dezenas de soldados.
Kael foi lançado contra uma formação rochosa.
Seu corpo atravessou a pedra.
Ele caiu no chão.
Por alguns segundos, permaneceu imóvel.
Depois abriu os olhos.
Sangue escorria de sua testa.
Sua respiração estava pesada.
À sua frente, entre a fumaça e os destroços, uma figura caminhava lentamente.
Vark.
O antigo general estava coberto de ferimentos.
Seu uniforme havia desaparecido quase completamente.
Fragmentos de metal estavam presos ao corpo.
Mas ele ainda estava de pé.
E sorria.
— Levante-se.
Kael apoiou uma mão no chão.
— Ainda não terminou.
Vark continuou andando.
— Eu sei.
Kael se levantou.
A espada estava quebrada.
Seu braço esquerdo mal conseguia se mover.
Mesmo assim, ele permaneceu diante do antigo inimigo.
Ao redor deles, os exércitos haviam parado.
Solaris.
Nox.
Rebeldes.
Todos observavam.
Ninguém interferia.
Aquele duelo precisava terminar ali.
Vark abriu os braços.
Uma energia vermelha começou a surgir de seu corpo.
Não era mais apenas o poder do Nóvium.
Era algo diferente.
Uma mistura de energia artificial, fragmentos do Núcleo Absoluto e uma parte da força que ele havia roubado das estruturas de Éterion.
O chão começou a derreter.
Pedras flutuaram.
Montanhas distantes começaram a rachar.
Kael olhou ao redor.
— Você está destruindo o próprio planeta.
Vark respondeu:
— O planeta já está morto.
— Não.
Kael ergueu o rosto.
— Ainda há pessoas aqui.
Vark riu.
— Sempre esse discurso.
— Pessoas não são números.
— Para mim são.
Kael fechou a mão.
Uma energia azul-escura começou a envolver seu corpo.
— Então você nunca entendeu nada.
Vark avançou.
Kael também.
Os dois desapareceram.
Um impacto aconteceu no centro da planície.
A explosão criou uma cratera de quilômetros.
Soldados foram obrigados a recuar.
Lyra observava de uma colina distante.
— Kael...
Asterion estava ao lado dela.
— Não podemos interferir.
— Eu sei.
— Se tentarmos entrar no combate, os dois podem liberar energia suficiente para destruir esta região.
Lyra apertou os punhos.
— Então torça para Kael vencer.
Dentro da cratera, Kael e Vark lutavam.
Punho contra punho.
Energia contra energia.
Cada golpe produzia uma explosão.
Kael acertou Vark no peito.
Vark foi lançado contra uma montanha.
A montanha desabou.
Antes que os destroços caíssem, Vark saiu deles.
Ele atacou.
Kael bloqueou.
O impacto quebrou o chão sob seus pés.
Vark acertou seu rosto.
Kael cambaleou.
Outro golpe.
Outro.
Kael foi empurrado dezenas de metros.
Vark segurou-o pelo pescoço.
— Você sempre foi fraco.
Kael tentou respirar.
— Talvez.
Vark o levantou.
— Eu poderia acabar com você agora.
Kael sorriu.
— Então por que não acaba?
Vark hesitou.
Foi o suficiente.
Kael concentrou energia na mão direita.
Uma explosão atingiu o rosto de Vark.
O general soltou-o.
Kael caiu.
Vark cambaleou.
Kael correu.
Os dois se chocaram novamente.
Desta vez, a força do impacto abriu uma rachadura de quilômetros na planície.
A batalha não era mais apenas entre dois homens.
Era uma colisão entre duas visões.
Vark acreditava que a galáxia precisava de um governante absoluto.
Kael havia aprendido que ninguém deveria possuir o destino de bilhões.
Vark queria controle.
Kael queria escolha.
E naquele momento, cada golpe carregava anos de guerra.
Cada ferimento carregava os nomes daqueles que haviam morrido.
Kael lembrou-se dos soldados que comandara.
Lembrou-se das colônias destruídas.
Das crianças evacuadas.
Dos amigos mortos.
Dos homens que obedeceram suas ordens até o fim.
E percebeu algo.
Ele não lutava para vencer Vark.
Lutava para impedir que outra geração precisasse fazer aquilo.
Vark levantou as mãos.
A energia vermelha se concentrou entre seus dedos.
— Você acha que pode mudar a galáxia?
Kael respondeu:
— Não.
— Então por que luta?
Kael avançou.
— Porque alguém precisa começar.
Vark lançou o ataque.
Um feixe vermelho gigantesco atravessou a planície.
Kael colocou os dois braços à frente.
Uma barreira surgiu.
O impacto foi monstruoso.
Kael foi empurrado para trás.
Seus pés abriram sulcos no chão.
A barreira começou a rachar.
— Kael! — gritou Lyra.
Ele não respondeu.
A energia aumentou.
Seu corpo começou a tremer.
O chão abaixo dele começou a afundar.
Vark riu.
— Você não consegue!
Kael olhou para ele.
— Não sozinho.
De repente, milhares de pequenas luzes apareceram atrás dele.
Soldados.
Portadores.
Sobreviventes.
Não estavam entregando suas vidas.
Estavam compartilhando energia.
A frota havia entendido.
Kael não precisava lutar sozinho.
O poder começou a atravessar os soldados.
De Solaris para Nox.
De Nox para os rebeldes.
Dos rebeldes para os sobreviventes de Éterion.
Uma enorme corrente energética envolveu Kael.
Vark ficou sério.
— O que você fez?
Kael respondeu:
— Parei de tentar vencer sozinho.
Vark rugiu.
A energia vermelha ao redor dele cresceu.
— Então eu também não lutarei sozinho!
Ele abriu os braços.
O céu ficou vermelho.
As estruturas do antigo Núcleo Absoluto começaram a liberar energia.
Torres subterrâneas despertaram.
Montanhas começaram a se partir.
O poder de Vark aumentou até ultrapassar tudo que Kael já havia visto.
Asterion olhou para os sensores.
— Isso é impossível.
Lyra perguntou:
— O que aconteceu?
— Ele está usando a energia residual do Núcleo Absoluto.
— Quanto?
Asterion respondeu:
— Toda.
Lyra ficou pálida.
— Toda a energia?
— Sim.
— Então o que vai acontecer?
Asterion olhou para o horizonte.
— Se Kael não derrotá-lo...
Uma montanha explodiu.
— ...Éterion não sobreviverá.
Vark avançou.
Desta vez, Kael não conseguiu acompanhar.
O primeiro golpe atingiu seu abdômen.
Ele foi lançado pelo ar.
Vark apareceu atrás dele.
Outro golpe.
Kael caiu.
Vark desceu em alta velocidade.
Kael tentou levantar.
Tarde demais.
O impacto abriu uma cratera.
Pedras voaram.
Vark pousou no centro.
Kael estava no fundo.
Seu uniforme estava destruído.
Uma fratura atravessava seu braço.
Sangue escorria de sua boca.
Vark aproximou-se.
— Acabou.
Kael tentou levantar.
Caiu novamente.
Vark colocou o pé sobre seu peito.
— Você perdeu.
Kael respirou com dificuldade.
— Ainda não.
Vark pressionou mais.
— Olhe para você.
Kael levantou os olhos.
— Estou olhando.
— Está morrendo.
— Todo mundo morre.
— Então por que continuar?
Kael sorriu.
— Porque você ainda está com medo.
O sorriso de Vark desapareceu.
— Eu não tenho medo.
— Tem.
Kael segurou o tornozelo dele.
— Você tem medo de um universo onde ninguém obedece você.
Vark ficou furioso.
— Cale-se!
Ele levantou a mão.
Uma lâmina de energia surgiu.
Lyra gritou:
— KAEL!
Vark desceu o golpe.
Kael desviou por centímetros.
A lâmina atingiu o chão.
Kael segurou o braço de Vark.
E começou a concentrar toda a energia restante.
A explosão foi vista do outro lado do planeta.
Uma coluna de luz azul atravessou as nuvens.
Vark foi lançado para o alto.
Kael também.
Os dois ficaram suspensos.
Por um instante, pareciam pequenas sombras diante da energia.
Então começaram a cair.
Vark se recuperou primeiro.
Parou no ar.
Kael tentou fazer o mesmo.
Seu corpo falhou.
Ele caiu.
Vark sorriu.
— Eu venci.
Uma voz surgiu atrás dele.
— Ainda não.
Era Kael.
Vark virou-se.
Kael estava de pé no ar.
Mas havia algo diferente.
Seus olhos brilhavam.
A energia que o envolvia não era mais apenas azul.
Havia uma faixa branca.
A energia do Núcleo Branco.
Asterion arregalou os olhos.
— Não.
Lyra perguntou:
— O quê?
— Kael está conectado ao Núcleo Branco.
— Como?
— Não sei.
Kael levantou a mão.
Vark ficou imóvel.
— Você não pode controlar isso.
Kael respondeu:
— Não preciso controlar.
— Então o quê?
— Preciso confiar.
Kael fechou os olhos.
Pensou em tudo.
No exército.
Na guerra.
Em Lyra.
Em Orion.
Nos soldados que haviam abandonado suas armas.
Naqueles que tinham escolhido viver.
Então ouviu uma voz.
Orion.
Muito distante.
— Kael.
Ele abriu os olhos.
— Orion?
— Não lute com ódio.
Kael respirou.
— Então com o quê?
A voz respondeu:
— Com aquilo que você quer proteger.
Kael olhou para Éterion.
Viu as cidades.
As naves.
Os sobreviventes.
Lyra.
E sorriu.
— Entendi.
Vark lançou todo o seu poder.
Uma onda vermelha atravessou o céu.
Kael avançou contra ela.
Os dois poderes se encontraram.
O planeta inteiro tremeu.
Montanhas explodiram.
Oceanos se levantaram.
Florestas foram arrancadas.
As nuvens desapareceram.
A atmosfera ficou completamente iluminada.
Os soldados precisaram se proteger.
A colisão criou uma esfera de energia gigantesca.
No centro dela estavam Kael e Vark.
Vark gritava.
— MORRA!
Kael respondeu:
— NÃO!
A energia branca começou a atravessar a vermelha.
Vark resistiu.
— Eu sou o futuro!
Kael avançou.
— Não.
Outro passo.
— Você é o passado.
Outro.
— E o passado...
A energia branca envolveu completamente Kael.
— ...não decide o que vem depois.
Kael golpeou.
O punho atingiu o peito de Vark.
O impacto atravessou a barreira.
Vark foi lançado para longe.
Ele caiu sobre uma montanha.
A montanha se partiu ao meio.
Vark tentou levantar.
Seu braço direito não respondia.
Seu poder havia desaparecido quase completamente.
Ele olhou para Kael.
O general permanecia suspenso no ar.
Mas estava gravemente ferido.
Sangue escorria por seu corpo.
Um dos joelhos estava quebrado.
Seu braço esquerdo estava completamente imóvel.
Mesmo assim, ele continuava de pé.
Vark tentou concentrar energia.
Nada.
— Não...
Kael pousou lentamente.
— Acabou, Vark.
— Não.
— Terminou.
— Eu ainda posso lutar.
Vark tentou levantar.
Caiu.
Kael aproximou-se.
— Não precisa morrer.
Vark olhou para ele.
— Depois de tudo que fiz?
— Sim.
— Você me deixaria viver?
Kael respondeu:
— Se você aceitar responder por tudo.
Vark riu.
— Você ainda acredita em justiça.
Kael olhou para ele.
— Alguém precisa acreditar.
Vark tentou atacar.
Seu punho quase não tinha força.
Kael segurou-o.
— Chega.
Vark caiu de joelhos.
Pela primeira vez desde que havia tomado o controle dos rebeldes, Vark estava completamente derrotado.
Sem exército.
Sem armas.
Sem poder.
Sem seguidores.
Kael olhou para os soldados que observavam.
— Prendam-no.
Dois soldados avançaram.
Vark não resistiu.
A notícia espalhou-se instantaneamente.
Vark havia sido derrotado.
As forças que ainda lutavam começaram a se render.
Canhões foram desligados.
Naves pousaram.
Batalhões inteiros abandonaram as posições.
Pela primeira vez, os soldados de Solaris e Nox comemoraram juntos.
Alguns se abraçaram.
Outros simplesmente sentaram no chão.
Muitos choraram.
Não por tristeza.
Por alívio.
A guerra contra Vark havia terminado.
Mas Kael não comemorou.
Ele caiu.
Lyra correu.
— KAEL!
Ela o segurou antes que atingisse o chão.
— Médico!
Kael tentou falar.
— Vark...
— Está vivo.
— Prenderam?
— Sim.
Kael respirou.
— Ótimo.
Lyra olhou para os ferimentos.
— Você perdeu muito sangue.
— Já estive pior.
— Não.
Ela balançou a cabeça.
— Nunca esteve.
Kael tentou sorrir.
— Então acho que estou melhorando.
Lyra segurou sua mão.
— Não faça piada.
Kael fechou os olhos.
— Orion?
Lyra olhou para o céu.
— Ainda não voltou.
Kael abriu os olhos novamente.
— Então a batalha não terminou.
Lyra respondeu:
— Não.
Muito abaixo deles, Vark foi levado para uma prisão improvisada.
Mas, quando passou por uma antiga estrutura subterrânea, parou.
Os soldados tentaram continuar.
— General, continue.
Vark não respondeu.
Ele estava olhando para uma parede.
Havia símbolos ali.
Os mesmos símbolos que apareciam nos antigos templos.
Vark aproximou-se.
Um dos soldados puxou-o.
— Vamos.
Vark resistiu.
— Esperem.
— O quê?
Ele apontou.
— Isso não estava aqui antes.
Os soldados olharam.
As inscrições começaram a brilhar.
Uma frase surgiu.
“Quando o guerreiro vermelho cair, o verdadeiro portador despertará.”
Vark ficou pálido.
— Não...
Um soldado perguntou:
— O que significa?
Vark respondeu:
— Vocês ainda não venceram.
— Cala a boca.
— Vocês não entendem.
As luzes ficaram mais intensas.
Vark continuou:
— Eu era apenas uma distração.
No campo de batalha, Lyra recebeu uma transmissão de Asterion.
— Capitã.
— Fale.
— Encontramos alguma coisa.
— O quê?
— A derrota de Vark ativou uma estrutura subterrânea.
Lyra olhou para Kael.
— Onde?
— Debaixo da montanha onde ele caiu.
Kael tentou levantar.
Lyra o impediu.
— Você não vai.
— Eu vou.
— Você mal consegue ficar em pé.
— Então vou sentado.
Ela quase sorriu.
— Você é impossível.
Kael respirou fundo.
— Se aquela estrutura foi ativada por Vark...
Ele olhou para o horizonte.
— ...precisamos descobrir por quê.
Enquanto isso, em algum lugar além da realidade, Orion observava.
Ele havia sentido a vitória de Kael.
Mas também havia sentido algo mais.
Uma nova presença.
Uma consciência despertando.
Ele fechou os olhos.
— Então era isso.
A entidade ancestral apareceu ao seu lado.
— O quê?
Orion respondeu:
— Vark nunca foi o último inimigo.
— Não.
— Ele foi usado.
— Sim.
— Como todos nós.
A entidade permaneceu em silêncio.
Orion olhou para a escuridão.
— Mas quem o usou?
A resposta demorou.
— Aquele que está vindo.
Orion sentiu uma presença aproximar-se.
Muito distante.
Mas cada vez mais próxima.
— Ele está acordando.
A entidade respondeu:
— Não.
Orion virou-se.
— Não?
— Ele nunca dormiu.
De volta a Éterion, Kael foi colocado em uma nave médica.
Lyra permaneceu ao lado dele.
Os médicos trabalhavam rapidamente.
— Fratura múltipla.
— Hemorragia interna.
— Perda grave de energia.
— Preparem estabilizador.
Kael abriu os olhos.
— Quanto tempo?
O médico respondeu:
— Se ficar parado, talvez sobreviva.
Kael olhou para Lyra.
— Então vou ficar parado.
Ela cruzou os braços.
— Pela primeira vez, você disse algo inteligente.
Kael sorriu.
Mas então todos os instrumentos começaram a apitar.
As luzes da nave piscaram.
Asterion entrou correndo.
— Lyra!
— O que aconteceu?
— O núcleo subterrâneo.
— O que tem ele?
Asterion mostrou um holograma.
Uma estrutura estava surgindo abaixo da superfície.
Era enorme.
Muito maior do que qualquer construção antiga conhecida.
Kael olhou para a imagem.
— Isso estava enterrado aqui?
— Sim.
— Por quanto tempo?
Asterion respondeu:
— Desde antes da existência de Éterion.
Lyra franziu a testa.
— Então quem construiu?
Asterion não respondeu.
O holograma mudou.
Mostrou sete estruturas.
Depois setenta.
Depois milhares.
Espalhadas por toda a galáxia.
Kael ficou em silêncio.
— Não são armas.
Asterion confirmou.
— Não.
Lyra perguntou:
— Então o que são?
Asterion ampliou a imagem central.
Uma palavra antiga apareceu.
PORTADORES.
Kael respirou fundo.
— Portadores de quê?
Asterion respondeu:
— De mundos.
No mesmo instante, Vark abriu os olhos dentro da prisão.
Os soldados haviam colocado algemas de contenção em seus pulsos.
Ele estava sentado sozinho.
Uma pequena luz vermelha surgiu diante dele.
Vark olhou.
— Você voltou.
A voz respondeu:
— Eu nunca fui embora.
Vark cerrou os dentes.
— O que você quer?
— Nada de você.
— Então por que está aqui?
— Porque você cumpriu sua função.
Vark ficou imóvel.
— Qual função?
A luz vermelha aproximou-se.
— Você abriu o caminho.
Vark olhou para o chão.
Uma rachadura surgiu.
Energia negra começou a escapar.
— O que está acontecendo?
A voz respondeu:
— A próxima guerra começou.
Vark levantou-se lentamente.
As algemas começaram a derreter.
— Não.
Ele olhou para a luz.
— Eu não vou ajudá-lo.
A voz riu.
— Você não precisa.
As paredes da prisão começaram a tremer.
— Agora, todos vocês já estão envolvidos.
Na superfície, o céu ficou vermelho.
Depois azul.
Depois completamente branco.
Os soldados olharam para cima.
Uma enorme sombra apareceu atrás das nuvens.
Não era uma nave.
Não era uma criatura.
Era uma cidade.
Uma cidade gigantesca suspensa no espaço.
Uma cidade que não deveria existir.
Suas torres tinham milhares de quilômetros.
Seus edifícios pareciam montanhas.
E no centro havia um símbolo.
O mesmo símbolo encontrado nos templos.
Orion sentiu a presença.
Lyra olhou para Kael.
Kael, ainda ferido, tentou levantar-se.
— Não...
Lyra perguntou:
— O que foi?
Kael observou a cidade.
— Eu já vi isso.
— Onde?
— Nos sonhos.
A cidade começou a descer.
As montanhas de Éterion começaram a tremer.
Os oceanos foram empurrados.
As frotas entraram em alerta.
E uma transmissão surgiu em todos os sistemas.
Uma voz falou:
— Kael.
Ele ficou imóvel.
A voz continuou:
— Você venceu o homem errado.
Kael olhou para o céu.
A cidade abriu milhares de portões.
Naves começaram a sair.
Milhões delas.
Uma frota maior do que todas as forças de Solaris e Nox reunidas.
Lyra apertou sua mão.
— O que fazemos agora?
Kael, ainda sangrando, encarou a armada que cobria o céu.
— Primeiro...
Ele respirou com dificuldade.
— ...descobrimos quem está comandando.
Muito longe dali, dentro do núcleo de Éterion, Orion abriu os olhos.
E, pela primeira vez, não havia apenas uma voz dentro de sua mente.
Havia milhares.
Todas dizendo a mesma coisa:
“Eles chegaram.”
Orion olhou para a escuridão.
Uma enorme porta começou a se abrir.
E atrás dela surgiu uma figura que tinha o mesmo rosto de Orion.
Mas não era Orion.
Era algo muito mais antigo.
Algo que havia observado a humanidade desde antes do primeiro império.
A figura sorriu.
E disse:
— Agora, o verdadeiro duelo vai começar.

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