A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 53 — Silêncio nas Estrelas
As estrelas continuaram apagadas.
Durante horas.
Talvez dias.
Ninguém sabia dizer.
Sem as estrelas, os sistemas de navegação perderam seus pontos de referência. Os mapas ficaram inúteis. As antigas rotas interestelares desapareceram das telas. Até mesmo os sensores mais avançados encontravam apenas um vazio absoluto.
E, pela primeira vez em milhares de anos, a galáxia ficou em silêncio.
Não havia grandes frotas avançando.
Não havia canhões disparando.
Não havia transmissões de guerra.
Não havia ordens de ataque.
Apenas silêncio.
Éterion permanecia suspenso no espaço.
O planeta ainda existia.
Mas parecia morto.
As tempestades haviam desaparecido.
Os oceanos estavam imóveis.
As montanhas não tremiam mais.
As antigas estruturas subterrâneas tinham parado de emitir energia.
Até o brilho azul que costumava cobrir o planeta havia desaparecido.
Éterion estava completamente escuro.
As primeiras naves começaram a pousar.
Solaris.
Nox.
Rebeldes.
Alienígenas.
Todos pousaram em regiões diferentes.
Ninguém sabia se deveria atacar.
Ninguém tinha coragem.
Soldados que, poucos dias antes, teriam matado uns aos outros agora caminhavam pelas mesmas ruas destruídas.
Alguns trocavam olhares desconfiados.
Outros simplesmente continuavam andando.
Os uniformes ainda eram diferentes.
As bandeiras também.
Mas todos carregavam o mesmo cansaço.
A guerra havia finalmente parado.
Não porque alguém havia vencido.
Mas porque ninguém mais conseguia continuar.
Lyra caminhava entre os destroços de uma antiga cidade.
As ruínas estavam cobertas por uma fina camada de poeira azul.
Ela passou por uma parede quebrada.
Encontrou marcas de explosões.
Um antigo veículo de transporte estava parcialmente enterrado.
Mais adiante, havia um abrigo.
Centenas de sobreviventes estavam sendo tratados por médicos de Solaris e Nox.
Uma criança dormia enrolada em um cobertor.
Outra segurava um pequeno brinquedo metálico.
Lyra parou.
Observou a cena.
Então perguntou:
— Alguma notícia?
Um médico levantou os olhos.
— De Orion?
Ela assentiu.
— Nada.
Lyra continuou andando.
Cada vez que perguntava, recebia a mesma resposta.
Nada.
Nenhum sinal.
Nenhuma transmissão.
Nenhuma assinatura energética.
Nenhuma pista.
Orion havia desaparecido.
Kael estava diante de uma montanha destruída.
Era o local onde havia enfrentado Vark.
As marcas da batalha ainda estavam visíveis.
Vales inteiros haviam sido abertos.
Montanhas tinham sido partidas ao meio.
Rochas estavam derretidas.
O solo permanecia coberto por cristais vermelhos e brancos.
Kael ficou imóvel.
Um soldado aproximou-se.
— General.
Kael não respondeu.
— Precisamos voltar para a base.
— Vá.
— E o senhor?
Kael continuou olhando para as montanhas.
— Eu fico.
O soldado hesitou.
— General...
— Eu disse para ir.
O soldado partiu.
Kael ficou sozinho.
Durante alguns minutos, não fez nada.
Então retirou a espada.
A arma estava quebrada.
Ele a observou.
Era a mesma espada que carregara durante anos.
Usada em batalhas.
Execuções.
Conquistas.
Revoltas.
E agora estava partida.
Kael soltou-a no chão.
— Chega.
Mais tarde, uma reunião foi convocada.
Representantes de Solaris.
Nox.
Colônias independentes.
Povos de Éterion.
Sobreviventes alienígenas.
Todos reunidos em uma estrutura improvisada.
Não havia tronos.
Não havia bandeiras.
Apenas uma mesa.
Lyra entrou.
Kael já estava lá.
Os dois trocaram um olhar.
Um representante de Solaris falou:
— Precisamos reorganizar as forças.
Outro respondeu:
— Precisamos reconstruir as colônias.
Um comandante Noxiano interrompeu:
— Antes disso, precisamos determinar quem é responsável por tudo isso.
O salão ficou em silêncio.
Todos olharam para Kael.
Ele não desviou.
— Eu sou.
Lyra imediatamente falou:
— Kael...
Ele levantou a mão.
— Não.
Kael ficou de pé.
— Deixem-me falar.
Ninguém interrompeu.
— Eu comandei exércitos.
— Ordenei ataques.
— Autorizei experimentos com Nóvium.
Alguns soldados abaixaram os olhos.
— Ordenei testes em seres humanos.
— Destruí cidades.
— Enviei soldados para mundos onde sabia que provavelmente morreriam.
Kael respirou fundo.
— Durante anos, acreditei que estava protegendo Nox.
Ele olhou para os representantes.
— Mas estava protegendo uma ideia.
Silêncio.
— Uma bandeira.
— Um império.
— Um sistema que precisava continuar existindo para justificar tudo aquilo que eu havia feito.
Lyra observava.
Kael continuou:
— Quando percebi a verdade, já era tarde.
Um representante de uma colônia destruída levantou-se.
— E quantas pessoas morreram sob suas ordens?
Kael respondeu:
— Não sei.
— Milhares?
— Sim.
— Milhões?
Kael baixou os olhos.
— Talvez.
O homem se aproximou.
— E você espera que apenas dizer isso resolva?
Kael balançou a cabeça.
— Não.
— Então o que pretende fazer?
Kael olhou para todos.
— Carregar a culpa.
Um murmúrio percorreu o salão.
Kael continuou:
— Não quero absolvição.
— Não quero um título.
— Não quero um monumento.
— Não quero que escrevam meu nome como herói.
Ele colocou a espada quebrada sobre a mesa.
— Quero que todos se lembrem do que fizemos.
Lyra percebeu a intenção.
— Kael...
Ele continuou:
— Se começarmos a reconstruir sem lembrar da guerra, faremos outra.
Um antigo comandante de Solaris respondeu:
— Você está dizendo que todos são culpados?
Kael olhou para ele.
— Não.
— Então quem é?
Kael ficou em silêncio por alguns segundos.
— A entidade manipulou nossas decisões.
— Mas não segurou nossas mãos.
A frase atingiu o salão.
— Nós escolhemos.
— Nós obedecemos.
— Nós atacamos.
— Nós matamos.
— E agora precisamos escolher outra coisa.
Uma sobrevivente levantou-se.
— O quê?
Kael respondeu:
— Paz.
A palavra parecia estranha.
Depois de tantos anos de guerra, quase ninguém sabia como praticá-la.
Os primeiros acordos foram simples.
Nenhum disparo contra outra nave.
Nenhuma ocupação.
Nenhuma extração de Nóvium sem autorização.
Nenhum experimento.
Nenhum exército poderia avançar sobre território de outro povo.
As armas orbitais seriam desligadas.
As frotas seriam reduzidas.
Parecia impossível.
Mas começou.
Em poucas semanas, as primeiras bases conjuntas surgiram.
Médicos Noxianos trabalhavam ao lado de cientistas Solaris.
Engenheiros das antigas civilizações ajudavam a reconstruir sistemas de energia.
Civis voltavam para as cidades.
Crianças começaram a frequentar escolas novamente.
Mercadores retomaram as rotas.
As pessoas começaram a falar de futuro.
Mas sempre havia uma pergunta.
— Onde está Orion?
Lyra não desistia.
Todos os dias, ela visitava o antigo núcleo.
O local permanecia completamente silencioso.
Ela entrava sozinha.
Caminhava até o ponto onde Orion havia desaparecido.
Sentava-se no chão.
E esperava.
Às vezes falava.
Mesmo sabendo que talvez ninguém pudesse ouvi-la.
— Hoje reconstruíram o setor norte.
Silêncio.
— As crianças estão bem.
Silêncio.
— Kael está tentando convencer os governos a acabar com os exércitos.
Silêncio.
— Ele está péssimo nisso.
Ela sorria.
— Mas está tentando.
Mais silêncio.
Lyra olhava para o vazio.
— Você teria gostado de ver.
Nada.
— Orion...
Ela fechava os olhos.
— Onde você está?
Certa noite, algo aconteceu.
Lyra estava sozinha no núcleo quando ouviu um som.
Um único pulso.
Azul.
Ela levantou imediatamente.
— Orion?
Nada.
Então outro pulso.
Mais fraco.
Lyra correu até a estrutura central.
Os sensores estavam desligados.
Mas ela não precisava deles.
Sentia.
Uma presença.
Muito distante.
Muito pequena.
Mas real.
Ela colocou a mão sobre a superfície cristalina.
— Sou eu.
O núcleo respondeu.
Uma imagem apareceu.
Não era uma transmissão.
Era uma memória.
Orion.
Ele estava em um lugar desconhecido.
Caminhava por uma cidade enorme.
Ao redor dele havia seres semelhantes aos antigos.
Mas todos estavam mortos.
Orion caminhava entre eles.
Parecia procurar alguma coisa.
Então a imagem desapareceu.
Lyra ficou imóvel.
— Você está vivo.
O núcleo não respondeu.
Ela tocou novamente.
Outra imagem surgiu.
Orion estava diante de uma porta.
Uma porta gigantesca.
Atrás dela havia luz azul.
Ele parecia assustado.
Então uma figura apareceu.
Lyra não conseguia ver seu rosto.
Mas ouviu a voz.
— Você não deveria ter vindo.
Orion respondeu:
— Eu precisava saber a verdade.
A figura levantou a mão.
A imagem desapareceu.
Lyra recuou.
— Asterion!
Asterion chegou minutos depois.
Kael veio com ele.
Lyra mostrou a gravação.
Asterion analisou cada detalhe.
— Isso é impossível.
— Você sempre diz isso.
— Porque deveria ser.
Kael perguntou:
— Onde ele está?
Asterion ampliou a imagem.
— Não sei.
— Descubra.
— Estou tentando.
Uma sequência de símbolos apareceu.
Asterion ficou imóvel.
— Esses símbolos...
— O quê?
— São coordenadas.
Lyra aproximou-se.
— Para onde?
Asterion começou a comparar os padrões.
Depois de alguns minutos, encontrou uma correspondência.
— Existe um sistema.
Kael perguntou:
— Onde?
Asterion hesitou.
— Fora dos mapas.
— Isso não existe.
— Agora existe.
Ele mostrou a localização.
Uma região vazia da galáxia.
— Nenhuma estrela.
— Nenhum planeta catalogado.
— Nenhuma rota.
Lyra respondeu:
— Então é para lá que vamos.
Kael olhou para ela.
— Não.
Lyra virou-se.
— O quê?
— Você não vai.
— Eu vou.
— É perigoso.
— Orion está lá.
— Exatamente.
Lyra encarou Kael.
— Você acha que vou deixá-lo sozinho?
Kael ficou em silêncio.
— Não.
Ele respirou fundo.
— Eu vou com você.
Nos meses seguintes, uma nova missão começou a ser preparada.
Não seria uma frota de guerra.
Não haveria milhares de naves.
Não haveria armas pesadas.
A missão seria pequena.
Uma nave.
Uma tripulação.
Lyra.
Kael.
Asterion.
Alguns cientistas.
E representantes das antigas civilizações.
O objetivo era simples.
Encontrar Orion.
Mas ninguém sabia o que encontrariam.
Antes da partida, Kael voltou ao local onde havia derrotado Vark.
Levou consigo a espada quebrada.
Enterrou-a no chão.
Um soldado perguntou:
— Por que deixou sua arma?
Kael respondeu:
— Porque não quero precisar dela novamente.
O soldado ficou em silêncio.
— General...
Kael olhou para o horizonte.
— Não me chame de general.
— Como devo chamá-lo?
Kael pensou por alguns segundos.
— Kael.
O soldado assentiu.
— Kael.
Era a primeira vez em décadas que alguém falava seu nome sem um título.
Ele sorriu.
— Melhor.
Lyra observava a cidade.
Ainda havia destruição.
Mas havia também vida.
Crianças brincavam perto das ruínas.
Pessoas reconstruíam casas.
Naves civis voltavam a cruzar o céu.
Um pequeno mercado havia sido instalado perto da antiga praça.
Éterion estava silencioso.
Mas não estava morto.
Lyra tocou o solo.
— Nós vamos voltar.
Kael aproximou-se.
— Você promete?
Lyra olhou para ele.
— Prometo.
A nave partiu.
Éterion ficou para trás.
Asterion acompanhava os instrumentos.
— Coordenadas inseridas.
Kael estava diante da janela.
— Quanto tempo?
— Se os cálculos estiverem certos, três dias.
Lyra sentou-se.
— E se estiverem errados?
Asterion respondeu:
— Então podemos passar meses vagando pelo espaço.
Kael sorriu.
— Ótimo.
Lyra olhou para ele.
— Você está aprendendo a fazer piadas.
— Não.
— Está sim.
— É desespero.
Ela riu.
Pela primeira vez em muito tempo, os três riram.
Mas o momento durou pouco.
Uma luz apareceu no painel.
Asterion franziu a testa.
— Temos companhia.
Kael imediatamente ficou alerta.
— Nave inimiga?
— Não.
— Então o quê?
Asterion ampliou o sinal.
— Não é uma nave.
Lyra aproximou-se.
— O que é?
Asterion respondeu:
— Um sinal.
— De onde?
Ele olhou para os dados.
— Daquela região vazia.
Kael ficou sério.
— Orion?
Asterion não sabia.
O sinal começou a transmitir.
Uma sequência de pulsos.
Azul.
Branco.
Azul.
Branco.
Lyra reconheceu o padrão.
— É o mesmo do núcleo.
Asterion começou a decodificar.
Uma mensagem apareceu.
Apenas quatro palavras.
NÃO VENHAM ATÉ MIM.
Lyra ficou imóvel.
Kael perguntou:
— Foi Orion?
Asterion respondeu:
— Não sei.
Então uma segunda mensagem apareceu.
ELE JÁ SABE.
As luzes da nave piscaram.
Todos os sistemas desligaram.
A escuridão tomou a cabine.
Por alguns segundos, ninguém se moveu.
Então uma voz surgiu nos alto-falantes.
Uma voz humana.
Muito baixa.
— Lyra...
Ela congelou.
Era Orion.
— Orion?
A voz voltou.
— Não confie em Kael.
Kael ficou imóvel.
— O quê?
Lyra olhou para ele.
A transmissão continuou:
— Ele não sabe o que carrega dentro dele.
Kael levou a mão ao peito.
— Isso não faz sentido.
Asterion analisou o sinal.
— A voz é dele.
Lyra perguntou:
— Você tem certeza?
— Cem por cento.
Kael balançou a cabeça.
— Não.
Então outra voz surgiu.
Mais profunda.
Mais antiga.
— Ele está dizendo a verdade.
Kael recuou.
Lyra levantou-se.
— Quem está falando?
Silêncio.
Então a resposta veio:
— Aquilo que despertou dentro dele.
Kael sentiu uma energia percorrer seu corpo.
As cicatrizes deixadas pelo Nóvium começaram a brilhar.
Lyra percebeu.
— Kael...
Ele olhou para as próprias mãos.
Linhas azuis surgiam sob sua pele.
— Eu não sabia.
Asterion correu até os instrumentos.
— Isso não estava nos registros.
Kael fechou os olhos.
Uma lembrança surgiu.
Uma memória que não era dele.
Uma cidade antiga.
Uma sala.
Um grupo de seres.
E uma figura colocando algo dentro de um soldado.
Dentro dele.
Kael abriu os olhos.
— Eles fizeram isso comigo.
Lyra perguntou:
— Quem?
Kael respondeu:
— Os antigos.
A nave começou a tremer.
A região vazia à frente deixou de ser vazia.
Uma enorme estrutura apareceu.
Não surgiu de um portal.
Ela simplesmente passou a existir.
Era maior que uma cidade.
Maior que uma lua.
Uma construção colossal coberta por luzes azuis.
Asterion perdeu a fala.
Kael olhou para ela.
Lyra também.
No centro da estrutura havia uma única porta.
E sobre a porta estava gravado um símbolo.
O mesmo símbolo que Orion carregava desde o primeiro contato com o Nóvium.
A nave começou a ser puxada.
— Controle! — gritou Lyra.
Asterion tentou assumir os motores.
— Não respondem!
Kael concentrou energia.
Nada.
A estrutura estava atraindo a nave.
Lyra segurou-se na cadeira.
— O que é aquilo?
Asterion respondeu:
— Não sei.
Então a porta se abriu.
Do outro lado havia milhares de pessoas.
Todas usando roupas antigas.
Todas imóveis.
Todas olhando para a nave.
E, no centro delas, estava Orion.
Vivo.
Mas completamente diferente.
Seus olhos brilhavam intensamente.
Ele levantou a mão.
A nave parou.
Lyra correu para a janela.
— Orion!
Ele olhou diretamente para ela.
Mesmo a uma distância impossível, ela sentiu que ele estava olhando dentro de sua alma.
Então Orion falou.
Não através dos comunicadores.
A voz surgiu diretamente dentro da mente de todos.
— Vocês não deveriam ter vindo.
Lyra respondeu:
— Eu prometi que viria buscar você.
Orion baixou os olhos.
— Eu sei.
Kael aproximou-se da janela.
— O que fizeram com você?
Orion olhou para ele.
Seu rosto ficou sério.
— Nada.
— Então por que está diferente?
Orion ficou em silêncio.
Depois respondeu:
— Porque finalmente descobri quem eu sou.
Lyra sentiu um arrepio.
— E quem é você?
Orion levantou os olhos.
Atrás dele, as milhares de figuras começaram a se ajoelhar.
A estrutura inteira despertou.
E, muito abaixo da nave, algo colossal abriu os olhos.
Orion respondeu:
— O último Portador Azul.
Uma pausa.
— E o primeiro que voltou.
Kael sentiu a energia dentro do próprio corpo aumentar.
Orion percebeu.
Seu rosto mudou.
— Não...
Lyra perguntou:
— O que foi?
Orion olhou para Kael.
— Eles encontraram você também.
Kael ficou imóvel.
— Quem?
As paredes da gigantesca estrutura começaram a emitir uma luz vermelha.
Orion recuou.
— Os que estavam esperando o fim da guerra.
Asterion olhou para os sensores.
Milhares de sinais apareceram.
Depois milhões.
Naves começaram a surgir ao redor da estrutura.
Não eram naves antigas.
Eram novas.
Construídas com tecnologia desconhecida.
Uma frota inteira.
Depois outra.
Depois outra.
Lyra observou o espaço sendo preenchido.
— Quantas?
Asterion não respondeu.
Kael perguntou novamente:
— Quantas?
Asterion finalmente falou:
— Mais do que conseguimos contar.
Orion olhou para eles.
— Agora vocês entendem por que eu pedi para não virem.
Lyra aproximou-se da janela.
— Não importa quantos sejam.
Orion balançou a cabeça.
— Você não entende.
— Então me explique.
Orion hesitou.
E pela primeira vez desde que havia desaparecido, parecia realmente assustado.
— Eles não vieram para conquistar a galáxia.
Lyra perguntou:
— Então vieram para quê?
Orion olhou para Kael.
Depois para Lyra.
E respondeu:
— Vieram para apagar tudo o que aconteceu antes de nós.
Atrás dele, uma gigantesca máquina começou a despertar.
E, em algum ponto distante do universo, uma estrela voltou a nascer.
Mas ela não brilhava.
Ela estava se apagando.

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