A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 55 — Ecos do Poder

 Depois que as estrelas voltaram, a galáxia nunca mais foi a mesma.

Os primeiros dias foram marcados pelo medo.

Os governos diziam que a guerra havia acabado.

Os cientistas diziam que Éterion estava estável.

Os militares diziam que as fronteiras estavam seguras.

Mas ninguém acreditava completamente em nenhuma dessas afirmações.

Havia algo diferente no universo.

Uma mudança quase imperceptível.

Como se a energia liberada durante o colapso das portas tivesse deixado uma cicatriz em todos os mundos.

E essa cicatriz estava começando a aparecer dentro das pessoas.


A primeira ocorrência aconteceu em uma pequena cidade reconstruída nas antigas colônias de Solaris.

Uma menina de oito anos estava brincando em uma praça.

Ela segurava uma pequena esfera de metal.

A mãe conversava com outras mulheres alguns metros atrás.

A menina deixou a esfera cair.

O objeto bateu no chão.

Ela tentou pegá-lo.

Mas a esfera começou a subir.

Primeiro alguns centímetros.

Depois um metro.

A menina arregalou os olhos.

— Mãe?

A esfera continuou subindo.

A mãe virou-se.

— O que foi?

A criança apontou.

A mulher ficou imóvel.

A esfera flutuava diante da filha.

— Não toque nela!

A menina recuou.

A esfera começou a girar.

Então outras coisas começaram a subir.

Pedras.

Bancos.

Pedaços de metal.

Até uma pequena árvore começou a se desprender do solo.

As pessoas correram.

A menina começou a chorar.

— Eu não estou fazendo isso!

A mãe correu até ela.

— Não tenha medo.

Mas a energia aumentou.

As janelas dos prédios começaram a vibrar.

Então, de repente, tudo caiu.

A praça ficou em silêncio.

A menina olhou para as próprias mãos.

Não havia nenhuma marca.

Nenhum cristal.

Nenhum fragmento de Nóvium.

Mas os sensores médicos detectaram uma anomalia.

A mesma assinatura energética encontrada nos portadores.


A notícia chegou ao novo conselho algumas horas depois.

Lyra estava em uma reunião quando Asterion entrou.

Ele carregava vários arquivos.

— Temos um problema.

Lyra olhou para ele.

— Mais rebeldes?

— Não.

— Então?

Asterion colocou os arquivos sobre a mesa.

— Crianças.

Kael levantou os olhos.

— O que aconteceu?

— Elas estão despertando habilidades.

Lyra ficou em silêncio.

— Quantas?

— Até agora, cento e quarenta e duas.

Uma representante de Solaris franziu a testa.

— Portadores?

Asterion balançou a cabeça.

— Não exatamente.

— Então o que são?

— Ainda não sabemos.

Ele projetou uma imagem.

Uma criança estava cercada por pequenas pedras flutuantes.

Outra produzia pequenas descargas elétricas.

Outra conseguia acelerar o crescimento de plantas.

Uma quarta fazia objetos desaparecerem por alguns segundos.

Lyra observou atentamente.

— Elas tiveram contato com Nóvium?

— Algumas nunca estiveram perto de uma mina.

— Então como?

Asterion respirou fundo.

— Essa é a parte que me preocupa.

Ele ampliou os dados.

— Todas nasceram depois das primeiras grandes exposições à energia de Éterion.

Kael ficou sério.

— Você está dizendo que os poderes estão sendo herdados?

— Talvez.

— Pelos descendentes dos portadores?

— Não somente eles.

Lyra perguntou:

— Então qualquer criança pode despertar?

Asterion não respondeu imediatamente.

— Talvez.


O conselho criou imediatamente uma divisão científica.

O objetivo era estudar as novas habilidades antes que o medo se transformasse em perseguição.

Laboratórios foram construídos em diferentes planetas.

Médicos começaram a examinar crianças.

Cientistas compararam sangue, células e estruturas neurológicas.

Os resultados eram confusos.

Algumas crianças possuíam pequenas quantidades de partículas semelhantes ao Nóvium.

Outras não tinham nenhuma.

Mas seus cérebros apresentavam padrões elétricos nunca registrados.

Asterion passou dias sem dormir.

— Isso não deveria ser possível.

Uma cientista respondeu:

— Depois de tudo que vimos em Éterion, ainda acredita que alguma coisa é impossível?

Asterion olhou para os dados.

— Existe uma diferença entre o impossível e o desconhecido.

Ela sorriu.

— E qual é a diferença?

— O impossível não pode acontecer.

Ele apontou para os monitores.

— O desconhecido acabou de acontecer diante de nós.


Enquanto os cientistas estudavam as crianças, outra descoberta surgiu.

Resíduos de Nóvium estavam aparecendo em lugares onde nunca havia existido minério.

Pequenas partículas azuis começaram a ser encontradas em cavernas, rios e até dentro de antigos equipamentos militares.

O fenômeno era chamado de "chuva de resíduo".

Partículas microscópicas caíam sobre alguns mundos depois de tempestades energéticas.

A maioria desaparecia em poucas horas.

Mas algumas permaneciam.

E eram extremamente valiosas.

Um único fragmento poderia valer mais do que uma nave de carga.

Os governos tentaram controlar a distribuição.

Foi um erro.

Porque o Nóvium já havia se tornado algo maior do que um minério.

Era uma promessa.

Poder.

Riqueza.

Sobrevivência.

E, para alguns, uma oportunidade de dominar os outros.


O primeiro mercado ilegal apareceu em uma estação orbital abandonada.

Seu nome oficial era Estação 77.

Mas ninguém a chamava assim.

Os contrabandistas a chamavam de Mercado Azul.

Naves de dezenas de sistemas chegavam durante a madrugada.

Nenhuma usava identificação oficial.

Nenhuma permanecia muito tempo.

Dentro da estação, corredores inteiros haviam sido transformados em lojas.

Fragmentos azuis eram expostos em caixas blindadas.

Havia pequenos cristais.

Pedras maiores.

Pó de Nóvium.

Objetos contaminados.

E até equipamentos que prometiam despertar habilidades.

Um comerciante levantou uma pequena caixa.

— Fragmento puro.

O comprador perguntou:

— Origem?

— Éterion.

— Verdadeiro?

O comerciante sorriu.

— Quer garantia?

— Sim.

O homem abriu a caixa.

O cristal começou a brilhar.

— Essa é a única garantia que você precisa.

O comprador hesitou.

— Quanto?

O comerciante disse o valor.

O homem arregalou os olhos.

— Isso é absurdo.

— Então procure outro.

O comprador olhou ao redor.

Havia dezenas de pessoas esperando.

— Eu compro.

O comerciante entregou o cristal.

— Não use mais de alguns segundos.

— Por quê?

O sorriso desapareceu.

— Porque alguns segundos são suficientes para mudar você.


As autoridades descobriram o mercado apenas semanas depois.

Quando uma operação foi realizada, a estação estava vazia.

Restavam apenas alguns fragmentos.

E um cadáver.

O corpo pertencia a um homem que havia tentado utilizar Nóvium diretamente.

Sua pele estava coberta por pequenas linhas azuis.

Os olhos haviam ficado completamente brancos.

Asterion examinou o corpo.

— Ele não morreu por exposição.

Lyra perguntou:

— Então?

— O cérebro dele tentou processar energia demais.

Kael olhou para o cadáver.

— Ele estava usando um fragmento?

— Sim.

— Para obter poderes?

Asterion assentiu.

— E conseguiu.

— Por quanto tempo?

Asterion mostrou os registros.

— Três minutos.

Lyra ficou em silêncio.

— E depois?

— O corpo não suportou.

Kael fechou os olhos.

— Quantas pessoas estão fazendo isso?

Asterion respondeu:

— Não sabemos.


A notícia do mercado negro espalhou-se rapidamente.

Alguns governos pediram proibição total do Nóvium.

Outros queriam controlar sua exploração.

Alguns planetas exigiam acesso livre.

As discussões voltaram a dividir o conselho.

— Não podemos simplesmente destruir todo o Nóvium — disse um cientista.

Um representante respondeu:

— Então o que sugere? Deixar qualquer pessoa comprar uma arma capaz de alterar o cérebro?

— Nóvium também pode salvar vidas.

— E pode matar.

— Água também pode matar.

— Não compare água com isso!

Lyra observava a discussão.

Até finalmente falar.

— O problema não é apenas o Nóvium.

Todos se calaram.

— É o que estamos fazendo com ele.

Ela apontou para os arquivos.

— Durante décadas, tentamos transformar essa substância em arma.

Kael acrescentou:

— E agora estamos tentando transformá-la em mercadoria.

Lyra continuou:

— Se simplesmente proibirmos, o mercado negro ficará ainda maior.

Um representante de Nox perguntou:

— Então qual é a solução?

Lyra respondeu:

— Transparência.


O conselho criou uma nova lei.

Todo Nóvium encontrado deveria ser registrado.

Todo fragmento deveria ser entregue às autoridades.

Minas ilegais seriam fechadas.

Experimentações particulares seriam proibidas.

E qualquer pessoa que manifestasse habilidades receberia proteção.

Mas a lei encontrou resistência.

Mineradores queriam vender.

Cientistas queriam pesquisar.

Governos queriam controlar.

E criminosos queriam lucrar.

O mercado negro cresceu.


Nas semanas seguintes, começaram a surgir relatos de pessoas com habilidades muito mais fortes.

Um homem conseguiu atravessar uma parede.

Uma mulher produziu uma onda de energia que destruiu uma cidade inteira.

Um soldado passou a enxergar através de objetos.

Outro conseguia absorver energia de máquinas.

Um jovem desapareceu por quase seis horas e voltou falando uma língua que nenhum tradutor conhecia.

E então surgiu um caso diferente.

Uma criança.

Um menino de dez anos.

Seu nome era Elior.

Ele vivia em um planeta distante, onde sua família trabalhava em uma antiga colônia mineradora.

Os pais diziam que ele nunca havia tocado em Nóvium.

Mas, certa manhã, ele acordou gritando.

A mãe entrou no quarto.

— Elior?

O menino estava sentado na cama.

As paredes estavam cobertas por símbolos azuis.

— Mãe...

— O que aconteceu?

Ele apontou para o teto.

— Eu vi uma cidade.

— Que cidade?

— Uma cidade no espaço.

A mãe se aproximou.

— Foi um sonho.

Elior balançou a cabeça.

— Não.

Ele começou a chorar.

— Eu estava lá.


O pai levou o garoto a um médico.

O médico realizou exames.

Nada.

Nenhuma anomalia física.

Até o menino tocar no aparelho de diagnóstico.

O equipamento apagou.

Depois ligou sozinho.

Uma imagem apareceu na tela.

Asterion estava conectado à rede científica naquele momento.

Ele viu a imagem.

E ficou completamente imóvel.

Era uma cidade.

Gigantesca.

Com torres negras.

Exatamente como as estruturas que Orion havia encontrado.

Asterion aumentou a imagem.

No centro havia um símbolo.

O mesmo símbolo do retorno.

Ele imediatamente chamou Lyra.

— Precisamos conversar.


Lyra chegou ao laboratório horas depois.

— O que encontrou?

Asterion mostrou o vídeo.

O menino estava sentado diante do equipamento.

A cidade aparecia atrás dele.

Lyra aproximou-se da tela.

— Onde isso foi gravado?

— Não foi.

— Então como apareceu?

— O menino projetou.

Lyra olhou para Elior.

— Ele conhece Orion?

— Diz que não.

— E Orion?

Asterion hesitou.

— Não sabemos onde ele está.

Kael entrou.

— Talvez ele saiba.

Elior olhou para Kael.

Seus olhos ficaram azuis.

Kael parou.

— O que foi?

O menino começou a tremer.

— Você.

Kael aproximou-se.

— O quê?

Elior colocou as mãos nos ouvidos.

— Você está queimando.

Kael ficou imóvel.

— O que significa isso?

O menino começou a chorar.

— Tem alguma coisa dentro de você.

Lyra olhou para Kael.

Ele não respondeu.

Elior continuou:

— Está acordando.


Na mesma noite, Kael teve um sonho.

Estava em um corredor.

Não reconhecia o lugar.

Havia portas dos dois lados.

Uma voz dizia seu nome.

— Kael.

Ele continuou andando.

— Kael.

Parou.

Uma porta se abriu.

Atrás dela havia uma criança.

Uma criança com os olhos azuis.

Kael aproximou-se.

— Quem é você?

A criança respondeu:

— Você me conhece.

— Não.

— Conhece.

Kael percebeu algo.

A criança possuía uma cicatriz no peito.

A mesma cicatriz que ele tinha.

Kael tocou o próprio peito.

Acordou.

Estava no chão.

Sua camisa estava rasgada.

A cicatriz brilhava.

Azul.


No dia seguinte, Kael contou tudo a Lyra.

Ela ficou em silêncio.

— Por que não contou antes?

— Porque achei que estava desaparecendo.

— O quê?

Kael apontou para a cicatriz.

— Isso.

Lyra observou.

— A energia que colocaram em você.

Kael assentiu.

— Asterion disse que não sabia o que era.

— Talvez agora saiba.


Asterion comparou a assinatura energética de Kael com os resíduos encontrados no mercado negro.

O resultado o assustou.

Eram semelhantes.

Não iguais.

Mas pertenciam à mesma origem.

— Isso não pode ser.

Lyra perguntou:

— O quê?

Asterion mostrou os dados.

— Os fragmentos ilegais estão carregando uma frequência.

— Qual?

Ele ampliou.

— A mesma frequência que existe dentro de Kael.

Kael ficou sério.

— Então o mercado negro está vendendo pedaços daquilo que está em mim?

— Talvez.

— Quem está produzindo?

Asterion balançou a cabeça.

— Não sabemos.

Lyra cruzou os braços.

— Então descubra.


Uma investigação começou.

Agentes do conselho infiltraram-se no Mercado Azul.

Descobriram que os fragmentos não vinham apenas de Éterion.

Alguns eram extraídos de outros planetas.

Planetas que oficialmente não possuíam Nóvium.

Mas os contrabandistas conheciam esses lugares.

Tinham mapas secretos.

Rotas escondidas.

Minas subterrâneas.

E algo ainda mais preocupante.

Algumas minas pareciam ter sido construídas recentemente.

Como se alguém estivesse criando novas fontes de Nóvium.


Uma agente infiltrada entrou em uma dessas minas.

Ela enviou uma última mensagem:

— Não estamos encontrando minério.

A central perguntou:

— Então o que encontraram?

Silêncio.

Depois:

— Eles estão cultivando.

A transmissão foi interrompida.


Lyra recebeu o relatório naquela mesma noite.

— Cultivando?

Asterion respondeu:

— Como plantas.

— Nóvium não cresce.

— Naturalmente, não.

— Então?

Asterion abriu um arquivo.

Mostrou uma estrutura subterrânea.

Dentro dela havia centenas de cápsulas.

Cada cápsula continha um fragmento azul.

— Alguém descobriu como produzir Nóvium artificialmente.

Kael ficou sério.

— Isso muda tudo.

Lyra perguntou:

— Por quê?

Asterion respondeu:

— Porque se conseguirem produzir em grande escala...

Ele ampliou a imagem.

— Qualquer planeta poderá ter seu próprio exército de portadores.


No Mercado Azul, um homem observava uma fila de compradores.

Ele usava uma máscara preta.

Diante dele havia centenas de caixas.

Dentro delas, fragmentos brilhavam.

Um subordinado aproximou-se.

— A primeira remessa foi vendida.

— Quantos?

— Todos.

— E os testes?

— Setenta e três despertaram habilidades.

— Quantos morreram?

— Vinte e oito.

O homem ficou em silêncio.

— E os outros?

— Instáveis.

Ele sorriu.

— Perfeito.

O subordinado hesitou.

— Ainda existe uma questão.

— Qual?

— O conselho está investigando.

O homem virou-se.

— Deixe investigar.

— E se encontrarem a mina?

O homem retirou lentamente a máscara.

Seu rosto estava coberto por pequenas marcas azuis.

— Eles vão encontrar.

O subordinado pareceu confuso.

— Então por que não escondemos?

O homem sorriu.

— Porque não queremos esconder a mina.

Ele olhou para as centenas de fragmentos.

— Queremos que eles saibam que o mercado existe.


Naquele momento, em milhares de cidades, novas crianças começaram a despertar.

Uma menina fez o céu mudar de cor.

Um garoto congelou um lago inteiro.

Outra criança ouviu pensamentos de pessoas a quilômetros de distância.

Uma jovem conseguiu criar uma pequena abertura no espaço.

E, em um planeta distante, um recém-nascido abriu os olhos.

Seus olhos eram completamente azuis.

No mesmo instante, todas as partículas de Nóvium daquele sistema começaram a flutuar.

Os cientistas registraram o fenômeno.

Depois os equipamentos começaram a falhar.

Um deles conseguiu capturar uma única frase antes de desligar:

Ele está voltando.


Lyra estava no conselho quando recebeu a mensagem.

Ela levantou-se.

— Quem?

O cientista não sabia responder.

— Não sabemos.

Kael entrou na sala.

— É Orion?

Lyra olhou para ele.

— Não sei.

Asterion apareceu no monitor.

— Talvez seja algo pior.

Lyra encarou a imagem do recém-nascido.

A criança continuava imóvel.

Então abriu a boca.

Nenhum som saiu.

Mas uma onda de energia atravessou o planeta.

Ao mesmo tempo, todos os fragmentos ilegais de Nóvium existentes na galáxia começaram a brilhar.

Os comerciantes perceberam.

Os compradores perceberam.

Os governos perceberam.

Os soldados perceberam.

E as crianças que haviam despertado seus poderes também.

Uma após outra, elas começaram a olhar para o mesmo ponto no céu.

Como se alguma coisa estivesse chamando por elas.

Lyra correu até a janela.

As estrelas permaneciam visíveis.

Mas, entre elas, uma nova luz começava a surgir.

Azul.

Kael parou ao lado dela.

— Você está vendo?

— Sim.

Asterion entrou na sala.

— Recebemos milhões de transmissões.

Lyra virou-se.

— O que dizem?

Asterion respondeu:

— Todas têm a mesma mensagem.

Ele colocou o áudio para tocar.

Primeiro veio um ruído.

Depois uma voz infantil.

Fraca.

Distante.

Mas perfeitamente compreensível.

Nós acordamos.

A transmissão terminou.

E, naquele instante, todas as crianças com habilidades na galáxia levantaram as mãos ao mesmo tempo.

Os fragmentos de Nóvium começaram a responder.

E muito além das fronteiras conhecidas, uma frota desconhecida mudou de trajetória.

Seu destino não era Éterion.

Era a galáxia.

E no centro da frota, dentro de uma gigantesca nave negra, alguém observava milhares de imagens de crianças despertando.

Uma figura aproximou-se de uma janela.

— Começou.

Outro ser perguntou:

— E Orion?

A figura sorriu.

— Ainda não.

Ela colocou a mão sobre o vidro.

— Primeiro precisamos reunir os novos portadores.

No mesmo momento, em um planeta distante, uma criança levantou os olhos para o céu.

E disse uma frase que ninguém havia ensinado a ela:

Orion está procurando vocês.

Então as luzes da cidade inteira se apagaram.


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