A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 56 — O Retorno de Orion

 As armas começaram a disparar sozinhas.

Primeiro foram os canhões das naves menores.

Depois os cruzadores.

Em seguida, as plataformas orbitais.

Em poucos segundos, milhares de disparos atravessaram o espaço sem obedecer a nenhum comando.

As próprias naves pareciam ter enlouquecido.

— Desliguem os sistemas de armas! — gritou Lyra.

— Estamos tentando!

— Desliguem manualmente!

— Não responde!

Uma explosão iluminou a lateral da frota.

Uma nave Solaris disparou contra outra.

A segunda tentou desviar, mas recebeu uma sequência de mísseis.

Kael segurou-se contra uma estrutura enquanto o transporte era sacudido.

— Isso não é uma invasão comum.

Asterion estava diante dos monitores.

— Não.

— Então o que é?

O cientista observava os dados com os olhos arregalados.

— Alguém assumiu o controle das redes de armas.

Lyra aproximou-se.

— A entidade?

Asterion balançou a cabeça.

— Não.

— Tem certeza?

— A assinatura é diferente.

Kael olhou para o céu.

— Então quem está fazendo isso?

Asterion demorou a responder.

— Alguém que conhece todas as nossas armas.

Outro disparo passou pela nave.

— E alguém que conhece nossas redes melhor do que nós.


No interior da dimensão desconhecida, Orion continuava diante da figura.

O ser tinha aparência humana.

Mas não era humano.

Seus olhos continham galáxias.

Sua pele parecia feita de matéria viva e energia.

Atrás dele, mundos mortos começaram a despertar.

Planetas que deveriam estar congelados começaram a emitir luz.

Luas destruídas reconstruíram-se.

Estrelas apagadas voltaram a brilhar.

Orion observava aquilo sem conseguir falar.

— Você está revivendo os mundos?

A criatura sorriu.

— Não.

Orion sentiu um arrepio.

— Então o que está fazendo?

— Mostrando a você o que poderia existir.

— Isso não é real.

— Ainda não.

Orion apertou o Núcleo Branco.

— Quem é você?

A figura deu mais um passo.

— Já lhe disseram meu nome.

— Não.

— Disseram.

— Quando?

— Antes de você nascer.

Orion sentiu uma dor repentina na cabeça.

Memórias surgiram.

Uma sala.

Pessoas ao redor de uma criança.

Um símbolo azul.

Uma mulher chorando.

Um homem segurando um pequeno objeto luminoso.

E uma voz:

— Escondam-no.

Outra voz respondeu:

— Não podemos escondê-lo para sempre.

— Precisamos apenas de tempo.

A lembrança desapareceu.

Orion levou a mão à cabeça.

— Minha memória...

A criatura observava.

— Está voltando.

— Eu não me lembro disso.

— Porque alguém removeu essas lembranças.

Orion levantou os olhos.

— Quem?

A criatura apontou para o Núcleo Branco.

— Ele.

Orion olhou para a esfera.

— O Núcleo Branco apagou minhas memórias?

— Não.

A criatura sorriu.

— Protegeu você delas.


Na nave, Lyra tentava assumir o controle.

— Desliguem os motores!

— Se desligarmos, vamos cair na abertura dimensional.

— Então mantenham apenas os motores.

— Os sistemas estão se recusando a obedecer!

Kael aproximou-se.

— Deixe comigo.

Ele tocou o painel.

Nada aconteceu.

Tentou novamente.

Uma luz azul apareceu sob sua mão.

Todos ficaram em silêncio.

Kael retirou a mão imediatamente.

— O que foi isso?

Asterion aproximou-se.

— Seu corpo.

— O que tem meu corpo?

— Está respondendo à rede.

Kael encarou a própria mão.

Pequenas linhas azuis percorriam seus dedos.

— Isso estava acontecendo antes.

Asterion respondeu:

— Sim.

— E você não me contou?

— Eu precisava confirmar.

Kael virou-se.

— Confirmar o quê?

Asterion mostrou os dados.

A assinatura energética de Kael era quase idêntica à encontrada nos fragmentos ilegais de Nóvium.

Mas havia uma diferença.

Uma diferença que assustou o cientista.

— O que é isso? — perguntou Lyra.

Asterion ampliou a leitura.

— Há uma segunda assinatura dentro dele.

Kael ficou imóvel.

— Segunda?

— Uma consciência.

Lyra olhou para Kael.

— Você sente alguma coisa?

Ele não respondeu.

Porque sentia.

Desde que Orion havia desaparecido, havia algo em sua mente.

Uma presença.

Um pensamento que não era seu.

E agora aquela presença estava acordando.


— Kael.

Ele ouviu seu nome.

Mas ninguém havia falado.

Kael virou-se.

— Quem disse isso?

Lyra olhou para ele.

— Eu não falei nada.

A voz voltou.

— Kael.

Dessa vez, ele sentiu.

Não vinha de fora.

Vinha de dentro.

— Saia da minha cabeça.

Lyra segurou seu braço.

— Kael!

Ele afastou-se.

— Não toque em mim.

— Você está bem?

— Não.

A energia começou a crescer.

As linhas azuis espalharam-se pelo pescoço.

Asterion recuou.

— Todos para trás.

Kael caiu de joelhos.

A nave inteira começou a vibrar.

Os disparos externos pararam.

Todas as armas ficaram imóveis.

Asterion observou os monitores.

— Pararam.

Lyra olhou para ele.

— Por quê?

O cientista respondeu:

— Porque alguma coisa assumiu o controle delas.

Kael levantou a cabeça.

Seus olhos estavam parcialmente azuis.

E ele disse uma frase que não parecia sua:

— Ele voltou.

Lyra aproximou-se.

— Orion?

Kael piscou.

A voz desapareceu.

— O quê?

— Você disse que ele voltou.

Kael olhou para ela.

— Eu não disse nada.


A frota entrou na abertura dimensional.

Durante alguns segundos, não existia cima ou baixo.

Não havia distância.

As estrelas desapareceram.

Os instrumentos ficaram inúteis.

Lyra olhou pela janela.

— Onde estamos?

Asterion respondeu:

— Não sei.

— Estamos dentro da dimensão?

— Tecnicamente...

Ele parou.

— O que foi?

— Não estamos dentro dela.

— Então?

Asterion olhou para o mapa.

— Ela está dentro de nós.

Lyra franziu a testa.

— Explique.

— A dimensão não é um lugar.

Ele apontou para os sensores.

— É uma camada sobreposta à nossa realidade.

Kael aproximou-se.

— Então podemos voltar?

— Talvez.

— E Orion?

Asterion ficou em silêncio.

Lyra respondeu:

— Vamos encontrá-lo.


A frota surgiu em um espaço completamente diferente.

À frente havia um planeta azul.

Parecia Éterion.

Mas não era.

Os continentes eram diferentes.

As luas eram diferentes.

E, acima dele, existiam três sóis.

Milhares de naves antigas orbitavam o planeta.

Lyra ficou sem palavras.

— É impossível.

Asterion analisou os dados.

— Não.

— O que significa?

— Esse planeta existe.

— Onde?

— Em nenhum lugar que conhecemos.

Kael observou a superfície.

— Há cidades.

Grandes cidades cobriam os continentes.

Algumas brilhavam em azul.

Outras em dourado.

E outras em branco.

— São as cidades dos antigos — disse Asterion.

Lyra perguntou:

— Como?

— Talvez não sejam cidades antigas.

Kael olhou para ele.

— Então o que são?

Asterion respondeu:

— Cidades atuais.


A transmissão começou.

Uma voz atravessou todos os canais.

— A frota de vocês não deveria estar aqui.

Lyra ativou o comunicador.

— Queremos Orion.

Silêncio.

Depois:

— Vocês não deveriam procurar por ele.

— Onde ele está?

— Perto demais.

Lyra ficou tensa.

— Mostre-se.

Uma imagem apareceu.

Era Orion.

Mas havia algo diferente.

Seus cabelos estavam mais longos.

Os olhos brilhavam em azul.

Marcas luminosas percorriam seu rosto.

Ele vestia uma espécie de armadura feita de energia.

Mas ainda era Orion.

Lyra aproximou-se da tela.

— Orion...

Ele olhou para ela.

Durante alguns segundos, não disse nada.

Então sorriu.

— Lyra.

Ela sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Você está vivo.

— Sim.

— Nós procuramos você.

— Eu sei.

— Por que não voltou?

Orion abaixou os olhos.

— Eu tentei.

Lyra ficou confusa.

— O quê?

— Muitas vezes.

— Então por que não conseguiu?

Orion olhou para trás.

Havia milhares de figuras.

— Porque eu não sabia mais quem eu era.


Lyra queria falar.

Queria perguntar tudo.

Queria atravessar a tela.

Mas algo interrompeu a transmissão.

Uma interferência tomou conta.

A imagem de Orion desapareceu.

Depois voltou.

Desta vez, Orion parecia assustado.

— Lyra, escute.

— Estou ouvindo.

— Não confie em ninguém.

— Em quem?

— Em mim.

Lyra ficou imóvel.

— O que você está dizendo?

— Eu não lembro de tudo.

— Tudo o quê?

Orion levou a mão à cabeça.

— Eu não sei.

— Orion...

— Algumas vezes eu acordo e sei coisas que nunca aprendi.

— Que coisas?

— Como construir máquinas que não conheço.

— Como abrir portais.

— Como controlar estrelas.

Lyra ficou em silêncio.

Orion continuou:

— E algumas vezes...

Ele parou.

— Algumas vezes eu acordo sem saber quem é você.

Lyra sentiu o coração apertar.

— Mas agora sabe.

Orion olhou diretamente para ela.

— Agora sei.

— Então lembra de mim?

Ele sorriu.

— Você foi a primeira pessoa que acreditou em mim.

Lyra sorriu também.

— E ainda acredito.

A expressão de Orion mudou.

— Não faça isso.

— O quê?

— Não confie tanto em mim.

— Por quê?

Orion respondeu:

— Porque não sei o que vai acontecer quando eu lembrar de tudo.


Kael aproximou-se da transmissão.

Orion ficou imóvel.

Os dois se encararam.

— Kael.

— Orion.

Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então Orion disse:

— Você ainda carrega.

Kael respondeu:

— O quê?

Orion estreitou os olhos.

— A coisa dentro de você.

Kael ficou tenso.

— Você sabe o que é?

— Eu sabia.

— E agora?

— Agora eu não lembro.

Kael aproximou-se da tela.

— Então descubra.

Orion pareceu hesitar.

— Tenho medo.

Kael ficou surpreso.

— Você?

— Sim.

— De quê?

Orion olhou para os próprios braços.

— Do que eu posso fazer.


Uma nave apareceu atrás de Orion.

Era gigantesca.

Não parecia construída.

Parecia viva.

Sua superfície se movia lentamente.

Estruturas semelhantes a árvores cresciam sobre o casco.

Kael olhou para Asterion.

— Que tipo de nave é essa?

— Não sei.

Orion percebeu a expressão deles.

— Ela me segue.

Lyra perguntou:

— É inimiga?

— Não sei.

— Você não sabe?

Orion balançou a cabeça.

— Algumas coisas me obedecem.

— E outras?

— Algumas me temem.

Kael perguntou:

— E aquela?

Orion olhou para a nave.

— Ela espera.

— Por quê?

— Não sei.


Um ruído atravessou a transmissão.

Orion virou-se imediatamente.

— Eles chegaram.

Lyra perguntou:

— Quem?

Orion olhou para o horizonte.

Milhares de naves surgiram.

Mas eram diferentes das anteriores.

Eram negras.

Não possuíam motores visíveis.

Não emitiam energia.

Simplesmente apareciam.

Uma após outra.

Asterion empalideceu.

— Essas não estavam nos registros.

Orion respondeu:

— Não.

— Quem são?

Orion respirou fundo.

— Os que estavam atrás de mim.

Kael perguntou:

— Eles querem você?

— Não.

— Então quem querem?

Orion olhou diretamente para Kael.

— Você.

Kael ficou imóvel.

A energia dentro dele voltou a pulsar.


Todas as naves negras apontaram suas estruturas para a frota.

Nenhuma arma disparou.

Em vez disso, uma onda invisível atravessou o espaço.

As naves Solaris desligaram.

As naves Noxianas desligaram.

As naves antigas desligaram.

Até as criaturas que acompanhavam a frota caíram imóveis.

Kael levou a mão ao peito.

A dor foi intensa.

Ele caiu de joelhos.

— Kael! — gritou Lyra.

As linhas azuis em seu corpo ficaram brancas.

Uma voz surgiu em sua mente.

— Finalmente.

Kael respondeu:

— Quem é você?

— Você sabe.

— Não.

— Sabe.

— Saia.

A voz riu.

— Você carregou minha prisão durante toda a sua vida.

Kael abriu os olhos.

Lyra estava diante dele.

— O que está acontecendo?

Kael tentou responder.

Mas outra voz saiu de sua boca.

— O Portador Azul retornou.

Lyra ficou paralisada.

Orion, através da transmissão, arregalou os olhos.

— Não...

Kael levantou-se lentamente.

— Orion.

— Kael, não escute.

— O que você sabe?

— Eu sei o suficiente.

— Então diga!

Orion ficou em silêncio.

Depois respondeu:

— A coisa dentro de você não é uma entidade.

Kael respirou fundo.

— Então o que é?

Orion olhou para as naves negras.

— É um portador.

Kael franziu a testa.

— Um portador de quê?

Orion respondeu:

— De mim.


A transmissão caiu.

Lyra ficou olhando para a tela vazia.

— Dele?

Asterion repetiu:

— Um portador de Orion?

Kael olhou para as próprias mãos.

— Isso não faz sentido.

Uma voz surgiu novamente.

— Faz.

Kael fechou os olhos.

— Explique.

— Você foi criado para carregá-lo.

Kael abriu os olhos.

— Eu nasci humano.

— Nasceu.

— Então o que aconteceu?

Silêncio.

Depois:

— Você morreu.

Kael ficou imóvel.

Lyra aproximou-se.

— Kael...

A voz continuou:

— Há muito tempo.

Kael sentiu uma lembrança surgir.

Uma sala branca.

Seu corpo sobre uma mesa.

Cientistas.

Uma criança.

Um brilho azul.

Uma voz dizendo:

— Ele não vai sobreviver.

Outra respondendo:

— Então coloque o fragmento dentro dele.

Kael recuou.

— Não.

Lyra segurou seu braço.

— O que você viu?

— Minha morte.

Asterion ficou pálido.

— Isso é impossível.

Kael respondeu:

— Então por que eu me lembro?


No planeta distante, Orion estava diante de uma janela.

A cidade abaixo começou a acender.

Milhões de luzes.

Milhões de pessoas.

Todas olharam para o céu.

Orion também.

As naves negras formaram um círculo.

Então uma delas abriu-se.

Uma figura desceu.

Caminhava sobre o ar.

Era uma mulher.

Tinha olhos azuis.

Cabelos brancos.

Marcas douradas pelo corpo.

E carregava um símbolo que Orion conhecia.

O mesmo símbolo que aparecia em seus sonhos.

Ela parou diante dele.

— Você demorou.

Orion não respondeu.

— Você se esqueceu de nós.

— Quem são vocês?

A mulher sorriu.

— Sua família.

Orion sentiu uma dor na cabeça.

Mais memórias.

Uma cidade.

Crianças.

Portadores.

Um laboratório.

E ele.

Muito jovem.

Muito antes de chegar a Éterion.

A mulher tocou seu rosto.

— Não tenha medo.

Orion afastou-se.

— Eu não conheço você.

Ela respondeu:

— Ainda não.


Na frota, os sistemas voltaram.

Uma explosão surgiu no espaço.

Depois outra.

As naves negras haviam começado a se mover.

Kael levantou a arma.

Lyra ordenou:

— Não atirem!

— Elas vão nos destruir!

— Ainda não sabemos o que querem!

Kael olhou para o céu.

Uma nave negra aproximou-se.

Não atacou.

Em vez disso, abriu um canal.

Uma voz desconhecida falou:

— Entreguem Kael.

Lyra respondeu imediatamente:

— Não.

— Ele não pertence a vocês.

Kael aproximou-se do comunicador.

— Então venha buscá-lo.

Silêncio.

Depois a voz respondeu:

— É exatamente o que faremos.

Milhares de naves negras começaram a avançar.

Kael olhou para Lyra.

— Agora você pode dizer que eu trouxe problemas.

Lyra preparou a arma.

— Você sempre trouxe.

Ele sorriu.

Mas o sorriso desapareceu quando uma luz azul surgiu no espaço.

Uma pequena luz.

Depois outra.

E outra.

Milhões de pontos azuis apareceram ao redor da frota.

Asterion observou os sensores.

— Não são naves.

Lyra perguntou:

— Então o que são?

O cientista ficou sem resposta.

As luzes começaram a formar uma figura gigantesca.

Um rosto.

O rosto de Orion.

Mas muito maior.

E uma voz atravessou o espaço:

— Não toquem nele.

Todas as naves negras pararam.

Kael olhou para o rosto.

Lyra também.

E então Orion apareceu diante de toda a frota.

Não em uma transmissão.

Fisicamente.

Ele simplesmente surgiu no espaço.

Sem nave.

Sem portal.

Sem qualquer equipamento.

Seu corpo irradiava uma energia tão intensa que os sensores começaram a explodir.

As estrelas próximas ficaram azuis.

Os destroços começaram a flutuar.

As armas pararam.

Até as naves negras recuaram.

Orion abriu os olhos.

— Eu voltei.

Lyra não conseguiu conter as lágrimas.

— Orion...

Ele olhou para ela.

Dessa vez, havia reconhecimento absoluto em seu rosto.

— Eu me lembro de você.

Lyra aproximou-se.

— Então venha para casa.

Orion ficou em silêncio.

Seu olhar mudou.

— Eu quero.

— Então venha.

— Mas não posso.

— Por quê?

Orion olhou para Kael.

— Porque agora eu sei o que existe dentro dele.

Kael perguntou:

— O quê?

Orion respondeu:

— A razão pela qual eu fui criado.

Kael ficou imóvel.

— Você foi criado?

Orion fechou os olhos.

— Sim.

— Por quem?

Orion abriu os olhos novamente.

Ao longe, as sete portas dimensionais começaram a reaparecer.

Uma.

Duas.

Três.

Até sete.

E atrás delas havia incontáveis mundos.

Orion respondeu:

— Pelos mesmos seres que criaram o Nóvium.

Lyra perguntou:

— Para quê?

Orion olhou para a frota.

Depois para Kael.

E finalmente para o céu.

— Para impedir que alguma coisa atravesse as portas.

Uma das portas começou a abrir.

Orion ficou pálido.

— Mas eu falhei.

Kael levantou a arma.

— O que está vindo?

Orion respondeu em voz baixa:

— O motivo pelo qual eu perdi minhas memórias.

A porta abriu mais um pouco.

Uma sombra gigantesca apareceu atrás dela.

Orion recuou.

Pela primeira vez desde seu retorno, seus poderes começaram a desaparecer.

— Não...

Lyra correu até ele.

— Orion!

Ele caiu de joelhos.

Kael segurou-o.

Orion olhou para os dois.

— Quando eu esquecer novamente...

— Não vai esquecer — disse Lyra.

Orion segurou o braço dela.

— Quando eu esquecer...

Sua voz ficou fraca.

— Não deixem que eu abra a última porta.

Lyra ficou imóvel.

— Qual última porta?

Orion apontou para o céu.

As sete portas estavam abertas.

Mas havia uma oitava.

Uma abertura que ninguém havia visto antes.

Uma abertura completamente negra.

E, do outro lado dela, algo começou a bater.

Uma vez.

Duas vezes.

Três.

Orion fechou os olhos.

— Essa.

Então a oitava porta começou a se abrir.


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