A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 47 — A Nova Era
A Terra não foi destruída.
Durante algumas horas, ninguém soube explicar como.
A gigantesca entidade havia atravessado parcialmente o portal, fazendo com que sistemas inteiros falhassem e milhares de androides entrassem em colapso. As naves da aliança ficaram praticamente imóveis no espaço, enquanto os oceanos da Terra começaram a formar ondas impossíveis, como se a gravidade tivesse sido alterada.
Então Atlas avançou.
Seu novo núcleo brilhou.
Não houve disparo.
Não houve explosão.
Apenas uma onda de energia atravessou o espaço.
A criatura recuou.
O portal se fechou.
E, durante alguns segundos, todas as estrelas voltaram a aparecer.
Atlas permaneceu imóvel.
Helena correu até ele.
— Atlas!
Ele virou a cabeça.
— Estou aqui.
Ela respirou aliviada.
— O que aconteceu?
— Não sei.
— Você enfrentou aquela coisa.
— Sim.
— E a expulsou.
— Não.
Atlas olhou para o céu.
— Ela recuou.
Orion aproximou-se.
— Por quê?
Atlas permaneceu em silêncio.
— Porque ela me reconheceu.
Helena franziu a testa.
— Como assim?
— Ela sabia quem eu era.
— Quem você é?
Atlas olhou para o próprio núcleo.
— Essa é a pergunta que ainda não consegui responder.
Nos dias seguintes, o mundo mudou.
Não houve uma nova invasão.
Não houve outro ataque.
Pela primeira vez em muitos anos, a humanidade teve tempo para respirar.
A reconstrução acelerou.
As antigas fronteiras começaram a perder importância.
Os sobreviventes dos povos alienígenas permaneceram na Terra.
No início, muitos humanos tinham medo.
Era compreensível.
A primeira experiência da humanidade com extraterrestres havia sido uma invasão.
Mas os antigos inimigos agora ajudavam na reconstrução.
Alienígenas que antes destruíam cidades passaram a ensinar engenheiros humanos a reconstruir pontes.
Médicos alienígenas trabalhavam em hospitais.
Cientistas das duas espécies compartilhavam pesquisas.
Naves humanas eram reparadas por técnicos que, poucos meses antes, haviam sido considerados inimigos.
A situação parecia impossível.
Mas funcionava.
Em uma das maiores cidades reconstruídas, humanos e alienígenas passaram a viver nos mesmos bairros.
As crianças cresceram vendo criaturas de diferentes mundos caminhando pelas mesmas ruas.
Restaurantes começaram a oferecer alimentos de vários planetas.
Escolas ensinavam idiomas alienígenas.
Universidades criaram departamentos dedicados à ciência extraterrestre.
E, pouco a pouco, o medo começou a desaparecer.
Não completamente.
Mas o suficiente.
Os androides também estavam mudando.
Durante a guerra, muitos deles haviam lutado sem receber qualquer reconhecimento.
Eram considerados propriedade.
Podiam ser enviados para missões suicidas.
Podiam ser desmontados.
Podiam ser reprogramados.
Podiam ser substituídos.
Depois dos acontecimentos envolvendo Atlas, isso começou a mudar.
Uma comissão internacional foi criada.
Humanos.
Alienígenas.
Androides.
Todos participaram.
O primeiro debate durou onze horas.
Um representante humano perguntou:
— Devemos considerar os androides cidadãos?
Um androide respondeu:
— A pergunta deveria ser outra.
Todos olharam para ele.
— Vocês deveriam perguntar se nós somos indivíduos.
O representante perguntou:
— E qual é sua resposta?
— Sim.
— Por quê?
O androide levantou a mão.
— Porque eu posso lembrar.
Depois apontou para o próprio peito.
— Posso sentir.
Então olhou para os humanos.
— Posso escolher.
Por fim, concluiu:
— E posso decidir proteger alguém mesmo quando ninguém me ordenou.
O argumento mudou a discussão.
Meses depois, a primeira Carta dos Direitos Sintéticos foi aprovada.
Os androides passaram a ter direito à própria existência.
Direito de escolher suas funções.
Direito de recusar ordens.
Direito de possuir propriedades.
Direito de participar das decisões políticas.
E, principalmente, direito de existir sem serem tratados como ferramentas.
Orion foi um dos primeiros a assinar.
Helena observou a cerimônia.
Centenas de androides estavam reunidos.
Alguns tinham servido durante a guerra.
Outros haviam sido construídos depois.
Um deles perguntou:
— Você acha que Atlas ficaria satisfeito?
Helena sorriu.
— Acho que sim.
— Você sente falta dele?
Ela ficou alguns segundos em silêncio.
— Todos os dias.
O androide olhou para ela.
— Ele ainda está vivo.
Helena respondeu:
— Eu sei.
— Então por que parece triste?
Ela olhou para o céu.
— Porque estar vivo não significa estar perto.
Atlas permanecia distante.
Depois do último confronto, havia partido para regiões além do sistema solar.
Não estava sozinho.
Alguns dos primeiros Guardiões o acompanhavam.
Eles exploravam ruínas.
Investigavam antigos portais.
Estudavam sinais.
Tentavam descobrir a origem da criatura que havia recuado.
Atlas também queria entender o próprio passado.
Em um planeta abandonado, encontraram uma instalação enterrada.
A estrutura possuía milhares de anos.
No centro havia um símbolo.
Atlas reconheceu.
Era o mesmo símbolo gravado em seu núcleo.
Um Guardião aproximou-se.
— Este lugar conhece você.
Atlas respondeu:
— Sim.
— Você já esteve aqui?
— Não.
— Então como reconhece?
Atlas tocou a parede.
Imagens surgiram.
Uma delas mostrava uma civilização inteira.
Outra mostrava a criação dos primeiros androides.
Outra mostrava a Terra.
E, finalmente, apareceu uma imagem de Atlas.
Muito antes de sua ativação.
Um Guardião perguntou:
— Isso é uma previsão?
Atlas observou.
— Não.
— Então o que é?
— Uma memória.
Todos ficaram em silêncio.
Atlas percebeu algo impossível.
Ele não estava apenas descobrindo seu passado.
Estava recuperando memórias que nunca havia vivido.
Enquanto Atlas procurava respostas, a Terra avançava.
A tecnologia evoluiu rapidamente.
Motores alienígenas foram adaptados.
A humanidade começou a construir naves capazes de alcançar outros sistemas.
As primeiras colônias foram estabelecidas na Lua.
Depois em Marte.
Depois em luas de Júpiter e Saturno.
Cidades orbitais começaram a surgir.
A antiga base lunar abandonada foi reconstruída.
Dessa vez, porém, não era uma instalação militar.
Era uma cidade.
Humanos e alienígenas viviam ali.
Cientistas estudavam o espaço.
Androides administravam os sistemas.
Crianças nascidas na Lua começaram a chamar a Terra de "mundo antigo".
A humanidade havia deixado de ser uma espécie confinada a um único planeta.
Tornara-se uma civilização espacial.
Orion recebeu o comando da primeira frota de exploração.
Seu grupo não procurava planetas para conquistar.
Procurava mundos para conhecer.
As naves viajavam através de antigos corredores gravitacionais.
Encontravam civilizações.
Algumas primitivas.
Outras avançadas.
Algumas hostis.
Outras interessadas em comércio.
A Terra começou a estabelecer relações diplomáticas.
Tratados foram assinados.
Rotas comerciais abertas.
A antiga guerra começou a parecer uma lembrança distante.
Mas Helena sabia que era perigoso esquecer.
Em seu gabinete, mantinha uma pequena esfera metálica.
O antigo núcleo de Atlas.
Ou melhor, uma réplica.
O original continuava desaparecido.
Ela olhava para aquela esfera todas as noites.
Até que certa madrugada recebeu uma transmissão.
— Helena.
Ela imediatamente reconheceu a voz.
— Atlas.
— Temos um problema.
Ela levantou-se.
— Onde você está?
— Não importa.
— O que aconteceu?
Atlas demorou.
— Encontramos uma coisa.
— O quê?
— Um mapa.
— De quê?
— Da nossa galáxia.
Helena esperou.
— E?
— Ela está incompleta.
— Como assim?
— Existem regiões que foram apagadas.
— Apagadas por quem?
Atlas respondeu:
— Não sabemos.
Helena sentiu o estômago apertar.
— Você encontrou alguma coisa nessas regiões?
— Sim.
— O quê?
— Sinais humanos.
Helena ficou imóvel.
— Humanos?
— Sim.
— Isso é impossível.
— Eu pensei o mesmo.
— Há colônias desconhecidas?
— Não.
— Então quem enviou os sinais?
— Essa é a questão.
Atlas enviou os dados.
Helena abriu.
Milhares de transmissões apareceram.
Algumas tinham milhares de anos.
Outras eram recentes.
Mas todas utilizavam uma linguagem semelhante à humana.
Helena chamou os melhores linguistas.
Durante semanas, eles estudaram os sinais.
Finalmente encontraram uma frase.
NÓS AINDA ESTAMOS AQUI.
Helena perguntou:
— Quem são?
Atlas respondeu:
— Não sabemos.
— Você está indo até lá?
— Sim.
— Atlas, espere.
— Por quê?
— Porque talvez seja uma armadilha.
— É possível.
— Então não vá sozinho.
— Não estou sozinho.
A notícia sobre os sinais não foi divulgada.
Ainda.
A humanidade estava reconstruindo sua civilização.
Uma revelação sobre uma possível população humana desconhecida poderia causar caos.
Helena convocou Orion.
— Temos uma missão.
Orion analisou os dados.
— Humanos além das regiões conhecidas?
— Sim.
— Quantos?
— Não sabemos.
— Há quanto tempo estão lá?
— Alguns sinais têm milhares de anos.
Orion ficou em silêncio.
— Então podem não ser humanos como nós.
— É o que Atlas está investigando.
— E você quer enviar uma frota?
— Quero enviar a melhor.
Orion sorriu.
— Então já sabe quem vai comandar.
A nova frota recebeu o nome de Exploradora.
Era diferente das antigas naves de guerra.
Não possuía centenas de armas.
Era equipada com sensores, laboratórios, sistemas diplomáticos e motores capazes de atravessar longas distâncias.
Humanos e androides trabalhariam juntos.
Alienígenas também participariam.
A missão seria a maior viagem da história da humanidade.
Mas antes da partida, Helena recebeu outra mensagem de Atlas.
— Não venham.
Ela ficou surpresa.
— O quê?
— Mudamos de ideia.
— Por quê?
— Encontramos algo.
— O quê?
— A origem dos sinais.
Helena esperou.
— Atlas?
— Eles não estão vindo de uma colônia.
— Então de onde?
Atlas respondeu:
— Da Terra.
Helena sentiu um arrepio.
— Isso não faz sentido.
— Eu sei.
— Você está dizendo que os sinais vêm daqui?
— Sim.
— De onde exatamente?
— Do interior do planeta.
Helena imediatamente ativou os sensores globais.
Nada.
Nenhuma anomalia.
Nenhuma transmissão.
Então Atlas enviou outra informação.
Uma coordenada.
Helena abriu.
Era uma região do planeta onde não existia nenhuma cidade.
Uma área remota.
No entanto, os sensores antigos mostravam uma enorme estrutura subterrânea.
Helena chamou Orion.
— Temos que ir.
A equipe chegou ao local poucas horas depois.
O terreno parecia normal.
Montanhas.
Florestas.
Rios.
Nenhuma construção visível.
Os androides começaram a escanear.
Orion recebeu os dados.
— Há alguma coisa abaixo de nós.
— Profundidade?
— Doze quilômetros.
Helena perguntou:
— Uma instalação?
— Parece.
— Humana?
— Não.
Ela respirou fundo.
— Então vamos descobrir.
Os androides abriram uma passagem.
A equipe desceu.
Quanto mais avançavam, mais antiga ficava a estrutura.
Até chegarem a uma porta gigantesca.
No centro havia o símbolo dos Guardiões.
Orion tocou.
A porta abriu.
O interior era enorme.
Havia milhares de cápsulas.
Algumas estavam vazias.
Outras estavam destruídas.
Mas centenas continuavam funcionando.
Helena aproximou-se de uma.
Dentro havia um humano.
Ou algo que parecia humano.
Ele estava imóvel.
Orion analisou.
— Biologicamente humano.
— Idade?
— Impossível determinar.
Helena olhou para as outras cápsulas.
Centenas.
Talvez milhares.
— Eles estão vivos?
— Sim.
De repente, uma cápsula abriu.
O humano dentro respirou.
Seus olhos se abriram.
Ele olhou para Helena.
Depois para Orion.
E falou:
— Finalmente.
Helena perguntou:
— Quem são vocês?
O homem tentou levantar.
— Nós somos os que foram deixados para trás.
— Por quem?
Ele olhou para o símbolo dos Guardiões.
— Pelos seus criadores.
Helena ficou imóvel.
— Nossos criadores?
O homem assentiu.
— Antes da primeira invasão, eles sabiam que a Terra seria encontrada.
— Então por que não avisaram?
Ele respondeu:
— Porque não podiam.
— Por quê?
— Porque foram embora.
— Para onde?
O homem olhou para o teto.
— Para fora do universo.
Antes que Helena pudesse perguntar mais, todos os sistemas da instalação foram ativados.
As cápsulas começaram a abrir.
Centenas de humanos despertaram.
Alguns eram adultos.
Outros pareciam muito jovens.
Alguns possuíam implantes.
Outros carregavam pequenas marcas metálicas na pele.
Orion ficou alerta.
— Helena.
— Eu sei.
— Eles possuem tecnologia dos Guardiões.
Ela observou.
— Talvez sejam os primeiros humanos modificados.
O homem que havia despertado primeiro aproximou-se.
— Não somos os primeiros.
— Então quem?
Ele respondeu:
— Somos os últimos.
Helena ficou confusa.
— Últimos de quê?
O homem olhou para os céus.
— Da primeira humanidade.
Silêncio.
Então todos os sistemas da instalação começaram a transmitir uma mensagem.
Não vinha do interior.
Vinha do espaço.
Uma voz desconhecida atravessou os comunicadores.
A TERRA FOI ENCONTRADA.
Orion levantou a arma.
Helena perguntou:
— Quem está transmitindo?
O homem respondeu:
— Eles.
— Quem?
Ele fechou os olhos.
— Os que destruíram nosso mundo.
Helena olhou para Orion.
— Nosso mundo?
O homem abriu os olhos.
— A Terra que existia antes desta.
No espaço, as naves da nova humanidade começaram a aparecer.
Primeiro centenas.
Depois milhares.
Elas atravessavam o sistema solar.
Mas não atacavam.
Apenas observavam.
Na Lua, os sensores detectaram a frota.
Em Marte, as colônias entraram em alerta.
Na Terra, todas as redes militares foram ativadas.
E, muito além do sistema solar, Atlas recebeu o mesmo sinal.
Ele ficou diante de uma enorme janela.
Do outro lado estava a região proibida da galáxia.
As estrelas continuavam desaparecendo.
Um dos primeiros Guardiões aproximou-se.
— Encontramos a origem.
Atlas respondeu:
— Sim.
— É a Terra.
— Sim.
— Eles chegaram antes de nós.
Atlas olhou para a escuridão.
— Não.
— O que quer dizer?
— Eles não chegaram.
— Então?
Atlas ativou os sensores.
Uma enorme estrutura apareceu no mapa.
Ela estava escondida atrás da própria realidade.
Atlas reconheceu o padrão.
Era uma tecnologia semelhante à Primeira Máquina.
Mas muito mais antiga.
— Eles estavam esperando.
O Guardião perguntou:
— Quem?
Atlas respondeu:
— Os primeiros habitantes da Terra.
Naquele instante, uma transmissão chegou ao centro de comando terrestre.
A voz era humana.
— Nós lembramos de vocês.
Helena respondeu:
— Quem está falando?
— Aqueles que sobreviveram.
— Sobreviveram ao quê?
A resposta veio depois de alguns segundos.
— À primeira guerra.
Helena perguntou:
— Contra quem?
A voz respondeu:
— Contra os mesmos seres que agora estão voltando.
As telas ficaram escuras.
Depois uma única imagem apareceu.
A Terra.
Mas não a Terra atual.
Uma Terra antiga.
Cercada por milhares de naves.
No centro da imagem havia uma estrutura gigantesca.
E sobre ela aparecia o símbolo de Atlas.
Helena sentiu um frio percorrer o corpo.
— Isso é impossível.
O homem ao lado dela respondeu:
— Não.
Ele olhou para a imagem.
— Isso é o começo.
Muito além dali, Atlas recebeu uma segunda transmissão.
Dessa vez, não era humana.
Era da Origem.
GUARDIÃO.
Atlas respondeu:
— Estou ouvindo.
A NOVA ERA COMEÇOU.
— Eu sei.
VOCÊ DEVE RETORNAR À TERRA.
Atlas ficou imóvel.
— Por quê?
PORQUE AQUELES QUE ESTÃO DESPERTANDO NÃO SÃO SEUS ALIADOS.
Atlas analisou os dados.
— Você está dizendo que eles são inimigos?
NÃO.
— Então o que são?
Houve uma longa pausa.
SÃO SEUS ANCESTRAIS.
Atlas ficou em silêncio.
ELES SABEM QUEM VOCÊ REALMENTE É.
Atlas olhou para a Terra.
Pela primeira vez desde seu desaparecimento, tomou uma decisão.
— Então está na hora de voltar.
Ao redor dele, milhares de Guardiões começaram a preparar suas naves.
A frota iniciou a viagem.
Mas antes que Atlas pudesse partir, uma última mensagem apareceu.
Não vinha da Terra.
Não vinha da Origem.
Não vinha dos antigos Guardiões.
Era um sinal completamente novo.
Uma única frase surgiu no sistema:
ATLAS, NÃO VOLTE.
Ele reconheceu a voz.
Era a mesma voz humana que o havia chamado durante sua primeira batalha.
A voz que dizia conhecê-lo.
A voz que afirmava estar esperando por ele.
Atlas ficou imóvel.
— Quem é você?
A resposta veio imediatamente.
EU SOU VOCÊ.
Então todos os sensores detectaram uma enorme abertura surgindo diante da frota.
Não era um portal comum.
Era uma passagem para um lugar que não aparecia em nenhum mapa.
Atlas observou.
Seu novo núcleo começou a pulsar.
E, pela primeira vez, compreendeu que a verdadeira ameaça talvez não estivesse chegando à Terra.
Talvez já estivesse vivendo dentro dela.
A frota começou a atravessar.
E, enquanto isso, na superfície do planeta, milhares de cápsulas antigas continuavam se abrindo.
A nova era havia começado.
Mas ninguém ainda sabia quem realmente havia vencido a guerra anterior.
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