A Guerra de Éterion: CAPÍTULO 59 — O Último Horizonte

 Durante alguns segundos, ninguém se moveu.

O céu continuava coberto pelos milhões de figuras.

Portadores.

Seres que haviam desaparecido.

Pessoas que haviam sido dadas como mortas.

Crianças que ninguém conseguira encontrar.

Soldados desaparecidos durante as antigas guerras.

Todos permaneciam imóveis no espaço, cercados por uma energia negra.

Todos tinham os mesmos olhos.

Todos olhavam para Éterion.

E todos haviam pronunciado a mesma frase.

— Agora falta apenas você.

Orion permaneceu diante de Narek.

O garoto estava inconsciente novamente.

Lyra aproximou-se.

— Orion.

Ele não respondeu.

— Orion!

Finalmente, ele desviou os olhos do céu.

— Eles não estão atacando.

Kael, ainda ajoelhado, respirava com dificuldade.

— Então o que estão fazendo?

Orion olhou para as figuras.

— Esperando.

Asterion apareceu no comunicador.

— Esperando o quê?

Orion demorou a responder.

— Uma porta.

As primeiras horas foram marcadas pelo silêncio.

Nenhum disparo.

Nenhuma invasão.

Nenhum movimento das figuras no céu.

A frota Solaris permaneceu em alerta.

As forças Noxianas cercaram as principais cidades.

Os antigos habitantes de Éterion retiraram civis das regiões próximas às montanhas.

Mas nada aconteceu.

Era como se toda a galáxia estivesse prendendo a respiração.

Então, pouco antes do amanhecer, os sensores detectaram algo diferente.

Asterion foi o primeiro a perceber.

— Não pode ser.

Um técnico aproximou-se.

— O que encontrou?

— Um sinal.

— De onde?

Asterion ampliou o mapa.

O ponto não estava em Éterion.

Nem no sistema.

Nem sequer dentro da galáxia.

Estava além dela.

Muito além.

— Quantos anos-luz? — perguntou Lyra.

Asterion não respondeu imediatamente.

— O suficiente para que o sinal tenha levado milhares de anos para chegar até nós.

Kael se aproximou.

— Então foi enviado há milhares de anos.

— Não.

Asterion aumentou a leitura.

— Foi enviado agora.

Kael franziu a testa.

— Isso é impossível.

— Eu sei.

Orion olhou para a tela.

— Não é um sinal.

Todos ficaram em silêncio.

— Então o que é? — perguntou Lyra.

Orion respondeu:

— É uma resposta.

Asterion passou as horas seguintes analisando o fenômeno.

Os computadores não conseguiam estabelecer uma origem precisa.

O sinal parecia atravessar regiões do espaço que não deveriam estar conectadas.

Sistemas inteiros apareciam por alguns segundos e desapareciam.

Constelações desconhecidas surgiam nos mapas.

Galáxias que não existiam nos registros.

Planetas.

Milhares.

Depois milhões.

Asterion ficou diante da projeção.

— Temos um problema.

Lyra olhou para ele.

— Outro?

— Maior.

Asterion ampliou uma região do mapa.

— O que estávamos chamando de galáxia conhecida...

Ele respirou.

— É apenas uma pequena parte do universo acessível por essas redes.

Kael cruzou os braços.

— Quantas galáxias?

— Não sabemos.

— Estimativa.

— Mais de cem mil estruturas galácticas aparecem no sinal.

Lyra ficou em silêncio.

— E Éterion?

Asterion apontou para o centro do mapa.

— Éterion aparece em todas.

O Conselho foi convocado.

Representantes de Solaris, Nox, colônias independentes e civilizações sobreviventes reuniram-se em uma estação orbital.

Não havia mais espaço suficiente para todos os representantes fisicamente.

A reunião foi transmitida para dezenas de sistemas.

Asterion apresentou os dados.

— Encontramos regiões do espaço completamente desconhecidas.

Um mapa apareceu.

— As antigas civilizações que conhecíamos provavelmente nunca chegaram tão longe.

Outro mapa surgiu.

— E encontramos evidências de atividade energética compatível com Nóvium.

A sala ficou em silêncio.

Uma representante de uma colônia perguntou:

— Quanto Nóvium?

Asterion respondeu:

— Não sabemos.

— Então como sabe que é Nóvium?

Asterion abriu outra leitura.

— Pela assinatura.

Uma sequência de ondas apareceu.

— A mesma assinatura encontrada em Éterion.

Kael aproximou-se do mapa.

— Quantos planetas?

Asterion hesitou.

— Confirmados?

— Sim.

— Trinta e sete.

Murmúrios atravessaram a sala.

— Possíveis?

— Mais de quatrocentos.

Lyra perguntou:

— E todos têm sinais de vida?

Asterion olhou para os dados.

— Alguns.

— Alguns?

— Outros estão mortos.

Kael perguntou:

— E os restantes?

Asterion apagou parte da projeção.

— Não sabemos.

A descoberta mudou tudo.

Durante anos, todos acreditaram que Éterion era uma anomalia.

Um planeta único.

Uma fonte extraordinária de Nóvium.

Um lugar isolado.

Agora existiam dezenas.

Talvez centenas.

Talvez milhares.

E ninguém sabia há quanto tempo estavam esperando.

Lyra recebeu os primeiros relatórios de reconstrução enquanto o Conselho discutia a descoberta.

Cidades ainda precisavam ser reconstruídas.

Planetas haviam perdido milhões de habitantes.

Estações orbitais estavam destruídas.

Campos agrícolas haviam sido contaminados.

Sistemas de comunicação permaneciam inoperantes.

Lyra decidiu que a reconstrução não poderia esperar.

Criou corredores humanitários entre antigos territórios inimigos.

Naves Solaris transportaram equipamentos para colônias Noxianas.

Naves Noxianas passaram a escoltar cargueiros Solaris.

Antigos soldados trabalharam lado a lado para reconstruir cidades que antes haviam tentado destruir.

Em Arven, crianças voltaram às escolas.

Em antigas colônias minerais, os primeiros campos agrícolas foram plantados.

Em mundos devastados, hospitais começaram a funcionar novamente.

Lyra visitava pessoalmente algumas dessas regiões.

Não queria apenas assinar documentos.

Queria ver o que havia restado.

Certa manhã, chegou a uma cidade onde apenas onze edifícios permaneciam de pé.

Uma mulher a esperava entre os escombros.

— Você é Lyra?

— Sou.

A mulher apontou para uma área vazia.

— Minha casa ficava ali.

Lyra permaneceu em silêncio.

— Eu tinha dois filhos.

A mulher respirou fundo.

— Não sei onde estão.

Lyra não tentou dizer que tudo ficaria bem.

Apenas respondeu:

— Vamos procurar.

A mulher olhou para ela.

— Mesmo?

— Mesmo.

E naquele dia Lyra colocou as equipes de busca naquela região.

Horas depois, encontraram um abrigo subterrâneo.

Dezessete sobreviventes.

Entre eles, dois irmãos.

A mulher chorou quando os viu.

Lyra permaneceu alguns metros distante.

Foi a primeira vez em muito tempo que sorriu.

Enquanto Lyra reconstruía mundos, Kael preparava uma missão.

Não seria uma frota de guerra.

Seria uma frota de exploração.

A primeira em direção às novas galáxias.

Ele escolheu pessoalmente os integrantes.

Cientistas.

Navegadores.

Médicos.

Especialistas em culturas alienígenas.

Engenheiros.

Alguns antigos soldados.

Nenhuma arma pesada seria levada.

A missão teria três objetivos.

Encontrar os planetas com assinatura de Nóvium.

Descobrir se havia civilizações sobreviventes.

E descobrir de onde vinha o sinal.

A nave principal recebeu o nome de Horizonte.

Era gigantesca.

Construída com tecnologia Solaris, Noxiana e antiga tecnologia encontrada em Éterion.

Kael observou a nave pela janela da estação.

Lyra chegou ao seu lado.

— Está pronto?

— Não.

Ela sorriu.

— Pelo menos é honesto.

— Nunca estive numa missão como essa.

— Você já atravessou uma guerra inteira.

— Guerra é mais simples.

Lyra olhou para ele.

— Mais simples?

— Você sabe quem está tentando matar você.

Ela riu discretamente.

— Verdade.

Kael voltou a observar a nave.

— Desta vez não sabemos o que estamos procurando.

Lyra respondeu:

— Talvez seja exatamente por isso que precisamos ir.

Orion não participaria da missão.

Pelo menos não ainda.

Ele permanecia em Éterion treinando Narek.

O garoto estava aprendendo rapidamente.

Muito rapidamente.

No primeiro dia, mal conseguia impedir a energia negra de escapar.

No terceiro, conseguia criar pequenas esferas.

No quinto, aprendeu a absorver ataques.

No sétimo, conseguiu abrir um pequeno portal.

Orion ficou preocupado.

— Não faça isso novamente.

Narek ficou confuso.

— Por quê?

— Você abriu uma passagem para um lugar que não conhecemos.

— Mas posso fechá-la.

— Não é esse o problema.

Orion aproximou-se do portal.

Sentiu algo.

Uma presença.

Distante.

Muito distante.

Narek percebeu.

— Você também sente?

Orion não respondeu.

— O quê?

Orion fechou os olhos.

Havia algo no outro lado.

Não era a entidade que conheciam.

Não era a voz ancestral.

Não era o abismo.

Era diferente.

Mais antigo.

E, de alguma maneira, familiar.

— Não sei.

Narek olhou para ele.

— Está com medo?

Orion abriu os olhos.

— Sim.

Narek pareceu surpreso.

— Você tem medo?

— Todo mundo tem.

— Até você?

— Principalmente eu.

O portal desapareceu.

Mas a sensação permaneceu.

Naquela noite, Orion não conseguiu dormir.

Caminhou até uma montanha de Éterion.

O céu estava limpo.

As estrelas brilhavam novamente.

Mas ele sabia que algo havia mudado.

Sentou-se sobre uma pedra.

Fechou os olhos.

Tentou alcançar a energia azul dentro de si.

Normalmente conseguia sentir Éterion.

O planeta.

As montanhas.

As florestas.

As criaturas.

As pessoas.

Narek.

Kael.

Lyra.

Mas naquela noite havia outra coisa.

Uma presença no limite da percepção.

Orion concentrou-se.

A galáxia desapareceu.

Por um instante, viu milhares de mundos.

Depois milhões.

Depois algo ainda maior.

Uma estrutura gigantesca atravessando o espaço entre galáxias.

Parecia uma ponte.

Mas era grande demais para ser construída por qualquer civilização conhecida.

No centro havia uma porta.

E diante dela estava alguém.

Orion não conseguia ver o rosto.

A figura levantou a mão.

Orion ouviu uma frase.

— Você demorou.

Ele abriu os olhos.

Estava de volta a Éterion.

Respirando rapidamente.

Narek estava atrás dele.

— Quem era?

Orion olhou para o garoto.

— Não sei.

— Mentira.

Orion ficou em silêncio.

Narek aproximou-se.

— Você reconheceu.

— Talvez.

— Quem?

Orion olhou para o horizonte.

— Eu.

Narek não entendeu.

— Você?

— Parecia comigo.

A nave Horizonte deixou Éterion dois dias depois.

Milhares de pessoas acompanharam o lançamento.

Lyra estava na plataforma.

Kael entrou na nave.

Antes de partir, voltou-se para ela.

— Cuide deles.

Lyra assentiu.

— Você também.

— Se encontrarmos alguma coisa perigosa...

— Não faça o que faria antigamente.

Kael sorriu.

— Eu sei.

Lyra estendeu a mão.

Kael apertou.

A nave começou a se afastar.

Depois acelerou.

A energia azul dos motores iluminou a órbita.

E desapareceu.

A viagem levou horas.

Depois dias.

Depois semanas.

O espaço conhecido ficou para trás.

A Horizonte entrou em uma região onde nenhuma nave havia chegado.

Os sensores começaram a registrar anomalias.

— Capitão.

Kael aproximou-se.

— O que temos?

— Uma galáxia.

— Tamanho?

— Maior que a nossa.

A imagem apareceu.

Era gigantesca.

Centenas de bilhões de estrelas.

Kael ficou impressionado.

— Existem sinais de civilização?

— Sim.

— Muitos?

— Sim.

— Então estamos perto de algum mundo habitado.

O cientista olhou para o painel.

— Não exatamente.

— Explique.

— Os sinais vêm de toda a galáxia.

Kael franziu a testa.

— Toda?

— Sim.

— Como isso é possível?

O cientista ampliou os dados.

— Porque não são transmissões.

Kael ficou imóvel.

— Então o que são?

— Sinais biológicos.

A tripulação começou a receber imagens.

Planetas cobertos por oceanos.

Planetas vermelhos.

Mundos congelados.

Planetas com florestas gigantescas.

Civilizações construídas em anéis ao redor de estrelas.

Cidades subterrâneas.

Estruturas orbitais.

E então apareceu um planeta completamente azul.

No centro dele havia uma enorme formação cristalina.

A assinatura energética disparou.

— Nóvium — disse o cientista.

Kael aproximou-se da tela.

— Quanto?

— Não sei.

— Estime.

O computador começou a calcular.

Depois parou.

— Resultado impossível.

— O que significa?

— O planeta inteiro possui a mesma assinatura.

Kael ficou em silêncio.

— O planeta inteiro é Nóvium?

— Não.

O cientista engoliu em seco.

— O planeta está vivo.

Naquele instante, a nave recebeu uma transmissão.

Não havia palavras.

Era apenas uma sequência de sons.

Depois outra.

E outra.

A tradução automática começou a trabalhar.

Uma frase apareceu.

NÃO TOQUEM NO CORAÇÃO.

Kael imediatamente ordenou:

— Parem a aproximação.

Os motores reduziram.

— Quem enviou?

— Não sabemos.

Outra mensagem chegou.

ELE JÁ ESTÁ ACORDADO.

Kael sentiu um arrepio.

— Quem?

A resposta surgiu.

O PRIMEIRO HORIZONTE.

Em Éterion, Orion acordou ao mesmo tempo.

Abriu os olhos.

Narek estava dormindo.

As montanhas estavam silenciosas.

Mas Orion ouviu uma voz.

Não vinha de sua cabeça.

Vinha do espaço.

— Orion.

Ele levantou-se.

— Quem está aí?

Nenhuma resposta.

Então ouviu novamente.

— Orion.

Desta vez a voz era feminina.

Ele conhecia aquela voz.

Ou pelo menos achava que conhecia.

— Lyra?

Nada.

A voz continuou.

— Não deixe Kael abrir a porta.

Orion ficou imóvel.

— Qual porta?

Silêncio.

Então outra voz respondeu.

Mais profunda.

Mais antiga.

— A que existe além do último horizonte.

Orion olhou para o céu.

Uma estrela desapareceu.

Depois outra.

Depois outra.

Até que uma região inteira da galáxia ficou escura.

Narek acordou.

— O que aconteceu?

Orion não respondeu.

Uma nova estrela surgiu no horizonte.

Mas não era uma estrela.

Era uma estrutura.

Uma construção gigantesca, tão grande que parecia ocupar uma parte inteira do espaço.

Narek aproximou-se.

— Isso estava aí antes?

Orion balançou a cabeça.

— Não.

A estrutura começou a se mover.

Ao redor dela, milhares de planetas começaram a emitir energia.

As assinaturas de Nóvium apareceram simultaneamente.

Éterion respondeu.

O planeta inteiro tremeu.

Narek levou as mãos ao peito.

— Ele está falando comigo.

Orion olhou para ele.

— O que está dizendo?

Narek fechou os olhos.

Lágrimas escorreram por seu rosto.

— Que a guerra nunca foi pelo Nóvium.

Orion sentiu o coração acelerar.

— Então foi pelo quê?

Narek abriu os olhos.

— Pela porta.

A Horizonte entrou em órbita do planeta azul.

Nenhuma nave apareceu.

Nenhum exército.

Nenhum sinal de ameaça.

Apenas silêncio.

Kael ordenou uma pequena equipe de reconhecimento.

A nave auxiliar pousou.

Assim que tocaram o solo, todos os instrumentos desligaram.

O chão parecia respirar.

O comandante da equipe olhou para o céu.

— Capitão...

Kael ouviu pelo comunicador.

— O que foi?

— Há alguma coisa olhando para nós.

— Onde?

— Embaixo.

Kael ficou imóvel.

— Repita.

— O planeta inteiro está olhando para nós.

Então o solo se abriu.

Não como uma explosão.

Como uma porta.

Uma gigantesca abertura surgiu diante da equipe.

Lá embaixo havia uma cidade.

Não uma cidade destruída.

Uma cidade intacta.

Perfeitamente preservada.

Milhões de edifícios.

Torres.

Templos.

Naves.

E no centro, uma estrutura gigantesca.

A mesma que Orion havia visto.

O comandante da equipe sussurrou:

— Encontramos uma civilização.

Uma voz respondeu pelos comunicadores.

— Não.

Todos congelaram.

A voz continuou:

— Vocês encontraram o que restou dela.

Kael ouviu a transmissão.

— Quem está falando?

A resposta veio imediatamente.

— Alguém que esperou milhares de anos para que vocês chegassem.

Kael apertou o comunicador.

— Quem é você?

Silêncio.

Então a voz respondeu:

— Pergunte ao seu amigo azul.

Kael ficou pálido.

Em Éterion, Orion caiu de joelhos.

Uma dor atravessou seu corpo.

Imagens surgiram.

Uma cidade.

Um planeta.

Uma guerra antiga.

Milhões de seres correndo.

Naves sendo destruídas.

E uma figura diante de uma porta.

Orion reconheceu aquela figura.

Era ele.

Mas não o Orion que conhecia.

Era uma versão muito mais antiga.

Vestia uma armadura azul.

Segurava uma espécie de lâmina feita de energia.

Ao seu lado estava alguém.

Kael.

Mas também não era o Kael atual.

Era outro.

Mais jovem.

Vestindo uma armadura desconhecida.

Os dois estavam diante da mesma porta.

E atrás deles havia milhões de pessoas.

A memória terminou.

Orion abriu os olhos.

Lyra encontrou-o na montanha.

— Orion!

Ele respirava com dificuldade.

— Lyra...

— O que aconteceu?

Orion olhou para ela.

— Eu lembrei.

— Do quê?

Ele levantou-se lentamente.

— Da primeira vez.

— Primeira vez de quê?

Orion encarou o horizonte.

— Da primeira guerra.

Lyra ficou em silêncio.

— Nós já estivemos lá.

— Quem?

Orion olhou para ela.

— Eu e Kael.

Lyra sentiu um arrepio.

— Isso é impossível.

— Eu também achava.

O céu começou a escurecer novamente.

Orion segurou o braço de Lyra.

— Precisamos encontrar Kael.

— Por quê?

Ele olhou para o espaço.

— Porque ele está prestes a abrir a mesma porta que abriu antes.

Muito longe dali, a bordo da Horizonte, Kael observava a gigantesca estrutura subterrânea.

Uma porta começou a se abrir.

Os sensores dispararam.

E, do outro lado, uma luz azul surgiu.

A mesma luz de Orion.

A mesma energia de Éterion.

Mas havia algo dentro dela.

Algo que parecia estar esperando.

Kael deu um passo para trás.

Uma voz surgiu.

— Finalmente.

Kael reconheceu a voz.

Era a mesma que ouvira em seus sonhos durante toda a vida.

A porta abriu mais um pouco.

E uma mão atravessou a abertura.

Uma mão humana.

Azul.

Marcada pelo símbolo de Orion.

Kael levantou a arma.

A figura do outro lado começou a sair.

E então disse:

— Você não deveria ter voltado.


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