A Última Defesa da Terra: CAPÍTULO 60 — A Última Defesa da Terra

 A luz branca começou a atravessar a estrutura.

Por alguns segundos, o espaço inteiro pareceu congelar.

As naves da União permaneciam imóveis. Seus motores haviam sido desligados, os sistemas de comunicação estavam mudos e os sensores registravam apenas uma quantidade impossível de energia diante deles.

Orion observava a abertura.

Atlas estava ao seu lado.

Amara analisava os dados em um terminal portátil.

— Não consigo determinar o tamanho da estrutura — disse ela.

— Porque os sensores estão falhando?

— Não.

Ela levantou os olhos.

— Porque ela não tem um tamanho fixo.

Atlas confirmou.

— Está usando o espaço ao redor como parte da própria estrutura.

Orion olhou para ele.

— Isso é possível?

— Agora sabemos que é.

Uma vibração atravessou as naves.

A luz branca aumentou.

Então alguma coisa atravessou a abertura.

Primeiro apareceu uma pequena esfera escura.

Depois outra.

E outra.

Em poucos segundos, milhares de objetos surgiram.

Não eram naves.

Eram estruturas artificiais gigantescas, algumas semelhantes a cidades, outras parecidas com organismos metálicos. Algumas possuíam formas que nenhum dos sistemas humanos conseguia classificar.

A frota entrou em estado de alerta.

— Preparem os escudos — ordenou Orion.

Os sistemas começaram a funcionar.

— Não ataquem — disse Atlas.

— Eles estão entrando no nosso espaço — respondeu Orion.

— Eu sei.

— Então o que fazemos?

Atlas observou a abertura.

— Esperamos.

Orion não gostou da resposta.

Mas confiava nele.

As estruturas continuaram surgindo.

Uma delas aproximou-se da frota.

Era tão grande que parecia uma lua.

Uma transmissão começou.

Dessa vez, não era uma voz.

Era uma sequência de imagens.

Mundos destruídos.

Cidades abandonadas.

Civilizações desaparecendo.

Naves fugindo.

Milhares de espécies atravessando o espaço.

Depois apareceu a Terra.

A Terra antiga.

Antes das guerras.

Antes dos primeiros Guardiões.

Antes de a humanidade esquecer sua própria origem.

Orion observou.

— Eles conhecem nosso passado.

Atlas respondeu:

— Mais do que isso.

A imagem mudou.

Mostrou humanos deixando a Terra.

Centenas de naves.

Milhões de pessoas.

Depois mostrou outras naves retornando.

Mas não eram humanas.

Eram máquinas.

Os primeiros Guardiões.

A mensagem finalmente assumiu uma forma compreensível.

VOCÊS ABRIRAM O CAMINHO.

Orion respondeu:

— Quem são vocês?

A resposta apareceu:

OS HERDEIROS DOS QUE PARTIRAM.

Amara aproximou-se.

— Então são descendentes dos primeiros humanos?

A mensagem continuou:

ALGUNS DE NÓS.

OUTROS SÃO DESCENDENTES DAQUILO QUE ELES CRIARAM.

Atlas ficou imóvel.

— E o que vocês querem?

A resposta demorou.

SOBREVIVER.

Orion respirou fundo.

— Sobreviver a quê?

A luz dentro da abertura escureceu.

Uma sombra começou a aparecer.

Não era uma nave.

Era algo muito maior.

Uma região inteira do espaço parecia estar sendo consumida.

Atlas olhou para Orion.

— Agora você entende.

Orion observou os sensores.

— Aquilo está vindo para cá.

— Sim.

— Quanto tempo?

Atlas respondeu:

— Não sabemos.

A transmissão continuou.

A PRIMEIRA GUERRA NÃO TERMINOU.

ELA FOI APENAS ADIADA.

As naves desconhecidas começaram a se afastar.

Orion ativou a comunicação.

— Esperem!

Nenhuma resposta.

— Para onde estão indo?

Uma última mensagem apareceu.

PARA A TERRA.

Orion ficou imóvel.

— Eles estão vindo conosco.

Atlas confirmou.

— Sim.

Horas depois, a informação chegou à Terra.

A notícia espalhou-se rapidamente.

Uma ameaça desconhecida aproximava-se.

Milhares de naves estavam seguindo em direção ao sistema solar.

Não havia tempo para evacuar o planeta.

A população precisaria permanecer.

Helena reuniu os representantes da União dos Mundos Aliados.

Humanos.

Arkhari.

Eryonianos.

Outras espécies.

Androides.

Todos estavam presentes.

— Não sabemos exatamente o que está vindo — explicou Helena. — Sabemos apenas que será maior do que qualquer ameaça que enfrentamos anteriormente.

Um representante perguntou:

— Podemos abandonar a Terra?

Helena respondeu:

— Podemos tentar.

Todos ficaram em silêncio.

— Mas para onde iríamos? — continuou ela. — E quanto aos milhões que não conseguiriam partir?

O representante Eryoniano levantou-se.

— Então não partiremos.

Um Arkhari acrescentou:

— A Terra foi nossa aliada quando não tínhamos mais para onde fugir.

Outro representante falou:

— Não deixaremos este mundo sozinho.

Os androides ficaram em silêncio.

Até que Lira avançou.

— Nós também ficaremos.

Helena olhou para ela.

— Não quero enviar androides para uma batalha que talvez não possamos vencer.

Lira respondeu:

— Durante séculos, humanos decidiram por nós quando deveríamos lutar.

Ela olhou para os outros Guardiões.

— Agora podemos escolher.

Centenas de androides ativaram seus sistemas.

— E escolhemos proteger este mundo.

A decisão foi registrada.

A defesa da Terra começou.

As cidades foram protegidas por escudos orbitais.

Frotas foram posicionadas ao redor do planeta.

Estações de energia receberam sistemas de emergência.

Colônias próximas enviaram reforços.

Naves alienígenas chegaram de dezenas de sistemas.

A Terra nunca havia visto uma frota tão diversa.

Centenas de espécies diferentes estavam reunidas.

Humanos pilotavam ao lado de Arkhari.

Eryonianos compartilhavam tecnologia com androides.

Criaturas de mundos distantes trabalhavam em centros de comunicação.

Não havia uma única bandeira.

Havia centenas.

Mas todas defendiam o mesmo planeta.

Orion recebeu o comando da frota central.

Atlas permaneceu ao seu lado.

— Você deveria ficar na retaguarda — disse Orion.

Atlas olhou para ele.

— Não.

— Você já passou por batalhas demais.

— E você está começando.

Orion quase sorriu.

— Isso significa que vai me ensinar?

— Significa que vou garantir que você sobreviva para cometer seus próprios erros.

As defesas foram ativadas.

A primeira onda apareceu.

Milhares de naves desconhecidas entraram no sistema solar.

A frota terrestre avançou.

Os primeiros disparos iluminaram o espaço.

Escudos foram ativados.

Naves humanas desviaram de enormes feixes de energia.

Os Arkhari formaram uma barreira ao redor das estações civis.

Eryonianos utilizaram campos energéticos para impedir que as naves inimigas alcançassem a atmosfera.

Os androides entraram na linha de frente.

Não como máquinas descartáveis.

Como soldados que haviam escolhido estar ali.

Cael liderava uma unidade.

— Ala esquerda, avançar.

Dezenas de Guardiões avançaram.

Seus movimentos eram precisos.

Mas os inimigos eram numerosos.

Uma explosão atingiu três naves.

Cael desviou.

Outro disparo atingiu seu escudo.

— Temos unidades entrando na atmosfera.

Orion respondeu:

— Não deixem passar.

— Entendido.

Os Guardiões desceram.

A batalha chegou ao céu da Terra.

As cidades observaram os combates acima das nuvens.

Crianças foram levadas para abrigos.

Hospitais funcionavam continuamente.

Técnicos trabalhavam sem parar.

A humanidade estava novamente diante de uma guerra.

Mas dessa vez havia uma diferença.

Não lutava sozinha.

Na superfície, unidades androides ajudavam a proteger civis.

Humanos trabalhavam nos sistemas de defesa.

Alienígenas transportavam feridos.

Ninguém perguntava de qual espécie era aquele que precisava de ajuda.

Era apenas alguém que precisava sobreviver.

Helena estava em um centro de comando subterrâneo.

— Situação?

Um operador respondeu:

— Perdemos vinte e oito naves.

— E o inimigo?

— Ainda avançando.

Helena olhou para a projeção.

— Atlas?

A comunicação abriu.

— Estou aqui.

— Precisamos de uma estratégia.

— Já temos uma.

— Qual?

Atlas mostrou o mapa.

— Eles não estão tentando destruir a Terra.

Helena franziu a testa.

— Então o que querem?

— Entrar nela.

— Para quê?

Atlas respondeu:

— Para alguma coisa que está abaixo da superfície.

Helena ficou imóvel.

— O que existe abaixo da Terra?

Atlas analisou os dados.

— A primeira rede.

Amara, que participava da reunião, levantou-se.

— A rede dos criadores.

— Sim.

— Então a Terra é uma chave.

Atlas confirmou.

— Talvez sempre tenha sido.

A informação foi enviada a Orion.

Ele imediatamente alterou a formação.

— Todas as unidades, proteger o planeta. Não perseguir naves que recuem.

Um comandante perguntou:

— Por quê?

— Porque o alvo deles não está no espaço.

Orion apontou para a Terra.

— Está aqui.

As naves inimigas começaram a concentrar forças sobre determinados pontos do planeta.

Um deles era Marte.

Outro ficava sob os oceanos.

O terceiro estava localizado no continente onde os primeiros arquivos dos Guardiões haviam sido encontrados.

A antiga instalação.

Atlas percebeu.

— Eles querem ativar a rede.

Orion perguntou:

— E se conseguirem?

Atlas ficou em silêncio.

— Atlas?

— Não sabemos.

— Você sabe alguma coisa.

— Sim.

— O quê?

Atlas respondeu:

— A rede não foi criada apenas para transportar pessoas.

— Para que mais?

— Para transportar mundos.

Orion ficou perplexo.

— Mundos?

— Sistemas inteiros.

Amara entendeu.

— Uma rede capaz de mover planetas?

— Não planetas físicos.

Atlas mostrou uma representação.

— Estruturas energéticas. Ecossistemas. populações. Memórias. Civilizações inteiras.

Orion olhou para a Terra.

— Então eles podem levar nosso planeta?

Atlas respondeu:

— Talvez.

A batalha continuava.

As defesas terrestres começaram a falhar.

Uma enorme nave atravessou o escudo orbital.

Orion ordenou:

— Todos os esquadrões, concentrar fogo.

Milhares de armas dispararam.

A nave inimiga continuou avançando.

Então uma frota Eryoniana apareceu.

Seus campos de energia envolveram a nave.

Arkhari lançaram uma segunda barreira.

Naves humanas atacaram simultaneamente.

A estrutura inimiga finalmente recuou.

Orion observou.

— Conseguimos.

Atlas respondeu:

— Por enquanto.

Na superfície, as pessoas começaram a sair dos abrigos.

Por alguns minutos, parecia que a defesa havia funcionado.

Mas então o céu ficou escuro.

Não por causa das naves.

Por causa de uma enorme sombra.

A ameaça havia chegado.

As estrelas desapareceram.

Um campo escuro começou a se espalhar pelo sistema solar.

As comunicações ficaram instáveis.

Os sensores pararam.

Atlas olhou para o espaço.

— É ela.

Orion perguntou:

— O que é?

Atlas respondeu:

— Aquilo que os criadores tentaram impedir.

A sombra avançou.

Os primeiros mundos externos perderam contato.

Depois as luas.

Depois as estações.

A Terra começou a ficar isolada.

Helena recebeu uma última mensagem de uma colônia.

— Não sabemos o que está acontecendo. A escuridão está chegando.

A comunicação caiu.

Helena olhou para Atlas.

— Quanto tempo?

Atlas respondeu:

— Pouco.

— Podemos fugir?

— Não.

— Podemos lutar?

Atlas observou Orion.

— Juntos.

Orion entendeu.

A frota inteira recebeu uma transmissão.

Atlas apareceu em todos os canais.

Humanos.

Alienígenas.

Androides.

— Durante milhares de anos, nossos povos acreditaram que sobrevivência significava vencer o outro.

A voz de Atlas ecoou.

— Acreditamos que uma espécie precisava dominar outra para continuar existindo.

Imagens das antigas guerras apareceram.

A invasão da Terra.

As batalhas.

As perdas.

As cidades destruídas.

Depois surgiram imagens diferentes.

Humanos trabalhando com alienígenas.

Androides reconstruindo cidades.

Crianças de diferentes espécies estudando juntas.

Naves de vários mundos protegendo a Terra.

— Estávamos errados.

Atlas continuou.

— Nenhuma espécie sobrevive sozinha.

A sombra avançava.

— Nós sobrevivemos porque aprendemos a dividir aquilo que temos.

Orion assumiu o comando.

— Todas as frotas, formação conjunta.

As naves se organizaram.

Humanos no centro.

Arkhari nas laterais.

Eryonianos formando campos energéticos.

Androides entre todas as unidades.

Não havia mais linhas separadas.

Era uma única formação.

A maior frota já reunida na história da humanidade.

A sombra atingiu o primeiro anel de defesa.

Explosões iluminaram o espaço.

Milhares de naves foram atingidas.

Mas permaneceram.

Orion comandava.

Cael protegia a frota civil.

Lira coordenava os sistemas de emergência.

Helena controlava as defesas terrestres.

Amara trabalhava na antiga rede.

E Atlas avançava em direção ao centro da ameaça.

— Atlas! — chamou Orion.

— Estou ouvindo.

— O que está fazendo?

— Procurando a origem.

— Sozinho?

— Não.

Orion observou.

Centenas de Guardiões começaram a acompanhá-lo.

Humanos e alienígenas também avançaram.

A batalha tornou-se uma tempestade de energia.

Mas a ameaça não parecia diminuindo.

Pelo contrário.

Quanto mais a frota atacava, mais a sombra crescia.

Amara encontrou alguma coisa.

— Orion!

— Fale.

— Descobri o problema.

— Qual?

— Estamos tentando destruir algo que não está realmente aqui.

Orion ficou em silêncio.

— Explique.

— A sombra é uma projeção.

Atlas ouviu.

— Onde está o original?

Amara respondeu:

— Não sei.

Então o sinal voltou.

O último sinal.

Dessa vez, todos os sistemas da Terra receberam a mesma mensagem.

VOCÊS APRENDERAM.

AGORA ESCOLHAM.

Orion perguntou:

— Escolher o quê?

A resposta surgiu:

PARTIR OU PERMANECER.

Atlas ficou imóvel.

— Essa foi a escolha dos criadores.

Amara perguntou:

— O que eles escolheram?

Atlas olhou para a Terra.

— Partiram.

Orion respondeu:

— Nós não vamos.

Atlas virou-se.

— Tem certeza?

Orion observou a Terra.

As cidades.

Os oceanos.

As pessoas.

Os androides.

As naves alienígenas.

Tudo aquilo que havia sido construído depois de séculos de sofrimento.

— A Terra não é apenas nosso passado.

Ele olhou para Atlas.

— É nosso lar.

Atlas permaneceu em silêncio.

Depois ativou todos os sistemas.

— Então vamos defendê-la.

A frota inteira respondeu.

Humanos e androides avançaram juntos.

Alienígenas acompanharam.

A sombra começou a recuar.

Não porque havia sido destruída.

Mas porque a formação da frota havia criado algo que ela não conseguia compreender.

Uma rede.

Milhões de mentes.

Bilhões de memórias.

Centenas de espécies.

Uma única decisão.

Permanecer juntos.

Os antigos sistemas da Terra começaram a despertar.

A rede subterrânea respondeu aos Guardiões.

Marte enviou energia.

Nereia respondeu.

As colônias distantes transmitiram seus próprios sinais.

Cada mundo aliado tornou-se um ponto da rede.

Atlas percebeu.

— Eles estão conectando tudo.

Orion perguntou:

— Quem?

Atlas respondeu:

— Todos.

A energia percorreu a galáxia.

Não como uma arma.

Como uma mensagem.

A humanidade não estava mais sozinha.

E talvez nunca tivesse estado.

A sombra parou.

O universo pareceu prender a respiração.

Então uma voz surgiu.

Não era hostil.

Não era amigável.

Era antiga.

VOCÊS ESCOLHERAM FICAR.

Orion respondeu:

— Sim.

ENTÃO TERÃO QUE APRENDER A VIVER COM O QUE EXISTE ALÉM DE VOCÊS.

A sombra começou a desaparecer.

As estrelas voltaram.

Uma após outra.

A frota permaneceu em formação.

Nenhum comandante comemorou.

Todos sabiam que aquilo não era uma vitória definitiva.

Era apenas uma sobrevivência.

A Terra continuava intacta.

Ferida.

Cansada.

Mas viva.

As naves começaram a retornar.

Na superfície, pessoas saíram dos abrigos.

Abraçaram familiares.

Humanos abraçaram androides.

Alienígenas ajudaram nos hospitais.

Não havia celebrações grandiosas.

Havia apenas alívio.

Dias depois, na praça de Nova Aurora, Helena observou a estátua de Atlas.

Ao lado dela estavam Orion, Lira, Cael e representantes de dezenas de espécies.

Helena olhou para Atlas.

— Você percebeu que agora existem milhares de mundos contando sua história?

Atlas respondeu:

— Espero que parem de contar histórias sobre mim.

Orion sorriu.

— Tarde demais.

Uma criança aproximou-se.

Ela segurava um pequeno desenho.

Mostrava humanos, androides e alienígenas ao redor de uma estrela.

Atlas recebeu o desenho.

— Quem são todos eles?

A criança respondeu:

— Minha família.

Atlas ficou olhando para o desenho.

Depois perguntou:

— E onde está a Terra?

A criança apontou para o centro.

— Aqui.

Atlas sorriu.

Ao redor deles, novas naves começavam a partir.

A exploração continuaria.

Novos mundos seriam descobertos.

Novas espécies seriam encontradas.

Novos conflitos surgiriam.

E novos Guardiões nasceriam.

A história não havia terminado.

Na verdade, talvez estivesse apenas começando.

Porque a Terra havia aprendido algo que nenhum arquivo antigo conseguira preservar completamente.

A maior força da humanidade não estava em suas armas.

Não estava em suas naves.

Não estava em seus androides.

Estava na capacidade de escolher permanecer unida quando seria mais fácil fugir.

E, enquanto a primeira geração da nova era observava as estrelas, uma nova geração começava a nascer em mundos diferentes.

Algumas crianças nasceram humanas.

Outras nasceram de espécies que a humanidade ainda estava aprendendo a conhecer.

Algumas nasceram em cidades terrestres.

Outras em colônias orbitais.

E algumas nasceram em planetas tão distantes que a Terra seria apenas uma palavra em seus livros.

Mas todas cresceriam sob o mesmo céu.

Um universo cada vez maior.

Um lar que não pertencia a uma única espécie.

No espaço profundo, além das rotas conhecidas, um pequeno sinal apareceu.

Os sistemas de observação registraram.

Orion recebeu a mensagem.

Ele abriu.

Uma única frase surgiu:

A PRIMEIRA FRONTEIRA FOI SUPERADA.

Depois outra:

A SEGUNDA ESTÁ ABERTA.

Orion levantou os olhos.

Atlas estava olhando para as estrelas.

— Você sabia que isso aconteceria?

Atlas respondeu:

— Não.

— Então o que faremos?

Atlas observou as novas naves se preparando para partir.

— O que sempre fizemos.

— O quê?

Atlas sorriu.

— Iremos descobrir.

E, enquanto a frota começava a deixar a Terra mais uma vez, muito além das estrelas, uma estrutura antiga voltou a emitir luz.

Dessa vez, porém, não era um sinal de ameaça.

Era um convite.

E ninguém sabia ainda quem o havia enviado.

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