O Reino dos Monstros: CAPÍTULO 1 — O MUNDO DEPOIS
O mundo havia acabado há três anos, sete meses e doze dias.
Rafael sabia disso porque ainda carregava no pulso um relógio digital que havia parado de funcionar no dia em que as primeiras criaturas apareceram. A tela permanecia rachada, congelada às 14h37, mas ele continuava olhando para ela todas as manhãs, como se aquele pequeno objeto fosse capaz de lembrá-lo de que existira uma época em que o tempo tinha importância.
Naquela época, as pessoas se preocupavam com contas, empregos, trânsito e outras coisas que agora pareciam absurdas. Havia supermercados cheios, hospitais funcionando, escolas barulhentas e crianças brincando nas calçadas. Os aviões cruzavam os céus, os celulares tocavam sem parar e ninguém precisava olhar para o horizonte antes de sair de casa.
Agora, o silêncio dominava tudo.
Rafael caminhava pela Avenida Independência, carregando uma mochila militar nas costas e uma espingarda velha nas mãos. O asfalto estava coberto por rachaduras, ervas daninhas e carcaças de automóveis abandonados. Alguns veículos haviam sido esmagados por alguma força colossal, enquanto outros permaneciam empilhados uns sobre os outros, como brinquedos destruídos por uma criança enfurecida.
Os edifícios dos dois lados da avenida estavam escurecidos pela fuligem. As janelas quebradas pareciam órbitas vazias, observando os poucos sobreviventes que ainda ousavam atravessar a cidade.
Uma placa enferrujada balançava sobre uma loja de roupas.
Rafael parou por alguns segundos, examinando o interior escuro.
Nada.
Continuou andando.
Sua prioridade naquela manhã era encontrar antibióticos, alimentos enlatados e qualquer coisa que pudesse trocar por munição. No abrigo, localizado nos túneis de uma antiga estação ferroviária, havia vinte e três pessoas. Entre elas, seis crianças e três idosos. Os estoques estavam acabando, e a última expedição havia retornado com as mãos vazias.
Dessa vez, ele não poderia voltar sem alguma coisa.
Principalmente porque sua irmã estava doente.
Mariana tinha apenas dezessete anos quando o mundo desmoronou. Agora, aos vinte e dois, permanecia deitada em um colchão improvisado, sofrendo com uma infecção que se espalhava pelo braço esquerdo. Uma ferida aparentemente insignificante, provocada por um pedaço de metal enferrujado, havia se transformado em uma ameaça mortal.
O médico do abrigo dissera que ela precisava de antibióticos imediatamente.
Rafael havia prometido encontrá-los.
E não pretendia quebrar aquela promessa.
Ele passou por um ônibus tombado e entrou em uma rua estreita. O cheiro de matéria orgânica em decomposição tornou-se mais forte. Moscas voavam sobre uma pilha de roupas espalhadas perto de um poste.
Rafael desviou os olhos.
Aprendera a não investigar todos os cadáveres que encontrava. A curiosidade podia custar segundos preciosos, e segundos eram tudo o que separava um sobrevivente de uma refeição.
Ao alcançar a esquina, ajoelhou-se atrás de um automóvel.
Havia alguma coisa errada.
O vento soprava entre os prédios, carregando folhas secas e poeira, mas nenhum pássaro cruzava o céu. Não havia ratos correndo pelos escombros, nem mesmo os insetos produziam seus ruídos habituais.
A cidade parecia prender a respiração.
Rafael segurou a espingarda com mais força.
— Não gosto disso — murmurou.
Retirou do bolso um pequeno mapa, desenhado à mão, e conferiu sua localização. O supermercado ficava a quatro quadras dali. Era um estabelecimento antigo, construído antes do colapso, com paredes reforçadas e um depósito subterrâneo.
Os sobreviventes do abrigo haviam saqueado o local duas vezes, mas fazia quase oito meses desde a última expedição.
Talvez ainda houvesse alguma coisa.
Rafael guardou o mapa e avançou.
Não demorou para encontrar o primeiro sinal.
Uma árvore enorme havia sido arrancada do canteiro central e lançada contra a fachada de uma farmácia. O tronco estava partido ao meio, como se tivesse sido atingido por uma máquina industrial.
Ele se aproximou devagar.
As raízes ainda estavam úmidas.
Rafael passou os dedos pela madeira quebrada e percebeu marcas profundas, semelhantes a cortes feitos por garras.
Engoliu em seco.
Aquela árvore deveria pesar várias toneladas.
Nenhuma das criaturas menores seria capaz de arrancá-la do chão.
Ele se levantou e examinou a rua.
Havia marcas no asfalto.
Pegadas.
Cada uma tinha quase dois metros de comprimento e estava impressa profundamente no concreto. Algumas estavam cheias de água escura. Outras atravessavam os destroços de automóveis, esmagando as carrocerias.
Rafael sentiu um frio percorrer sua espinha.
Conhecia aquelas marcas.
Todos os sobreviventes conheciam as histórias sobre os gigantes.
As criaturas haviam surgido aproximadamente quatro meses depois da primeira onda de monstros. No início, as pessoas acreditavam que eram apenas animais mutantes, versões deformadas de espécies conhecidas.
Depois, começaram a desaparecer bairros inteiros.
As criaturas menores tinham o tamanho de cães, corriam pelas paredes e caçavam em grupos. As maiores ultrapassavam os edifícios, destruíam pontes e derrubavam torres de comunicação.
Mas os gigantes eram diferentes.
Ninguém sabia de onde vinham.
Ninguém sabia quantos existiam.
E ninguém que tivesse observado um deles de perto havia sobrevivido por muito tempo.
Rafael recuou.
Uma das pegadas terminava diante de um prédio residencial. A fachada estava destruída, e as paredes superiores haviam sido arrancadas. No interior, móveis e pedaços de concreto estavam espalhados pelas salas.
A criatura estivera ali recentemente.
Talvez naquela mesma manhã.
Ele olhou para o céu.
Nuvens pesadas escondiam o sol, e uma neblina cinzenta começava a descer entre os prédios.
Precisava chegar ao supermercado.
Imediatamente.
Rafael atravessou a rua, mantendo-se próximo às paredes. A cada poucos metros, parava para escutar. Seu coração batia acelerado, mas ele obrigava os pés a continuar avançando.
Ao passar por uma banca de jornais destruída, ouviu um ruído distante.
Um estrondo.
Depois outro.
O chão vibrou sob suas botas.
Rafael congelou.
O som vinha de algum lugar atrás dos edifícios.
Um terceiro impacto fez uma nuvem de poeira desprender-se das fachadas.
Ele correu até a entrada de um estacionamento e se escondeu atrás de uma pilastra.
Por alguns segundos, não ouviu nada.
Então surgiu um som que jamais esqueceria.
Um rugido.
Era profundo, prolongado e tão poderoso que parecia atravessar os ossos. As janelas que ainda permaneciam intactas estremeceram. Um alarme de automóvel disparou ao longe e morreu poucos segundos depois.
Rafael apertou os olhos.
— Não. Não, não, não...
Ele espiou pela abertura do estacionamento.
No fim da avenida, acima dos prédios, uma silhueta gigantesca se movimentava entre a neblina.
Primeiro apareceu uma cabeça alongada, coberta por placas escuras. Depois, dois membros anteriores, compridos e musculosos, apoiaram-se sobre um edifício.
A construção inteira desabou.
Uma nuvem de poeira subiu aos céus.
Rafael recuou imediatamente.
A criatura tinha pelo menos trinta metros de altura. Seu corpo era coberto por uma carapaça irregular, semelhante a rochas sobrepostas. Uma fileira de espinhos se estendia pelas costas até a ponta de uma cauda comprida.
Mas o que mais o aterrorizou foram os olhos.
Dois pontos amarelados brilhavam na neblina.
A criatura virou a cabeça.
Rafael sentiu o sangue gelar.
Por um instante, acreditou que ela estivesse olhando diretamente para ele.
Então o gigante abriu a boca.
Uma fumaça escura escapou entre os dentes.
O rugido seguinte fez os carros abandonados saltarem sobre as suspensões.
Rafael se jogou no chão.
Uma onda de poeira atravessou o estacionamento. Pequenos pedaços de concreto choveram sobre suas costas. Ele protegeu a cabeça com os braços e esperou que o tremor terminasse.
Quando ergueu os olhos, percebeu que o gigante havia desaparecido atrás dos prédios.
Não importava.
Precisava fugir.
Rafael saiu do estacionamento e correu pela rua lateral. A mochila batia contra suas costas, e a espingarda ameaçava escapar de suas mãos. Ele atravessou uma praça tomada por árvores mortas e pulou sobre os restos de uma cerca.
O supermercado estava perto.
Apenas duas quadras.
Atrás dele, outro rugido fez o ar vibrar.
Rafael não olhou para trás.
Dobrou uma esquina e quase caiu ao tropeçar em um pedaço de concreto. Recuperou o equilíbrio e continuou correndo.
Então ouviu o primeiro impacto.
O monstro estava vindo.
Os passos eram tão pesados que cada um fazia o chão tremer. Alarmes antigos dispararam em algum lugar, e uma sequência de explosões ecoou entre os edifícios.
Rafael alcançou uma rua comercial.
O supermercado ficava no outro lado.
Entre ele e a entrada havia uma avenida larga, repleta de carros abandonados.
Ele atravessou o primeiro trecho, desviando de uma caminhonete tombada.
Um rugido explodiu atrás dele.
O som foi tão intenso que Rafael sentiu uma dor aguda nos ouvidos.
Olhou para trás.
A criatura surgira na extremidade da rua.
Era ainda maior do que parecera à distância.
A cabeça possuía três fileiras de dentes, e uma espécie de membrana avermelhada cobria parte do pescoço. As patas dianteiras terminavam em garras enormes, capazes de atravessar o concreto.
A criatura farejou o ar.
Seus olhos se fixaram em Rafael.
Por um breve momento, os dois permaneceram imóveis.
Então o monstro avançou.
Rafael disparou.
Correu em direção ao supermercado, saltando sobre capôs de automóveis e atravessando os espaços estreitos entre os veículos. O rugido da criatura era ensurdecedor.
Uma garra atingiu um ônibus a poucos metros de distância.
O veículo foi lançado contra a fachada de uma loja.
Rafael sentiu o impacto nas costas e quase perdeu o equilíbrio.
Continuou correndo.
A entrada do supermercado estava bloqueada por uma barricada de concreto e placas metálicas. Os sobreviventes haviam construído uma pequena passagem, protegida por uma porta de aço.
Ele chegou à barricada e começou a bater com a coronha da espingarda.
— Abram! Abram!
Nenhuma resposta.
Olhou para trás.
O monstro destruía os carros que encontrava, avançando diretamente em sua direção.
— Pelo amor de Deus!
Rafael bateu novamente.
Uma pequena abertura surgiu na porta.
Um rosto apareceu do outro lado.
— Rafael?
— Abre essa porcaria!
— O que aconteceu?
— TEM UM GIGANTE ATRÁS DE MIM!
O rosto desapareceu.
Ouviu-se o barulho de correntes sendo retiradas.
A porta começou a se abrir.
Rafael se espremeu pela passagem, deixando a mochila presa por alguns segundos em uma ponta de metal. Puxou-a com força e caiu de joelhos no chão.
— Fecha! Fecha!
Dois homens empurraram a porta.
Uma barra de aço foi encaixada no lugar.
No mesmo instante, um impacto atingiu a barricada.
A estrutura inteira estremeceu.
Rafael foi jogado contra o chão.
Outro golpe fez o teto do corredor soltar poeira.
— Ele está tentando entrar! — gritou alguém.
— Todo mundo para o fundo! — ordenou um homem.
Rafael se levantou, cambaleando.
A porta de aço estava deformada.
Do lado de fora, a criatura rugiu.
O som atravessou as paredes e se espalhou pelo supermercado.
As pessoas começaram a gritar.
Uma mulher segurou uma criança nos braços. Um rapaz correu para buscar um rifle. Dois homens empurraram uma estante contra a entrada.
Rafael permaneceu imóvel, tentando recuperar o fôlego.
O monstro atacou novamente.
Dessa vez, uma das barras de sustentação se partiu.
— Vai cair! — berrou um dos homens.
Rafael agarrou o braço do rapaz armado.
— Não atira! Isso não vai matar essa coisa!
— E você quer fazer o quê?
— Reforcem a entrada! Agora!
Os sobreviventes começaram a empurrar móveis, caixas e estruturas metálicas contra a porta. Um grupo trouxe sacos de areia do depósito, enquanto outros arrastavam uma geladeira industrial.
O quarto impacto não veio.
O silêncio que se seguiu foi ainda mais assustador.
Rafael se aproximou de uma pequena abertura entre as placas metálicas.
Do lado de fora, a rua estava coberta de poeira.
A criatura permanecia diante da barricada.
Ele conseguia enxergar parte de uma das patas e a extremidade de uma garra. A cabeça estava inclinada, como se o monstro examinasse a estrutura.
Rafael prendeu a respiração.
O gigante se afastou um passo.
Depois outro.
Um rugido baixo ecoou pela avenida.
A criatura virou-se lentamente e caminhou em direção aos prédios destruídos.
Cada passo fazia os escombros tremerem.
Rafael observou até que a silhueta desaparecesse na neblina.
Só então percebeu que suas mãos estavam tremendo.
— Você está ferido? — perguntou uma voz.
Era um homem alto, de barba grisalha, segurando um revólver.
Rafael reconheceu o rosto.
— Álvaro.
O homem o examinou de cima a baixo.
— Pensei que você estivesse morto.
— Quase.
Álvaro olhou para a porta deformada.
— Como encontrou aquela coisa?
— Eu não encontrei. Ela me encontrou.
— Isso é impossível. Os gigantes não costumam vir tão perto daqui.
Rafael respirou fundo.
— Pois agora vêm.
Álvaro permaneceu em silêncio.
Atrás dele, algumas pessoas começaram a retirar os móveis que bloqueavam o corredor. Outras se aproximaram de Rafael, ansiosas por notícias.
— Quantos eram? — perguntou uma mulher.
— Um.
— Você tem certeza?
— Vi apenas um.
— E onde ele está?
Rafael apontou para a entrada.
— Lá fora.
Um menino começou a chorar.
Álvaro pediu silêncio e conduziu Rafael até uma sala nos fundos. O antigo escritório do gerente havia sido transformado em enfermaria. Havia colchões no chão, armários cheios de ferramentas e algumas mesas cobertas por mapas.
Rafael deixou a mochila sobre uma cadeira.
— Preciso encontrar medicamentos.
Álvaro franziu a testa.
— Você acabou de quase morrer.
— Minha irmã está doente.
O homem desviou o olhar.
Sabia da situação de Mariana.
— O médico disse que ela precisa de antibióticos — continuou Rafael. — Não posso voltar sem eles.
Álvaro passou a mão pela barba.
— Temos algumas caixas no depósito. Mas não sei se ainda estão boas.
Rafael sentiu uma pequena esperança.
— Onde?
— No subsolo.
Os dois desceram por uma escada estreita até o depósito. O local cheirava a mofo e combustível. Prateleiras enferrujadas ocupavam as paredes, e caixas de alimentos estavam empilhadas perto de uma porta de emergência.
Álvaro acendeu uma lanterna.
— Encontramos isso há alguns meses. Não sabemos exatamente o que tem nas caixas.
Rafael começou a examinar os rótulos.
Arroz. Feijão. Conservas. Garrafas de água.
Não era muito, mas ajudaria o abrigo.
Depois de alguns minutos, encontrou uma caixa de primeiros socorros.
Abriu-a rapidamente.
Havia ataduras, gaze, frascos de álcool e algumas cartelas de medicamentos.
Seus dedos começaram a tremer novamente.
Antibióticos.
Não sabia se seriam suficientes, mas eram melhores do que nada.
Colocou tudo na mochila.
— Vou levar.
Álvaro segurou seu ombro.
— Espere.
Rafael olhou para ele.
— O que foi?
O homem apontou para uma parede do depósito.
Havia um mapa da região preso por pregos. Diversas marcações vermelhas indicavam os locais onde criaturas haviam sido avistadas nas últimas semanas.
Rafael se aproximou.
Conhecia aqueles lugares.
O primeiro avistamento acontecera a quase vinte quilômetros dali. O segundo, a quinze. O terceiro, a dez.
Agora, uma nova marcação havia sido acrescentada.
O supermercado.
Rafael sentiu o estômago se contrair.
— Quando vocês fizeram isso?
— Ontem à noite — respondeu Álvaro. — Um grupo viu criaturas menores perto do rio.
Rafael examinou o mapa.
As marcações formavam uma espécie de círculo em torno da cidade.
Todas apontavam para as áreas onde os sobreviventes haviam construído abrigos.
— Eles estão cercando a gente — murmurou.
Álvaro não respondeu.
Um ruído veio do andar superior.
Passos apressados.
Depois, alguém gritou:
— Álvaro! Rafael! Vocês precisam ver isso!
Os dois subiram correndo.
No salão principal, dezenas de pessoas estavam reunidas diante de uma janela reforçada. Uma das placas de madeira havia sido removida, permitindo observar uma parte da avenida.
Rafael se aproximou.
No horizonte, a neblina começava a se dissipar.
Ele viu o gigante caminhando entre os edifícios.
Mas não estava sozinho.
Outras silhuetas se movimentavam atrás dele.
Uma criatura menor atravessou a rua, arrastando um automóvel preso entre as mandíbulas. Outra escalou a fachada de um prédio e desapareceu por uma janela.
Então Rafael percebeu algo ainda pior.
Os monstros não estavam apenas passando pela cidade.
Estavam avançando na mesma direção.
Na direção do supermercado.
Na direção dos túneis ferroviários.
Na direção de todos os lugares onde os humanos ainda tentavam sobreviver.
Álvaro segurou o revólver com as duas mãos.
— Meu Deus...
Rafael apertou a mochila contra o peito.
Lembrou-se de Mariana, deitada no colchão, esperando que ele voltasse.
Lembrou-se das crianças no abrigo, dos idosos, dos poucos homens e mulheres que ainda acreditavam que poderiam reconstruir alguma coisa.
Durante três anos, os sobreviventes haviam fugido, se escondido e lutado para permanecer vivos.
Agora, pela primeira vez, Rafael compreendeu que talvez não existisse mais nenhum lugar seguro.
Um estrondo distante fez as janelas vibrarem.
O gigante parou no meio da avenida.
Ergueu a cabeça.
E soltou um rugido que parecia anunciar o início de uma nova caçada.
Rafael observou as criaturas se aproximando e sentiu uma certeza terrível tomar conta de sua mente.
Aquele supermercado não seria capaz de protegê-los por muito tempo.
E, quando a barricada finalmente caísse, todos precisariam correr.
Mas, antes que pudesse dizer qualquer coisa, um dos vigias apontou para o outro lado da rua.
— Tem alguém lá fora!
Rafael virou-se imediatamente.
Entre os carros destruídos, uma figura humana caminhava lentamente em direção ao supermercado.
Era uma mulher.
Estava coberta de sangue, carregava um objeto metálico nas mãos e parecia lutar para permanecer de pé.
Atrás dela, alguma coisa se movia dentro da neblina.
E a mulher começou a gritar o nome de Rafael.

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