O Reino dos Monstros: CAPÍTULO 6 — A CRIATURA DA NEBLINA
O som que vinha das profundezas da passagem subterrânea fez o chão tremer sob os pés de Rafael.
Ele apertou o dispositivo metálico contra o peito e olhou para Samuel, que corria à sua frente. O homem parecia conhecer cada curva daquele túnel, desviando de canos caídos e saltando sobre poças profundas sem hesitar.
— O que está acordando lá embaixo? — gritou Rafael.
— Não sei!
— Você está mentindo!
Samuel não respondeu.
Atrás deles, os passos da figura mascarada continuavam descendo a escadaria. Não eram rápidos, mas havia algo perturbador naquela perseguição. A criatura não demonstrava pressa. Parecia saber que, mais cedo ou mais tarde, alcançaria os fugitivos.
Lívia segurava Davi pelo braço, ajudando-o a atravessar o corredor alagado. O menino estava exausto, mas continuava correndo.
— Tem uma porta aqui! — gritou Samuel.
Ele apontou para uma abertura na parede, parcialmente escondida por uma cortina de raízes. Rafael chegou primeiro e empurrou a estrutura enferrujada. A porta se abriu com um gemido.
Os quatro entraram em uma antiga sala de manutenção.
Samuel fechou a porta e girou uma roda metálica que funcionava como tranca. Rafael empurrou uma estante contra a entrada, enquanto Lívia verificava as janelas estreitas próximas ao teto.
O ruído da perseguição desapareceu.
Durante alguns segundos, ninguém falou.
Rafael encostou-se à parede, tentando recuperar o fôlego. O ombro machucado latejava, e a mão que segurava o dispositivo estava dormente.
Davi sentou-se no chão.
— Aquela coisa ainda está atrás da gente?
Samuel aproximou-se da porta e encostou o ouvido no metal.
— Está.
— Como você sabe?
— Porque ela não vai parar até conseguir o que quer.
Rafael ergueu a cabeça.
— E o que ela quer?
Samuel olhou para o dispositivo.
— Isso.
Rafael fechou os dedos ao redor do objeto.
— Então me explique por que uma máquina que trabalha com os monstros está tentando recuperar um aparelho que você carregava.
Samuel respirou fundo.
— Porque esse dispositivo não é meu.
— Mas estava na sua mochila.
— Eu o encontrei.
— Onde?
O homem desviou os olhos.
Rafael levantou-se.
— Chega! Estamos fugindo de máquinas, monstros gigantes e agora de alguma coisa que estava dormindo debaixo do hospital. Minha comunidade está destruída. Minha irmã está doente. Eu não tenho tempo para continuar ouvindo respostas pela metade.
Samuel ficou em silêncio.
Lívia aproximou-se de Rafael.
— Ele vai falar. Mas precisamos sair daqui primeiro.
Ela olhou para a porta.
— E precisamos encontrar um lugar seguro antes que aquela coisa consiga entrar.
Samuel caminhou até o outro lado da sala. Havia um painel elétrico preso à parede, quase completamente coberto por ferrugem.
Ele retirou uma pequena ferramenta da mochila e começou a desmontá-lo.
— Existe uma saída de serviço que leva para a superfície. Se conseguirmos abrir o portão, poderemos sair pelo lado oeste da cidade.
— E a criatura? — perguntou Davi.
Samuel parou de trabalhar.
— Qual delas?
O menino arregalou os olhos.
Rafael sentiu um arrepio percorrer a coluna.
— O que você quer dizer com qual delas?
Antes que Samuel respondesse, um ruído surgiu do outro lado da parede.
Um som úmido, semelhante ao arrastar de alguma coisa pesada sobre o chão.
Lívia ergueu o rifle.
Samuel apagou a lanterna imediatamente.
— Não façam barulho.
O ruído se aproximou.
Uma sombra passou diante da pequena janela no alto da parede.
Rafael apontou a espingarda para a abertura.
A sombra desapareceu.
Então, uma névoa branca começou a escorrer por baixo da porta.
Davi levou a mão à boca.
A névoa espalhou-se pelo chão, cobrindo as botas dos sobreviventes. Era espessa e fria, e parecia se mover contra a corrente de ar que vinha do corredor.
Samuel recuou lentamente.
— Não pode ser...
Rafael virou-se para ele.
— O que é isso?
Samuel não respondeu.
A névoa começou a subir.
Em poucos segundos, já chegava aos joelhos.
Lívia apontou o rifle para a porta.
— Samuel, fale!
O homem engoliu em seco.
— Apaguem todas as luzes. Não olhem diretamente para a névoa. E, aconteça o que acontecer, não se afastem uns dos outros.
Rafael segurou Davi pelo ombro.
— Que criatura é essa?
Samuel encarou a névoa.
— Uma que não deveria existir.
Um ruído agudo ecoou do corredor.
A névoa se agitou.
E alguma coisa passou por dentro dela.
Rafael nunca havia sentido tanto frio.
Não era apenas a temperatura. Havia algo naquela névoa que parecia sugar o calor do corpo. Seus dedos ficaram rígidos, e sua respiração produzia pequenas nuvens brancas diante do rosto.
A sala desapareceu gradualmente.
As paredes, os equipamentos e até a porta ficaram encobertos por uma camada branca que parecia não ter limites.
Rafael estendeu a mão até encontrar o braço de Davi.
— Fique perto de mim.
— Estou aqui.
Lívia permaneceu do outro lado do menino, segurando o rifle com as duas mãos.
Samuel estava alguns metros à frente.
— Venham por aqui — sussurrou.
Rafael não se moveu.
— Como sabe para onde ir?
— Porque ela ainda não está dentro da sala.
— Ainda?
Samuel virou-se.
— Se quiser continuar vivo, faça o que estou dizendo.
Rafael detestava obedecer àquele homem. Cada palavra dele parecia esconder uma informação importante. No entanto, não havia tempo para discutir.
O grupo avançou lentamente, seguindo Samuel entre as máquinas abandonadas.
A névoa parecia mais densa perto do chão, mas se espalhava pelas paredes como fumaça viva. Em alguns pontos, Rafael enxergava formas escuras movendo-se no interior dela.
Uma delas passou tão perto que ele sentiu uma corrente de ar gelado tocar seu rosto.
Rafael virou a espingarda.
— Não atire! — sussurrou Samuel.
— Tem alguma coisa aqui!
— Eu sei!
Um ruído semelhante a um assobio atravessou a sala.
Davi começou a tremer.
— Eu quero voltar para o Refúgio.
Lívia passou o braço ao redor dele.
— Vamos voltar. Só precisamos sair daqui.
Samuel parou diante de uma abertura estreita na parede.
— A passagem fica atrás desses armários.
Ele começou a empurrar uma estrutura metálica.
Rafael aproximou-se para ajudar.
Quando os dois deslocaram o armário, revelaram uma pequena porta de manutenção.
Samuel puxou a maçaneta.
Estava trancada.
— Droga!
Ele começou a procurar a chave nos bolsos.
Atrás deles, a névoa se agitou violentamente.
Rafael ouviu um som de respiração.
Lento.
Profundo.
Muito próximo.
— Samuel...
O homem continuou procurando.
— Estou quase...
Uma forma gigantesca surgiu na névoa.
Rafael teve apenas um segundo para reagir.
A criatura avançou.
Ele empurrou Samuel para o lado e disparou a espingarda.
O estampido sacudiu a sala.
A criatura desapareceu.
Não caiu.
Não recuou.
Simplesmente deixou de existir diante dos olhos de Rafael.
A névoa girou ao redor dele, e uma força invisível atingiu seu peito, lançando-o contra os armários.
A espingarda escapou de sua mão.
— Rafael! — gritou Lívia.
Davi correu até ele, mas Samuel o segurou.
— Não chegue perto!
A criatura reapareceu atrás do menino.
Era uma massa enorme, com quatro membros compridos e um corpo coberto por uma pele translúcida. Sob a superfície, linhas azuladas brilhavam como veias iluminadas.
A cabeça não tinha olhos visíveis.
Apenas uma abertura vertical que se dilatava e se fechava, revelando fileiras de dentes finos.
Davi gritou.
Lívia disparou duas vezes.
Os tiros atravessaram a névoa e atingiram o corpo da criatura. Ela soltou um guincho agudo, desaparecendo novamente.
Samuel agarrou Davi e o puxou para trás.
— Ela está caçando pelo calor!
Rafael levantou-se com dificuldade.
— O quê?
— Ela enxerga o calor dos corpos. Não fiquem parados!
A criatura surgiu perto do teto.
Suas garras agarraram uma tubulação, e ela se lançou sobre eles.
Lívia empurrou Davi para o chão.
A criatura atingiu o local onde o menino estivera um instante antes, destruindo parte da parede.
Rafael recuperou a espingarda.
Disparou novamente.
Dessa vez, o tiro atingiu uma das patas da criatura.
Um líquido escuro espirrou sobre o chão.
A criatura rugiu, e a névoa se tornou ainda mais densa.
Samuel puxou Rafael pelo casaco.
— Precisamos sair daqui!
— Abra a porta!
— Não consigo!
Rafael apontou a espingarda para ele.
— Você disse que conhecia este lugar!
— Conheço!
— Então faça alguma coisa!
Samuel ficou imóvel por um instante.
Depois olhou para a criatura.
— Ela não deveria estar nesta região.
A criatura reapareceu do outro lado da sala.
Dessa vez, estava mais próxima.
E parecia maior.
Lívia percebeu que os disparos não estavam funcionando.
A criatura desaparecia antes que ela conseguisse acertar um ponto vital. Cada vez que surgia, permanecia visível por apenas alguns segundos.
Ela examinou o ambiente, procurando alguma coisa que pudesse usar como arma.
Perto de uma bancada havia uma haste metálica, provavelmente parte de um equipamento cirúrgico. Uma das extremidades estava quebrada, formando uma ponta irregular.
Lívia correu até ela e a arrancou da estrutura.
— Rafael! Preciso que você distraia essa coisa!
Rafael olhou para a haste.
— O que pretende fazer?
— Não sei ainda!
A criatura soltou outro guincho.
Samuel se aproximou de Lívia.
— Não tente acertar o corpo!
Ela apontou a haste para ele.
— Então onde devo acertar?
— Abaixo da cabeça. Existe uma estrutura brilhante no pescoço. É onde ela concentra o calor.
Lívia estreitou os olhos.
— Como sabe disso?
Samuel não respondeu.
Rafael percebeu a troca de olhares.
A desconfiança que sentia pelo homem transformou-se em algo mais profundo.
Samuel não estava apenas familiarizado com aquelas criaturas.
Ele conhecia seus pontos fracos.
Conhecia seus comportamentos.
E parecia saber exatamente como matá-las.
Mas não havia tempo para interrogá-lo.
A criatura desapareceu novamente.
Samuel apontou para o lado esquerdo.
— Ela vai surgir atrás daquela coluna!
Lívia girou o corpo.
Por um instante, nada aconteceu.
Então a névoa se abriu.
A criatura apareceu exatamente onde Samuel previra.
Lívia avançou.
Com um grito, cravou a haste metálica na região inferior do pescoço do monstro.
O impacto foi violento.
A ponta improvisada atravessou a pele translúcida e atingiu a estrutura brilhante escondida sob ela.
A criatura soltou um rugido ensurdecedor.
Um líquido azulado escorreu pela haste.
Lívia tentou puxar a arma, mas as garras do monstro se fecharam ao redor dela.
Rafael disparou.
O tiro atingiu uma das patas da criatura, obrigando-a a soltar a caçadora.
— Lívia, saia daí!
Ela puxou a haste com toda a força.
A criatura recuou, debatendo-se.
As linhas azuladas sob sua pele começaram a piscar descontroladamente.
Por alguns segundos, a névoa ao redor dela desapareceu.
Rafael conseguiu enxergar o corpo inteiro do monstro.
Era muito maior do que imaginara.
O dorso era coberto por placas escuras, e os quatro membros terminavam em garras compridas. Uma cauda fina arrastava-se pelo chão, deixando um rastro de líquido escuro.
A cabeça se abriu lentamente.
Um som grave saiu de dentro da criatura.
Samuel empalideceu.
— Não...
A criatura golpeou o chão.
Uma onda de névoa explodiu de seu corpo, cobrindo a sala inteira.
Rafael perdeu Lívia de vista.
— Lívia!
— Estou aqui!
A voz dela veio de algum lugar à direita.
Rafael tentou avançar, mas uma sombra passou diante dele.
A criatura o atingiu com a cauda.
Ele foi arremessado contra a porta de manutenção.
A dor explodiu em suas costas.
O dispositivo metálico escapou de seu bolso e caiu no chão.
As três luzes vermelhas se acenderam.
Samuel gritou:
— Não toque nele!
Mas já era tarde.
O aparelho emitiu um pulso tão forte que a névoa pareceu congelar no ar.
A criatura parou.
Seu corpo inteiro ficou rígido.
Rafael, caído no chão, observou as linhas azuladas sob a pele do monstro mudarem lentamente de cor.
Do azul para o vermelho.
A criatura virou a cabeça na direção do dispositivo.
E então se ajoelhou.
Ninguém se moveu.
Lívia permanecia com a haste metálica nas mãos, respirando com dificuldade. Davi estava escondido atrás de uma bancada, e Rafael tentava compreender o que acabara de acontecer.
A criatura, que segundos antes tentara matá-los, estava ajoelhada diante do aparelho.
Samuel recuou.
— Desligue isso.
Rafael ergueu o dispositivo.
— O que está acontecendo?
— Desligue!
— Você vai me explicar agora!
Samuel olhou para a criatura.
— Ela está recebendo um comando.
Rafael sentiu o estômago afundar.
— De quem?
Samuel não respondeu.
O aparelho emitiu uma sequência de sons eletrônicos.
A criatura ergueu lentamente a cabeça.
As linhas vermelhas sob sua pele pulsaram no mesmo ritmo das luzes do dispositivo.
Então, inesperadamente, ela se levantou.
E avançou contra Samuel.
O homem soltou um grito e se jogou para o lado.
A criatura atravessou a bancada, destruindo tudo em seu caminho.
Rafael apertou o aparelho com força.
As luzes se apagaram.
O monstro parou imediatamente.
Seu corpo começou a desaparecer dentro da névoa.
Samuel levantou-se, segurando o braço ferido.
— Temos que sair daqui antes que ela volte!
Rafael correu até a porta de manutenção e tentou novamente a maçaneta.
Dessa vez, Samuel encontrou a chave.
A porta se abriu.
Do outro lado havia um corredor estreito, com uma escada que subia em direção à superfície.
Lívia puxou Davi e entrou primeiro.
Rafael permaneceu diante de Samuel.
— Você sabia que o aparelho poderia controlar a criatura.
— Não exatamente.
— Mentira!
Samuel olhou para ele, exausto.
— Eu sabia que poderia atraí-la. Não sabia que ela obedeceria.
Rafael apontou a espingarda para o peito do homem.
— Você vai nos contar tudo.
Samuel baixou os olhos.
— Se eu contar, vocês não vão querer continuar comigo.
— Experimente.
O homem respirou fundo.
— Eu trabalhava em um centro de pesquisa antes do mundo acabar. Não era médico, apesar do uniforme. Eu fazia parte de uma equipe que estudava os sinais emitidos pelas criaturas.
Rafael permaneceu imóvel.
— Que tipo de pesquisa?
— Tentávamos descobrir por que os monstros se comunicavam entre si. Descobrimos que algumas espécies respondiam a frequências específicas. Outras podiam ser atraídas, afastadas ou até imobilizadas.
— E o dispositivo?
Samuel olhou para a mão de Rafael.
— Foi desenvolvido para reproduzir esses sinais.
Lívia, que aguardava na entrada, virou-se.
— Você está dizendo que os humanos criaram essas máquinas?
— Não. As máquinas são muito mais antigas do que a nossa pesquisa.
Rafael sentiu o coração acelerar.
— Mais antigas quanto?
Samuel olhou para o teto, como se pudesse enxergar através do concreto.
— Encontramos uma delas antes do primeiro ataque. Enterrada sob as ruínas de uma instalação militar.
Davi se aproximou lentamente.
— E os monstros?
Samuel demorou a responder.
— Alguns já estavam aqui.
O silêncio tomou conta do corredor.
Rafael se lembrou das criaturas que tinham surgido nas ruas, dos símbolos vermelhos sob suas peles e da máquina que anunciara o protocolo de contenção no Refúgio.
— Você sabia que isso aconteceria?
— Não.
Samuel olhou diretamente para ele.
— Mas descobrimos que os sinais não vinham apenas das criaturas. Existia alguma coisa transmitindo ordens para elas.
— A figura mascarada?
Samuel assentiu lentamente.
— Acreditamos que seja um dos responsáveis pelo sistema de controle.
Rafael apertou o dispositivo.
— E por que aquela criatura não deveria estar nesta região?
Samuel olhou para a escada.
— Porque ela vive em outro lugar. Muito longe daqui.
— Onde?
— Nas áreas cobertas pela neblina permanente, além das montanhas.
Lívia franziu a testa.
— Nunca ouvimos falar de uma região assim.
— Porque ninguém que entrou lá conseguiu voltar.
Samuel passou a mão pelo rosto.
— Essas criaturas são chamadas de Espectros. Não deveriam atravessar os limites de seus territórios. Elas dependem de uma concentração específica de partículas na atmosfera para permanecerem invisíveis. Fora dessas áreas, ficam vulneráveis.
Rafael olhou para a névoa que ainda se infiltrava pela porta.
— Então por que esta está aqui?
Samuel permaneceu em silêncio.
Um estrondo ecoou na sala de manutenção.
A criatura havia voltado a se mover.
Dessa vez, porém, não estava sozinha.
Outros sons começaram a surgir do corredor.
Passos.
Arranhões.
Rugidos distantes.
A névoa avançou pela escada.
Samuel empurrou Rafael para a passagem.
— Não temos mais tempo!
O grupo subiu correndo.
Quando chegaram ao topo, encontraram uma porta de ferro que dava para um antigo estacionamento subterrâneo.
Rafael empurrou-a com o ombro.
A porta se abriu para uma área tomada por veículos abandonados e vegetação.
A luz do dia atravessava buracos no teto.
Por alguns instantes, todos respiraram aliviados.
Então Lívia apontou para a saída.
— Rafael...
Do outro lado do estacionamento, uma enorme nuvem branca cobria a rua.
A neblina se espalhava entre os prédios, avançando contra o vento.
E, dentro dela, dezenas de silhuetas se moviam.
Rafael sentiu o sangue gelar.
Samuel aproximou-se lentamente.
— Isso é impossível.
Lívia segurou a haste improvisada.
— Você já disse isso antes.
Samuel não respondeu.
Uma das silhuetas surgiu na borda da névoa.
Era muito maior do que o Espectro que haviam enfrentado.
Seu corpo parecia se arrastar sobre dezenas de membros, e enormes espinhos se projetavam de suas costas.
As linhas vermelhas sob sua pele brilhavam como brasas.
Samuel recuou, horrorizado.
— Não pode ser...
Rafael agarrou seu braço.
— O que é aquilo?
Samuel olhou para ele, e pela primeira vez Rafael viu verdadeiro pavor nos olhos do homem.
— O primeiro deles.
A criatura ergueu a cabeça.
A névoa ao redor começou a girar.
E, de algum lugar distante, uma voz metálica atravessou a cidade.
— Unidade de contenção comprometida. Iniciando protocolo de expansão.
O dispositivo na mão de Rafael acendeu novamente.
Desta vez, não havia apenas três luzes vermelhas.
Havia dezenas.
E todas começaram a piscar ao mesmo tempo.

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