E, mais uma vez, no fundo de sua mente, ele sentiu aquela presença. A criatura na floresta. Estava perto. Mais perto do que nunca. Mas ele não sabia mais o que ela queria. E nem o que ele estava disposto a dar. Ricardo sabia que havia uma única saída. Nos últimos dias, enquanto se afogava no álcool e na frustração, uma ideia lhe ocorrera, se insinuando em sua mente como um sussurro incessante. Ele não queria admitir no início, mas agora, no silêncio absoluto da manhã, depois de dias de destruição e caos interno, ele sabia que precisava fazer aquilo. A cabana na floresta. Ele a descobrira meses antes, durante uma de suas caminhadas. A estrutura velha e esquecida estava bem no coração da mata, cercada por árvores tão altas que seus galhos bloqueavam quase toda a luz. Na época, a cabana lhe parecia inofensiva, uma curiosidade da floresta, mas agora ela tomava uma nova forma em sua mente, quase como um refúgio. E, talvez, uma resposta. Era uma decisão que ele sabia que nã...